Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

Segunda Guerra Mundial
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Os 6 Atentados contra Adolf Hitler

As seis tentativas de matar Hitler

Durante sua vida, Adolf Hitler sofreu 6 atentados significativos. Há relatos que enumeram 32 tentativas de tirar sua vida, mas aqui focaremos nas mais relevantes.

1) 1921: A Briga na Cervejaria Hofbräuhaus

O primeiro atentado sofrido por Hitler, ocorreu cerca de vinte anos antes do início da Segunda Guerra Mundial.

No ano de 1921, em novembro, o ainda anônimo futuro líder nazista, discursou na conhecida cervejaria Hofbräuhaus de Munique.  

Cervejaria Hofbräuhaus na década de 1920
Cervejaria Hofbräuhaus na década de 1920

Além dos membros do recém-formado Partido Nazista, ali estavam muitos sociais democratas, comunistas entre outros inimigos políticos.

Diante do discurso agressivo, característico de Hitler, tais opositores se irritaram. Não demorou para que uma briga entre eles se iniciasse, e em meio a socos, pontapés e cadeiras voando, um desconhecidos sacou uma arma e dispararou por diversas vezes em direção ao palanque onde Hitler estava.

Além de não ser atingido, o jovem Adolf continuou discursando por cerca de 20 minutos até a polícia chegar.

Ter ficado de frente com a morte contribuiu para que o fervor à causa nazista aumentasse ainda mais no coração do futuro Führer.

 

2) 1938: A missão Espiritual de Maurice Bavaud

Maurice Bavaud
Maurice Bavaud

No final de 1938, um suíço, estudante de teologia, Maurice Bavaud, deu início a uma perseguição a Hitler pela Alemanha.

O estudante estava convicto de que o comandante alemão era um perigo à Igreja Católica, uma “encarnação do diabo” e que sua “missão espiritual” era a de assassiná-lo.

A chance surgiu em 9 de novembro de 1938, quando Hitler e outros líderes nazistas marcharam por Berlim em comemoração ao aniversário do “Putsch da Cervejaria”.

Bavaud ocupou um dos lugares na arquibancada e esperou até que o “Füher” se aproximasse. Tinha uma pistola em seu bolso, mas antes que ele pudesse sacá-la, o público entusiasmado ergueu os braços numa saudação nazista e ocultou sua visão.

Contrariado, Maurice desistiu de sua missão, sendo preso posteriormente enquanto viajava clandestinamente num trem para fora da Alemanha.

Ao ser descoberto pela Gestapo, que encontrou sua arma e seu mapa, Bavaud confessou, seu plano para eliminar Hitler.

Em maio de 1941, ele foi guilhotinado na prisão Plötzensee de Berlim, aos 25 anos de idade.

 

3) 1939: Aniversário do Putsch da Cervejaria

Georg Elser
Georg Elser, o carpinteiro

Georg Elser foi um carpinteiro alemão comunista, que odiava o Nazismo.

Prevendo que o regime nazista iria levar seu país à guerra e à ruína financeira, no final de 1938, resolveu agir.

Sabendo que Hitler discursaria na cervejaria Bürgerbräukeller de Munique, no aniversário do “Putsch da Cervejaria”, Elser construiu uma bomba com timer de 144 horas.

Ao terminar o trabalho, Elser foi para Munique e passou a entrar furtivamente na cervejaria todas as noites, procurando uma cavidade numa das colunas sob a plataforma do alto-falante.

Após diversas idas ao local, ao longo de semanas, ele conseguiu instalar a bomba.

A programação da explosão foi para 8 de novembro de 1939, às 21h20m – no meio do discurso de Hitler. Elser planejou o seu atentado meticulosamente, porém a sorte não o ajudou.

A Segunda Guerra Mundial havia iniciado há alguns meses e Hitler alterou o horário de seu discurso para às 20h, assim retornaria à Berlim o mais breve possível.  

O Führer pronunciou suas últimas palavras no discurso às 21h07m e às 21h12m deixou a cervejaria. Cerca de 8 minutos depois, a bomba explodiu, derrubando a coluna e causando a queda de parte do teto sobre o pódio em que Hitler esteve.

Morreram oito pessoas e cerca de 63 se feriram, mas o “Führer” ficou ileso.

Elser foi preso na mesma noite enquanto fugia pela fronteira suíça e confessou o crime, após seus planos sobre a bomba serem encontrados.  

O carpinteiro passou o resto de seus dias em campos de concentração nazistas. Em abril de 1945, sob ordens de Hitler, ele foi morto por agentes da SS.

Placa na cidade de Königsbronn
Placa na cidade de Königsbronn em memória de Georg Elser: “Eu quis pela minha ação prevenir uma matança maior” – Em memória de Johann Georg Elser, que passou a sua juventude em Königsbronn. Em 8 de Novembro de 1939, ele quis impedir o genocídio com uma tentativa de assassinar Hitler. Em 9 de Abril de 1945, Johann Georg Elser foi assassinado no Campo de Concentração de Dachau.”

4) 1943: Garrafas de Conhaque Explosivas

Henning von Tresckow
Henning von Tresckow

Em 13 de março de 1943, Hitler visitou brevemente o posto de Henning von Tresckow em Smolensk – um oficial alemão desiludido.

