Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

Segunda Guerra Mundial
Home / Brasil / Em Combate / Último Tiro de Artilharia e a Rendição Incondicional Alemã -148ª Divisão de Infantaria
0131405 - Último Tiro de Artilharia e a Rendição Incondicional Alemã -148ª Divisão de Infantaria

Último Tiro de Artilharia e a Rendição Incondicional Alemã -148ª Divisão de Infantaria

 

0131405O 1º/2º Regimento de Obuses 105 Auto-rebocado (1º/2º RO 105 Au R – “III Grupo da Força Expedicionária Brasileira – Grupo Souza Carvalho”, atual 20º Grupo de Artilharia de Campanha Leve), permanecia acantonado em Bibbiano quando, à 01h00 de 28 de abril, chegou o chefe da 2ª Seção do Estado-Maior da Artilharia Divisionária da Força Expedicionária Brasileira (FEB), Major Antônio de Mendonça Molina, com a ordem para que o III Grupo 105 “enviasse uma bateria em apoio ao I Batalhão do 6° Regimento de Infantaria (RI), que seria empregado contra a tropa alemã em movimento para o Norte, na região de Collecchio – Fornovo di Taro (a 60 km de Bibbiano).”

O comandante do grupo, Tenente-Coronel Souza Carvalho, designou a 2ª Bateria, sob o comando do Capitão Valmiki Erichsen, para cumprir essa missão. A bateria foi acionada de imediato e aprestados os obuseiros para a marcha. O deslocamento foi realizado com muita cautela. Às 07h00, a 2ª Bateria alcançou Collecchio, depois de passar por Parma. Próximo dela estava o 6° RI. Informes dos italianos diziam que os alemães haviam retraído dois a três km para o sul de Collecchio, na noite anterior.

 

COMBATE DE COLLECCHIO – FORNOVO DI TARO 

O Capitão Valmiki apresentou-se ao comandante do 6° RI (atual 6º Batalhão de Infantaria Leve), Coronel Nelson de Mello, que tinha enviado um ultimato de rendição incondicional.

Decidida a ocupação de posição das quatro peças nas proximidades da “posição de espera”, foi a bateria apontada para a direção geral 4.000 milésimos, correspondente ao eixo de marcha do 1º Btl/6° RI.

A partir das 13h00, o Batalhão Gross do 6º RI iniciou a marcha ao encontro dos alemães.

Até as 16h00, nenhuma ligação fora estabelecida com a 2ª Bateria, em sua posição de tiro, pelos observadores avançados, dada a impossibilidade da observação terrestre durante a progressão através dos densos bosques da área. Às 16h00, o Tenente-Coronel Souza Carvalho chegou à linha de fogo e determinou ao tenente Raposo que transmitisse aos observadores avançados ordem para realizarem tiros sobre a localidade de Gaiano.

Com a noite recrudesceu o combate, progredindo o Batalhão Gross com muita dificuldade devido à tenaz resistência alemã. A tropa brasileira empregava, nos seus ataques, morteiros, metralhadoras, lança-rojões, tudo de que dispunha. E os alemães contra-atacavam, inclusive apoiados por metralhadoras antiaéreas de 20 mm, cujos projéteis traçantes riscavam o ar no rumo de nossa tropa.

Foram selecionadas como objetivos as localidades de Segalara e Gaiano, onde o escalão superior informava haver concentrações de tropa alemã. Os tiros realizados pela bateria sobre Segalara, em forma de rajada, foram muito oportunos e eficazes, de grande efeito moral para a nossa Infantaria.

1229717348958_f

Dois problemas passaram a preocupar o Tenente Raposo: a partir das 20h00 hrs percebeu-se a escassez de munição e os indícios de que patrulhas inimigas estariam se aproximando da posição ocupada pela nossa Artilharia. Foi designado o Sargento Pedrozelli para trazer o máximo de munição, do acantonamento de Bibbiano, no menor tempo possível. Missão exemplarmente cumprida, apesar dos grandes obstáculos que encontrou.

