Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

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Segunda Guerra Mundial
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O Dia D – Análise do General Bradley sobre a Hora H

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General Bradley

O General estadunidense Bradley esclarece, no fragmento a seguir, alguns dos problemas que incidiam na determinação da Hora H e seus lapsos anteriores e posteriores:

“Na invasão da Sicília havíamos atacado às 08h30m para ocultar nossos movimentos na obscuridade. O assalto contra a Normandia estava calculado para pisarmos em terra ao amanhecer. Consideramos que ao abrir caminho rumo à zona fortificada da França, a potência de fogo compensaria com folgas a falta de camuflagem; achávamos que era melhor sacrificar a aproximação furtiva em benefício de um bombardeio mais intenso e mais preciso.

Colocando a Hora H depois do amanhecer, duplicaríamos a tonelagem com que a aviação “amaciaria” as praias. Durante a escuridão prévia ao amanhecer, os bombardeiros noturnos da RAF deveriam martelar as defesas da costa. Antes que o efeito desse golpe se dissipasse, os bombardeiros médios e pesados dos Estados Unidos atacariam, ao alvorecer, já com luz do dia. Do mesmo modo, a marinha podia utilizar a luz do dia para a observação, com o fim de centralizar o fogo dos seus grandes canhões. Isto era para nós de grande importância, pois o fogo da artilharia naval seria o apoio principal e permanente.

Para tirar maiores benefícios das concentrações de fogo da aviação e da marinha, estabelecemos que a Hora H devia ser fixada não antes de 30 minutos depois de clarear e não depois de uma hora e meia. Se essa hora fosse fixada mais tarde, o inimigo podia recuperar-se dos efeitos dos bombardeios da RAF. Além disso, cada minuto de luz que não fosse indispensável lhe daria ocasião para fazer soar o alarma e trazer reforços.

Somando-se à esmagadora potência aérea e naval aliada, tínhamos a vantagem da escolha do momento e do local do ataque. Enquanto nós preparávamos o assalto, o inimigo não podia fazer outra coisa senão esperar e conjeturar a respeito do lugar sobre o qual cairíamos.

Não podendo prever onde atacaríamos o inimigo foi obrigado a estender suas forças ao longo de 1280 km de costas européias. À medida que ia deixando mais mortos sobre a longa rota de retirada da Rússia, lhe era cada vez mais difícil guarnecer a “Muralha do Atlântico”. Para romper sobre a costa, apenas teríamos que reunir determinados efetivos contra um só ponto da sua linha. Com a potência de fogo de que dispúnhamos nos seria possível abrir uma brecha nessa linha e fazer passar por ela nossas tropas de reforço.

Embora a muralha fortificada do inimigo não pudesse deter um invasor, podia retardar as forças atacantes, permitindo que Rommel fizesse acudir suas reservas. Em realidade, essa era a missão que lhe cabia na “Muralha do Atlântico”. Nela, pensava, nosso assalto perderia impulso e nossas forças se fracionariam de tal modo, que o defensor teria tempo de formar sua reserva e contra-atacar. Quando são utilizadas para cobrir dessa maneira uma reserva móvel, as fortificações de concreto de uma linha defensiva fixa podem ter o valor de muitas divisões. Contudo, se não se dispõe das reservas móveis, toda linha defensiva se torna inútil.

Montgomery havia revelado que Rommel, geralmente, empenhava suas reservas tão rapidamente como as colocava em formação. Se chegasse a comprometê-las em combater nosso rompimento da muralha, poderíamos, derrotando suas forças, evitar o perigo potencial de um contra-ataque”.

Sobre André Luiz!

André Luiz, natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra, - antigo Segunda Guerra.org - escreve sob a expectativa de contribuir com a memória deste trágico conflito e demonstrar mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.

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