Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

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Os motivos da entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial

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Vargas e Roosevelt

Por que o Brasil entrou na Segunda Guerra?

Em 1937, Getúlio Vargas deu um golpe de estado e implantou no Brasil um regime inspirado no fascismo italiano. Em 1940, Getúlio anunciou a possibilidade de construir uma siderúrgica em solo brasileiro, com o apoio da indústria alemã Krupp. Tal situação fez com que, os Estados Unidos concedessem imediatamente um crédito para financiar a siderúrgica sem a participação alemã.

Os Estados Unidos trabalhavam com hipótese dos conflitos na Europa se generalizassem e por  isso queriam contar com o apoio das nações latino-americanas, em especial o Brasil.

Ainda que procurando manter-se indefinido em relação aos Estados Unidos e Alemanha, pouco a pouco o Brasil foi se comprometendo com os preparativos estadunidenses de entrada na Segunda Guerra ao lado dos Aliados.

No dia 28 de janeiro de 1942, na Terceira Conferência dos Chanceleres Americanos no Rio de Janeiro, o Governo brasileiro anunciou o rompimento das relações diplomáticas com a Alemanha, o Japão e a Itália, em reconhecimento às hostilidades japonesas no ataque a Pearl Harbor (7 de dezembro de 1941).

Após o anuncio, deu-se no Brasil uma grande mobilidade militar para a segurança e a defesa de suas costas, ao mesmo tempo em que permitiu aos Estados Unidos fazer uso de algumas bases no nordeste.

Apesar de todo o trabalho dos Estados Unidos para afastar o Brasil das forças do Eixo, Getúlio Vargas mantinha neutralidade ao conflito. A grande mudança nos planos veio quando navios mercantes brasileiros foram torpedeados, e o ato foi atribuído a submarinos alemães; fato que acirrou a opinião pública em pró de uma resposta do governo brasileiro.

No dia 22 de agosto de 1942, o Brasil declara guerra à Alemanha e a Itália.

Finalmente, os Estados Unidos obtinha êxito em sua campanha diplomática. O presidente Roosevelt tinha consciência de que as inclinações ideológicas de Getúlio Vargas eram mais próximas aos ideais do Eixo que aos propósitos dos Aliados. Não faltaram esforços para conseguir o apoio brasileiro aos Estados Unidos no conflito.

No início dos anos 90, um documento reservado do Exército estadunidense tornou-se público, revelando planos de invasão do Brasil pelos Estados Unidos caso Getúlio não se unisse ao bloco dos países Aliados.

 

Como Aconteceu

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Manifestação contra o Eixo, 1942. Rio de Janeiro (RJ)

Entre setembro de 1939 e agosto de 1942, período que abrangeu o início da Segunda Guerra Mundial até o momento no qual o Brasil declarou guerra aos países do Eixo, unindo-se definitivamente às forças aliadas, muita coisa aconteceu no país. As relações do Brasil com os Estados Unidos baseavam-se na negociação do alinhamento brasileiro, discutindo-se o fornecimento de materiais estratégicos aos Estados Unidos e a permissão para o estacionamento de tropas norte-americanas nas bases do Nordeste; do seu lado, o governo brasileiro reivindicava financiamento para a criação da Companhia Siderúrgica Nacional e o reequipamento e modernização das nossas Forças Armadas.

Através das conferências interamericanas, o governo norte-americano procurava garantir para si, na hipótese de generalização do conflito, o apoio dos países latino-americanos. Inicialmente, na conferência do Panamá (1939), foi declarada a neutralidade das repúblicas americanas diante da guerra na Europa. A seguir, em Havana (1940), foi afirmada a solidariedade continental em face de uma agressão externa a qualquer país do continente.

Visando especificamente ao apoio brasileiro, o presidente Roosevelt favoreceu a ida aos Estados Unidos da Missão Aranha e a assinatura de uma série de acordos, que previam a concessão de créditos ao Brasil em troca do compromisso do governo brasileiro de regularizar o pagamento das dívidas e das remessas de lucros. Washington iniciou ferrenha campanha contra a presença germânica no continente latino-americano em geral, e no Brasil em particular, através de uma ofensiva político-ideológica sem precedentes na história das suas relações.

Na expressão cunhada pelo historiador Gerson Moura, Tio Sam chegava ao Brasil para fazer frente ao fantasma do Eixo. Embora buscando manter uma política de indefinição entre Estados Unidos e Alemanha, esgotando seus recursos de barganha acrescidos da evolução do conflito na Europa, o Brasil cada vez mais comprometeu-se com os preparativos norte-americanos de entrada na guerra ao lado dos Aliados.

Desde o início de 1941, os Estados Unidos estavam decididos a cortar o fornecimento de matérias-primas brasileiras ao Eixo. Para tanto assinaram com o Brasil um contrato de aquisição de toda a sua produção de materiais estratégicos – bauxita, berilo, cromita, ferro-níquel, diamantes industriais, minério de manganês, mica, cristais de quartzo, borracha, titânio e zircônio. Nessas negociações, ênfase especial foi dada à borracha, produto que se tornara escasso após o avanço japonês no Sudeste Asiático.

