Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

Segunda Guerra Mundial
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Retalhos… Poucos Registros de um Diário de Campanha da FEB

Hoje pesquisando nas revistas “O Expedicionário”, eu encontrei um artigo que tem nada mais, nada menos que um dia a mais que eu de idade, e achei bacana colocar alguns detalhes desse artigo para os amigos leitores.

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Esse artigo foi escrito pelo Dr. Flávio Villaca Guimarães (In memória) 1º Ten. R/2 – Ex combatente. Na época faziam 37 anos da volta de nossos heróis da Itália, e muitos já estava na faixa dos 60 anos de idade, alguns veteranos ainda tinham em memoria os feitos de heroísmo na guerra, mas muitos ainda não tinham muita coragem para reabrir os diários e relembrar de seus feitos e de seus companheiros.

Dr. Flávio tem a coragem de reviver suas histórias e seus feitos de guerra, e começa o artigo da seguinte maneira:

“…Neste manha sombria de 21 de janei­ro de 1982, semelhante àquelas de novem­bro a fevereiro do 1944/45 quando, noauge da guerra e também do horripilante inverno europeu, tudo era ainda incerte­za, folheando nosso despretensioso Diário de Guerra, nos veio a mente os nebulosos dias que passamos “embutidos” no PO. da semidestruída Torre de Nerone, locali­zada numa colina nua, diariamente casti­gado pelos morteiros alemães provenien­tes do Soprassasso.

A temperatura caia sensivelmente, atingindo naqueles dias, 18° centígrados negativos.

Havíamos saído de um país de clima tropical, mas nem por isso nos intimida­mos com a rudeza do inverno europeu.

Naquele período hibernal, intensifi­caram-se, principalmente, durante a ca­lada da noite, as atividades das patrulhas, de parte a parte. Mesmo enfrentando a neve, o gelo, chuvas e tempestades, jamais esmorecemos diante de todas as intempé­ries, desincumbindo nos galhardamente de nossas árduas missões.

Entre dezembro de 1944 e fevereiro de 1945 nossas tropas capturaram 23 pri­sioneiros, alguns dos quais foram apresen­tados ao Major Oest, Comandante do II/ 6º RI., o qual tinha seu PC. localizado nas proximidadesde Costa de Afríco. En­tre aqueles prisioneiros havia um tenente “SS”. Era diferente dos demais compa­nheiros, pois notava-se nele um ar de supe­rioridade e ume empáfia, sem par.

No nosso Btl. apenas o soldado Ave­lino Morchese, motorista do Comandante, natural de S. Catarina, descendente de ale­mães, era o único que falava e entendia um pouco a língua dos tedescos.

Por solicitação do Major Oest, o Ave­lino tentou falar com oTen. SS., sen­do infrutíferas as tentativas de conseguir do mesmo algumas palavras. Continuava impassível ante as perguntas que lhe eram feitas. Pelo visto, cumpria à risca as or­dens emanadas pelo seu “Fuhrer”…”

São inúmeras as histórias e relatos que os soldados teria­m registrado em seus diários, mas seriam maiores se não fossem os muitos imprevistos obtidos nos mais de 200 dias de efetiva atividade nos campos de batalha da Itália.

Na época, alguns soldados carregavam nos bolsos retalhos de papel contendo apontamentos referentes ao dia, mês e hora de seus deslocamentos. Guar­davam os com todo o cuidado para que, um dia, se Deus assim o permitisse, pudessem compor, tão ambicionado diá­rio, observando a ordem cronológica dos acontecimentos.

Mas muitos imprevistos aconteciam com os soldados e um deles, leremos abaixo com as palavras do Dr. Flávio.

“…ao descermosdaTorre para irmos ao PC  suprir-nos de municio e mantimentos para uma semana, pelo menos, escorrega­mos num lamaçal e rolamos morro abaixo, até estatelarmos numa gélida poça d’água. Foi o suficiente pare nos molharmos todoe, assim, vermos inutilizados todos os pa­péis com as anotações que havíamos feito. Mesmo assim, procuramos relembrar de alguma coisa, mas muito pouco veio á nossa mente, pois enormes eram nossas preocupações do dia-a-dia com o feroz e experiente inimigo…”

Esses são alguns pequenos retalhos de memórias de um de nossos heróis…

Fonte: Revista O Expedicionário – Sem número – Por mais terra que eu percorra…

Sobre Ricardo Lavecchia

Ricardo Lavecchia tem 35 anos, nascido no dia 22/01/1982. Natural de Santo André – SP Trabalha como vedendor, desenhista nas horas vagas, sempre procurou novas idéias em imagens de livros e jornais, e foi numa dessas buscas que descobriu outra paixão: A Segunda Guerra Mundial. Tinha, então, 18 anos e se deparou com o livro: "Crônicas de Guerra - Com a FEB na Itália" de Rubens Braga. Ao invés de apenas escolher uma imagem para desenhá-la, resolveu ler o livro. O fascínio pelo assunto o tomou por completo. Em suas pesquisas sobre o tema, descobriu não só relatos de guerra, mas amizades sinceras de veteranos, como o Sr. Antônio Cruchaki, veterano do 9º BEC e o falecido Capitão Rocha da Senta a Pua. E-mail: ricardo @ segundaguerra.net

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1 comentário

  1. Que lindo!
    Emocionei-me com as palavras do meu querido Tio Flavio!
    Obrigada por postar isso.
    Abracos,
    Mary

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