Antes que o “Füher” embarcasse no avião para a viagem de volta, Tresckow abordou um membro da equipe de Hitler e pediu ao sujeito para levar um embrulho contendo duas garrafas de conhaque a um amigo em Berlim.

O oficial concordou, porém, na verdade, no pacote continha explosivos plásticos programados para explodir em meia hora.

Tresckow e seu comparsa, Fabian von Schlabrendorff, tinham expectativa de que a morte de Hitler incentivasse um golpe contra o alto escalão nazista, no entanto, ficaram frustrados ao saber que o avião pousou em Berlim com segurança.

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Fabian von Schlabrendorff

Após a guerra, Schlabrendorff, afirmou:  “Nós ficamos perplexos e não imaginávamos o motivo da falha”. “Pior seria se o plano tivesse sido descoberto, o que culminaria em nossa detenção e na morte de um grande círculo de colaboradores”.

Em pânico, Tresckow contatou o oficial que levara o pacote e afirmou ter lhe dado o pacote errado. No dia seguinte, ele viajou ao quartel de Hitler e fez a troca do embrulho por duas garrafas de conhaque.

Após analisar a bomba, percebeu que um fusível defeituoso foi a causa de Hitler não ser explodido em pleno ar.

 

5) 1943: Rudolf von Gertsdorff, o Homem-bomba.

Rudolf von Gertsdorff
Rudolf von Gertsdorff

Na semana seguinte à tentativa de explodir o avião de Hitler, Tresckow e seus colaboradores planejaram outro atentado, durante uma exposição de bandeiras e armamentos soviéticos capturados em Berlim. O Führer tinha colocado em sua agenda esse evento para visitar.

Um oficial chamado Rudolf von Gertsdorff se prontificou para detonar um ataque com bomba, mas, após checar as instalações, concluiu que a segurança era elevada para se implantar explosivos.  

A única maneira de se ter sucesso, segundo Gertsdorff, seria colocar explosivos em seu próprio corpo e se explodir próximo a Hitler, ou seja, ser um “homem-bomba”.

Deste modo o plano teve sua execução, e no dia 21 de março de 1943, o oficial guiou Hitler durante toda a exposição, sempre se mantendo muito próximo. A bomba foi programada para explodir em 10 minutos após acionada, mas, mesmo sob tentativas de Gersdorff em manter Hitler entretido por mais alguns minutos, ele saiu por uma porta lateral antes desse tempo.

Com isso, Gertsdorff, teve que seguir desesperadamente a um banheiro e desativar os explosivos, tendo apenas alguns segundos de prazo.

 

6) 1944: O Atentado na Operação Valquíria

Claus von Stauffenberg
Claus von Stauffenberg

Pouco tempo após o Dia D, em 1944, um grupo de oficiais, planejaram eliminar Hitler, desta vez em seu posto de comando, o Wolfsschanze (o Covil do Lobo), na Prússia.

O organizador do plano foi Claus von Stauffenberg, um coronel que havia perdido um olho e uma de suas mãos em combate pelo Afrika Corps.

O plano era simples: Esconder uma bomba próximo à Hitler e, posteriormente, fazer uso da Reserva da Wehrmacht para tirar o regime nazista do poder.

Em sequência negociaria um acordo de paz com os Aliados e colocaria fim à guerra.

Stauffenberg pôs em marcha o plano no dia 20 de julho de 1944, após ele e diversos outros oficiais serem convocados para uma conferência com o “Führer”.

Portando uma maleta repleta de explosivos plásticos ligados a um fusível ácido, ele entrou à sala de reunião, posicionou o objeto o mais próximo possível de Hitler e deixou o local sob pretexto de fazer um telefonema.

Stauffenberg (à esquerda) em Rastenburg em 15 de Julho de 1944. Ao centro Adolf Hitler. Stauffenberg já levava as bombas consigo, mas decidiu não detoná-las naquele momento
Stauffenberg (à esquerda) em Rastenburg em 15 de Julho de 1944. Ao centro Adolf Hitler. Stauffenberg já levava as bombas consigo, mas decidiu não detoná-las naquele momento

A bomba explodiu alguns minutos depois, destruindo grande parte da sala. Quatro homens morreram, mas Hitler teve apenas alguns ferimentos leves e a barra da calça chamuscada.

Milagre? Não! Um oficial, moveu a maleta para debaixo de uma de madeira maciça, poucos segundos antes da explosão. O tampo resistente da mesa, protegeu Hitler da morte.

Oficiais nazistas inspecionam o que restou da sala após a explosão
Oficiais nazistas inspecionam o que restou da sala após a explosão

Stauffenberg e os outros conspiradores foram presos e executados, assim como centenas de supostos dissidentes, entre eles, Romell que foi obrigado a ingerir cianureto.   

De acordo com alguns depoimentos, Hitler teria se gabado de ser “imortal”, após esse novo atentado dar errado, porém o líder nazista quase não foi mais visto em público até os russos estarem às portas de Berlim, em 1945.

Sem dúvida este é o mais conhecido plano para matar Hitler, que inclusive virou filme, estrelado por Tom Cruise, em 2008.

Referências:
http://www.dw.com/
https://seuhistory.com/

 

Sobre André Luiz!

André Luiz, natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra, - antigo Segunda Guerra.org - escreve sob a expectativa de contribuir com a memória deste trágico conflito e demonstrar mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.

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