Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

Segunda Guerra Mundial
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A Seleção Médica da FEB – Parte II

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Os Quesitos de Seleção

O Tenente-Coronel Xavier Airosa ficou incumbido de organizar a comissão para estabelecer os critérios e o perfil do homem desejado para compor as tropas da Força Expedicionária Brasileira.

O homem desejado deveria possuir vigor físico, equilíbrio emocional  e mental, e um mínimo de desenvolvimento intelectual com certa maturidade. Para estadunidenses, um soldado poderia ter apenas 6 anos de idade mental. As estatísticas alemãs e estadunidenses relativas à Primeira Guerra Mundial, indicaram que 30% dos oficiais e 15% dos praças desligados por problemas psiquiátricos, 95% já tinhas tais problemas antes de entrarem nas batalhas.

A comissão brasileira planeou para que os homens fossem submetidos a uma série de provas e exames:

  • Inspeção de saúde por vários médicos de diversas especialidades;
  • Verificação da capacidade intelectual, a idade mental e o grau de desenvolvimento da inteligência;
  • Observação do homem durante o período de treinamento, nas unidades, visando obter dados sobre o condicionamento físico e mental.

Estatísticas da época mostravam que 85% dos distúrbios mentais não eram detectados numa primeira seleção. Para a execução do planejamento era preciso preparar o dispositivo e assim foi feito:

  • mobilizar médicos de várias  especialidades;
  • elaborar os testes de coeficiente mental e de inteligência;
  • elaboração de testes de capacitação intelectual;
  • elaboração de normas de acompanhamento;
  • constituição da Juntas Médicas de Seleção;
  • adaptação das Formações Sanitárias Regimentais, para funcionarem como Juntas;
  • construção de barracas de madeira onde funcionariam as Juntas Médicas;
  • estabelecer o Quadros de Dotação para Juntas de 2 horas e Juntas de 12 horas.

As barracas de madeira não foram construídas. Tampouco as Juntas Médicas funcionaram em locais ideais. No Rio de Janeiro, funcionou na Policlínica Central do Exército (atual Policlínica Militar do Rio de Janeiro), a melhor das instalações.

As necessidades de pessoal também não foram conseguidas em quantidade e qualidade desejáveis.

QUADRO DE DOTAÇÃO

QUALIFICAÇÃO JMS/2h JMS/12h
Médico Militar 3 6
Médico civil 21 126
Dentista 2 12
Doutorando 6 36
Sargento 11 22
Cabo 8 16
Soldado 6 12
Serventes civis 3 16
TOTAL 60 246

Todo esse planejamento foi inviável para a realidade da época. De onde viria todo esse pessoal? Apelar para a reserva era a solução.

Em todo o Brasil haviam 2000 médicos relacionados na Diretoria de Saúde. Foi remetida uma carta convite para 173 médicos, dos quais 20 não responderam ao chamado. Aos 143 médicos reunidos na Diretoria de Saúde, apresentou-se um termo de compromisso, buscando tocar no patriotismo dos mesmos. Somente 133 foram patriotas e assinaram o termo.

Apelando-se, através do Diretório Acadêmico da Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil, nenhum doutorando manifestou-se. Porque não houve convocação compulsória dessas pessoas é um fato sem explicação até o momento. Os trabalhos passaram para a conta dos médicos militares e alguns poucos civis.

Continua: A Seleção Médica da FEB – Parte III

Artigo dividido em 4 partes:

A Seleção Médica da FEB – Parte I

A Seleção Médica da FEB – Parte II

A Seleção Médica da FEB – Parte III

A Seleção Médica da FEB – Parte IV

Sobre André Luiz!

André Luiz, natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra, - antigo Segunda Guerra.org - escreve sob a expectativa de contribuir com a memória deste trágico conflito e demonstrar mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.

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