Com a ajuda de recursos norte-americanos, desencadeou-se na época a “batalha da borracha”, projeto de estímulo à produção e distribuição do produto. Com a entrada dos Estados Unidos na guerra em dezembro de 1941 e o conseqüente aumento da necessidade desses e de outros produtos estratégicos para a indústria bélica norte-americana, o governo brasileiro procurou associar novos acordos de venda à obtenção de armamentos para suas Forças Armadas. O processo de negociação do alinhamento chegou ao fim com a entrada dos Estados Unidos na guerra após o ataque japonês à base norte-americana de Pearl Harbor, em dezembro de 1941.

 

Criação da Companhia Siderúrgica Nacional

siderurgicanacionalJá por ocasião da Revolução de 1930, a criação de uma grande indústria siderúrgica nacional havia sido fixada como um dos objetivos do governo, visando a atender às necessidades não só do desenvolvimento econômico, mas da própria soberania nacional. Foi exatamente a preocupação com a defesa nacional que fez com que, a partir de meados da década, os militares passassem a desempenhar um papel chave na luta em prol da indústria siderúrgica brasileira.

Em junho de 1939, durante visita aos Estados Unidos do chefe do Estado-Maior do Exército brasileiro, general Góes Monteiro, o governo norte-americano manifestou sua disposição de cooperar no reequipamento econômico e militar brasileiro em troca de nossa colaboração nos planos de defesa continental traçados por Washington. Na ocasião foi enviado ao Brasil um grupo de técnicos da United States Steel e, como resultado das conclusões favoráveis de seus estudos, foi instalado a Comissão Preparatória do Plano Siderúrgico. Contudo, em janeiro de 1940 o governo brasileiro foi informado da decisão daquela empresa de que não iria mais participar da construção da usina no Brasil.

Embora os motivos dessa desistência nunca tenham ficado claros, é possível que estivessem ligados aos estudos que se faziam na época em torno da criação de um novo Código de Minas que proibiria a participação estrangeira na atividade metalúrgica. Em vista da decisão da empresa norte-americana, o governo brasileiro decidiu levar adiante o empreendimento por meio da constituição de uma empresa nacional, com a ajuda de empréstimos estrangeiros.

Ainda em 1940 foi criada a Comissão Executiva do Plano Siderúrgico Nacional, que estabeleceu metas de produção e financiamento e decidiu pela localização da usina em Volta Redonda (RJ). A embaixada brasileira em Washington foi então autorizada a solicitar ao Eximbank um crédito de US$ 17 milhões para a aquisição de maquinaria. O governo norte-americano, entretanto, retardava qualquer definição e chegou a favorecer o reatamento das negociações entre o Brasil e a United States Steel, solução que, àquela altura, não era mais desejada pelo governo brasileiro.

O lance decisivo viria, por fim, com o discurso pronunciado por Getúlio Vargas a bordo do encouraçado Minas Gerais em 11 de junho de 1940. Contendo alusões simpáticas ao Eixo, o discurso pode ser interpretado como manobra para forçar os Estados Unidos a uma definição favorável à implantação da siderurgia no Brasil. Logo a seguir, uma comissão integrada por Edmundo de Macedo Soares, Guilherme Guinle e Ari Torres foi aos Estados Unidos para negociar o financiamento junto ao Eximbank e obteve um empréstimo de US$ 20 milhões.

Paralelamente aos trabalhos da comissão, prosseguiam as negociações entre os governos estadunidenses e brasileiros quanto às bases e ao alcance da cooperação econômica e militar entre os dois países, que só se completariam em 1942. Isso não impediu que já em 7 de abril de 1941 fosse criada a Companhia Siderúrgica Nacional, sociedade anônima de economia mista cujo primeiro presidente, nomeado também naquela data, foi Guilherme Guinle.

Referências:
– VARGAS, Getúlio, A nova política do Brasil, 10 volumes, Livraria José Olympio, 1941
http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/anos37-45/AGuerraNoBrasil
http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/anos37-45/EstadoEconomia/CSN

Sobre André Luiz!

André Luiz, natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra, - antigo Segunda Guerra.org - escreve sob a expectativa de contribuir com a memória deste trágico conflito e demonstrar mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.

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8 comentários

  1. Iuri Cuervo Goulart da Silveira

    Muito obrigado, pois eu queria mto saber detalhadamente como foi a Segunda Guerra Mundial e a participação do Brasil nela..
    Muito Obrigado mesmo.
    Grande Abraço

    Iuri CGdaSilveira.

  2. Talvez sem certeza de coclusões será que realmente foram submarinos alemães ou americanos que torpedearam navios mercantes brasileiros uma vez que o documento de 1990 dizendo que havia planos norte americanos para invadir o Brasil . Uma tentativa dos americanos de tentarem a qualquer preço forçar o Brasil a entrar na segunda guerra; Fica esta dúvida.

  3. Luciano Francisco Evangelista

    Gostei bastante,deste conteudo é muito aproveitativo e de facil compreenção.

  4. Diogo Souza da Silva

    adorei o conteudo desta pagina e me ajudou muito em um trabalho escolar!

  5. É agora eu tenho certeza que não foi os submarinos Alemães que torpedearam os navios mercantes Brasileiros…

  6. SANGUE DERRAMADO PARA NUNCA MAIS MAS ENCOMPESAÇAO NOSSAS FLORESTA NOSSAS AVES SOS PAREM COM ISSO SALVE NOSSAS

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