A segurança imediata da linha de fogo contra a provável incursão de patrulhas alemãs foi providenciada com as medidas tomadas para a defesa da posição pelo Tenente Marcel Padilha, que acabara de chegar de Bibbiano. Distribuíram-se as metralhadoras e os lança-rojões disponíveis, e foram colocadas sentinelas móveis para bloquear os acessos à linha de fogo pelos flancos da posição.

 

RENDIÇÃO INCONDICIONAL 

Às 22:00hs. aproximadamente, três parlamentários alemães, comandados pelo chefe do Estado-Maior da 148ª Divisão de Infantaria (148ª DI), Major W. Kuhn, cruzaram as linhas brasileiras, na região de Gaiano. Conduzidos à presença do Coronel Nelson de Mello, declararam-se autorizados pelo comandante da 148ª DI, General Otto Fretter Pico, a negociar a rendição. O Major Kuhn declarou que a tropa alemã compreendia a 148ª DI e remanescentes da Divisão Bersaglieri Itália e da 90ª Divisão Panzer, totalizando cerca de 16.000 homens, 4.000 animais e 2.500 viaturas, das quais 1.000 motorizadas. Aproximadamente 800 feridos aguardavam socorros urgentes.

Diante da importância do fato, o Coronel Nelson de Mello dirigiu-se ao comandante da FEB, general Mascarenhas de Moraes, que designou os coronéis Braynere Castello Branco para o encaminhamento das negociações em termos incondicionais.

Reiniciados os entendimentos, ficou estabelecido que a Artilharia brasileira cessaria fogo no dia 29 de abril e que as unidades alemãs se apresentariam aos postos de coleta de prisioneiros, organizados em Pontescodogna e Segalara.

Tendo como comandante da linha de fogo da 2ª Bateria do III Grupo da FEB, “Grupo Souza Carvalho”, o Tenente Amerino Raposo, as peças a cargo dos sargentosJoaquim Matheus e Luiz Pedrozzelli executaram a última rajada da Artilharia brasileira em campos da Itália à 01h45 de 29 de abril de 1945.

Às 18h30, apresentou-se o comandante da Divisão italiana, General Mario Carloni. O General Zenóbio da Costa foi designado para escoltá-lo até Florença. O último militar a se apresentar, ao anoitecer do dia 30 de abril, foi o comandante da 148ª DI, General Otto Fretter Pico.
1227911026755_f
O comandante da Força Expedicionária Brasileira, Marechal Mascarenhas de Moraes assim se expressou a respeito desse acontecimento:

“A manobra de Collecchio/Fornovo, com o aprisionamento da vanguarda e cerco do grosso adversário, resultou do esforço obstinado dos brasileiros, eficazmente aproveitado pela grande velocidade de marcha proporcionada pelo transporte motorizado da Infantaria realizado pelas viaturas da Artilharia. O inimigo dispunha de copiosos meios em pessoal, armamento e munição. A tropa era de escol:quase todos os chefes de maior graduação e inúmeros oficiais traziam no punho esquerdo o distintivo do Afrika Korps, comandado pelo célebre Vonn Rommel em território africano. Possuíam disciplina e preparo técnico. Apesar disso, capitularam, porque a Divisão brasileira não lhes deixou outra alternativa.O Exército Brasileiro mostrou-se digno do seu passado e à altura, concorrendo brilhantemente para que à nossa Pátria fosse reservado um lugar na reconstrução do mundo”.

 FONTE: Noticiário do Exército

Sobre André Luiz!

André Luiz, natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra, - antigo Segunda Guerra.org - escreve sob a expectativa de contribuir com a memória deste trágico conflito e demonstrar mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.

Veja Também

Arnon2 - Relatos da Segunda Guerra - O Herói em Silêncio

Relatos da Segunda Guerra – O Herói em Silêncio

Em um ato de coragem o soldado Arnon Correa teve muito sangue frio, coragem e …

mensa - Os Mensageiros da FEB - Heróis Anônimos

Os Mensageiros da FEB – Heróis Anônimos

De varias funções importantes no conjunto da Força Expediconária Brasileira, a de mensageiro é uma da …

Deixe sua Opinião (Facebook - Twitter - Google+)