Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

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Segunda Guerra Mundial
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A Seleção Médica da FEB – Parte IV

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As Juntas Médicas de Seleção foram instaladas algumas Regiões Militares. Em todas elas houve diversas improvisações. Em algumas não havia médico em número suficiente. Os responsáveis pela apresentação dos convocados, nem sempre cumpriam com os horários previstos. Com frequência o efetivo numérico não era o estipulado. Outras vezes mais de um grupo se apresentavam ao mesmo tempo, tumultuando os trabalhos. Homens se apresentavam sem cueca ou calção (fato comum na época, na área rural), quando em alguns locais os exames eram feitos ao ar livre em área de campo aberto.

Na 1ª Região Militar foi criada uma Junta de Revisão, sob controle direto do General Souza Ferreira. Tal Junta revisava os casos onde houvesse alguma dúvida, quanto a capacidade ou incapacidade. Essa unidade era ilegal, não era prevista nas normas ou instruções em vigor. Mais tarde outras Juntas de Revisão foram criadas também em demais Regiões. Tornou-se uma necessidade.

O Diretor do Hospital Central do Exército, na época, devolvia todos os homens para lá encaminhados alegando “desconhecer a existência de tal Junta.” As dúvidas surgiam resultaram numa volumosa correspondência que o Capitão Paiva Gonçalves respondia. O mesmo capitão elaborou e remeteu para os presidentes das Juntas, uma carta particular. Esta carta esclarecia os pontos principais e as dúvidas e erros mais comuns.

Algumas das explicações constantes deste documento foram:

  • o sistema adotado tinha como base o Exército estadunidense;
  • a confusão inicial foi devida, em parte, aos locais de funcionamento improvisados, aos prazos determinados e a carência de médicos;
  • os problemas odontológicos seriam resolvidos nos Centros Odontológicos (que não foram criados);
  • os exames psicológicos não eram feitos porque o Professor Ombredanne não havia entregado os testes;
  • os exames psiquiátricos deveriam ser aplicados de modo indireto.

A carta recomendava, também, que os médicos lessem as instruções publicadas no Boletim nº18-E.

Os Centros Odontológicos ficaram apenas no papel por falta de equipamento e não de dentistas disponíveis.

As respostas a esta carta são interessantes e demonstram as dificuldades enfrentadas, pelas deficiências de instalação, da falta de material e de pessoal e ainda a falta de experiência dos médicos civis. Esta correspondência paralela permaneceu até o fim dos trabalhos das Juntas.

Os resultados granjeados durante os trabalhos das Juntas Médicas demonstraram que algumas alterações precisam ser feitas nas instruções constantes do Boletim nº18-E, de 23 de outubro de 1943. As alterações foram realizadas, nos índices e critérios a serem observados e também no fluxo da seleção e escrituração dos resultados.

Nos critérios e índices foram propostas as tolerâncias à visão e audição, para serem classificados como Tipo-E. No caso dos oficiais, a tolerância foi maior, porém o uso de óculos foi exigido nos casos de deficiências. Houve aumento de tolerância quanto ao uso de dentadura e a possibilidade de tratamento em curto prazo foi considerada. A incapacitação temporária passou a ser concedida aos recuperáveis até 20 dias. A incapacidade definitiva passou a ser decidido pelo Presidente da Junta. Os aptos, com altura inferior a 1,60m e aqueles classificados na categoria N poderiam ser aproveitados como Tipo-E e designados para a Força Expedicionária.

Equipes móveis de médicos militares atendiam as Juntas das guarnições do interior, onde havia precariedade de médicos ou de certa especialidade. As comissões de revisão das fichas de seleção simplificaram o trabalho, dando mais autoridade ao Presidente da Comissão.

As alterações mais significativas foram as Instruções aprovadas pelo Ministro da Guerra, em 29 de fevereiro de 1944, que permitiu incluir na Força Expedicionária Brasileira, todos os aptos, oficiais e praças, desconsiderando se era do tipo E ou N.

O trabalho de seleção médica para a FEB foi difícil, não apenas por haver deficiências de instalações, de material e de pessoal, mas também devida a falta cooperação de alguns militares que encaravam com seriedade o que faziam.

O fato de seguirem índices e coeficientes estadunidenses foi um erro que não seria repetido atualmente.

O homem brasileiro é diferente em seu biótipo em relação aos estadunidenses.

Artigo dividido em 4 partes:

A Seleção Médica da FEB – Parte I

A Seleção Médica da FEB – Parte II

A Seleção Médica da FEB – Parte III

A Seleção Médica da FEB – Parte IV

Sobre André Luiz!

André Luiz, natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra, - antigo Segunda Guerra.org - escreve sob a expectativa de contribuir com a memória deste trágico conflito e demonstrar mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.

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