Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

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O Dia D – Um Segredo de Polichinelo – As mensagens da Invasão Ignoradas pelos Alemães

Primeiro de junho de 1944. No QG do 15o Exército, situado nas proximidades da fronteira belga, o sargento alemão Walter Reichling permanece imóvel. Está sentado diante de um poderoso aparelho receptor de rádio e escuta atentamente. Através dos fones que tem no ouvido chegam frases ininteligíveis, repetidas em inglês e também em francês. As frases carecem, aparentemente, de sentido:

  • “A chuva cai sem descanso”,
  • “Pedro canta uma canção”,
  • “As crianças dançam e a noite se aproxima”…

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E assim, horas e horas, interminável e incompreensivelmente. Porém, o sargento Reichling sabe que aquelas frases têm importância vital. Sabe que cada uma delas é uma mensagem que significa algo. E sabe que os destinatários daquelas mensagens são os homens da Resistência. Os mesmos homens que aguardam, noite após noite, a mensagem-chave, que lhes indique que a invasão está em marcha…

O relógio marca nove da noite e alguns minutos, quando, de repente, a voz do locutor da BBC diz, em francês: “Agora escutem algumas mensagens pessoais…”

Reichling, imediatamente, põe em funcionamento seu gravador magnetofônico e se prepara para ouvir e gravar as frases. Após uma pausa, a voz do locutor diz:

“Les sanglots longs des violons de 1’automne” (Os longos lamentos dos violinos de outono).

O sargento alemão, como sacudido por uma descarga elétrica, se desprende rapidamente dos seus fones, e abandona a pequena cabina. Corre pelo corredor e, sem bater, penetra na sala do Tenente-Coronel Hellmuth Meyer. – Senhor, eu acabo de captar a primeira parte da mensagem… – grita, nervosamente. Meyer ergue-se, de um salto, e se dirige à cabina de rádio. Ali, junto a Reichling, escuta atentamente a reprodução da mensagem, gravada em fita. Depois, ergue o rosto, respira fundo. Sem dúvida, é a primeira parte da mensagem…

O Tenente-Coronel Meyer, sem perda de tempo, se comunica com o chefe do Estado-Maior do 15o Exército, General-Comandante Rudolf Hoffman. Imediatamente, este transmite o alarma a todo o 15o Exército,

A invasão está chegando, e eles o sabem. Agora falta esperar a segunda parte da mensagem:

“Blessent mon coeur d’une languer monotone” (Ferem meu coração com monótona languidez).

Quando esta frase for irradiada, a invasão será um fato.

Como sabia o comando alemão o texto da mensagem-chave? Talvez nunca se possa saber como chegou às mãos dos alemães, porém o certo é que as duas frases, que os Aliados consideravam um segredo zelosamente guardado, já estavam em poder dos alemães havia algum tempo. E no mês de janeiro de 1944, o Almirante Canaris, na ocasião chefe do serviço de inteligência alemão, informara os chefes dos serviços de escuta que essas duas mensagens significariam, respectivamente, o alerta e o desembarque Aliado na Europa.

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Almirante Canaris

Rommel, contudo, apesar de ter sido posto a par da mensagem e de conhecer o seu significado, não tomou nenhuma medida; o 7o Exército, que defendia a costa da Normandia, não foi colocado em estado de alerta.

Sobre André Luiz!

André Luiz, natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra, - antigo Segunda Guerra.org - escreve sob a expectativa de contribuir com a memória deste trágico conflito e demonstrar mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.

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