Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

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Segunda Guerra Mundial
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O assalto à fortaleza de Eben Emael – Quando 85 Soldados Alemães Dominaram 1200 Soldados Belgas

A Fortaleza de Eben Emael

A fortaleza belga Eben Emael, construída entre 1932 e 1935, está a 24 Km de Liege e a 4 Km de Maastricht. Semelhante a outras fortalezas belgas, a Eben Emael foi construída sob a doutrina francesa que se baseava na construção de fortes fixos. Com este forte, os belgas, intentavam bloquear a passagem do canal Alberto através de quatro pontes: Lanaye (a Sul), Cane (a Norte), Vroenhoven e Veldwzelt. O canal Albert, com ligação a Meuse em Antuérpia, fora terminado em 1939 e era primeira linha defensiva da Bélgica.

ebenemael1 Ironicamente, os trabalhadores na construção da fortaleza eram alemães, e tal fato facilitou os planos para o treinamento da força de ataque germânica.

A fortaleza tinha a forma de um triangulo isóscele e uma área de 75 hectares, com 900 metros de Norte a Sul e 800 de Leste a Oeste. Construída próximo a montanha de Saint-Pierre e com três níveis, onde cada um deles era separado por portas hermeticamente fechadas.

O canal Alberto servia de fosso à fortaleza igualmente aqueles de castelos medievais. E ainda havia outro fosso menor entre o canal e o Bloco II, a partir do qual um fosso anti-carro cercava a fortaleza, com uma muralha de 3m de altura.

A fortaleza tinha a proteção de duas baterias de canhões; a primeira com duas cúpulas (Coupole Nord e Coupole Sud) correspondiam a duas torres giratórias, cada qual com 2 canhões de 75mm, e a segunda constituída pelas instalações Maastricht 1 e 2 e Vise 1 e 2 compreendiam os blocos I, II, IV, V, VI, canal a Norte e canal a Sul. As instalações da segunda bateria eram de 3 canhões de 77 mm. No centro da fortaleza encontrava-se a Coupole 120 com canhões duplos de 120 mm. Os canhões de 120 mm e 75 mm tinham um alcance médio de 17,5 km e 11 km, respectivamente.

A fortaleza possuía também 7 bunkers na muralha anti-carros; contendo em cada, 1 canhão de 60mm, 2 metralhadoras, refletores, lança-granadas e cúpulas blindadas de observação. Sobre a fortaleza havia dois blocos equipados com metralhadoras e refletores: Mid-Nord e Mid-Sud.

ebenemael2Porém, a fortaleza encontrava-se completamente desprotegida, já que não foram construídas trincheiras à superfície e não havia minas nem barricadas de arame farpado na grande área plana da fortaleza. E no caso de um ataque aéreo, a situação de desproteção era a mesma, pois existia apenas uma pequena bateria antiaérea situada a Sul.

Os 17 bunkers estavam unidos por 7 km de túneis, e alojamento para uma guarnição de 1200 homens, que incluíam 500 soldados de artilharia e 200 responsáveis por questões técnicas. No momento do ataque dos alemães, 500 desses soldados estavam na povoação de Wonck, e apenas 700 homens participaram na defesa. A fortaleza era auto-suficiente; com geradores de eletricidade, bombas de água, cozinhas, banheiros, chuveiros, um hospital, depósitos de gasolina e paiol.

 

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Ilustração de como procedeu o ataque surpresa à fortaleza de Eben Emael

O Ataque Alemão

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Tropas Alemãs ocupando a fortaleza

O objetivo alemão era o controle de todas as pontes que cruzavam o canal Alberto, tornando possível um avanço rápido das suas forças. Para isso fariam emprego de planadores para transportar as tropas à fortaleza. Por 6 meses os paraquedistas alemães treinaram em Hildesheim, próximo de Hannover, e depois nos Sudetas, sem saber  do objetivo do treino. Esta unidade foi chamada de Sturmabteilung Koch. Seu comandante seria o primeiro-tenente Rudolf Witzig.  Para o ataque, o grupo foi dividido em 4 grupos: o primeiro, com codinome Stahl (Aço), incluíam 9 planadores e se destinaria tomar a ponte de Veldwezelt. O segundo grupo, com codinome Konkret (Betão) tinha como objetivo tomar a ponte de Vroenhoven. O terceiro grupo, de codinome Eisen (Ferro) incluía 10 planadores e seu alvo era ponte de Canne. O último grupo, de codinome Granit (Granito), era constituído por 11 planadores e 84 sapadores, destinados a tomar a fortaleza de Eben Emael.

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Cenas da batalha pela tomada de Eben Mael

Seriam usadas armas como lança-chamas, granadas, cargas de perfuração e armas ligeiras. O destacamento alemão deslocou dos aeródromos de Ostheim e Butzweilerhof às 04h30min da madrugada do dia 10 de Maio de 1940. Deveriam aterrissar silenciosamente 5 minutos antes das tropas alemãs cruzarem a fronteira. Porém um problema no planador do tenente Witzig fez com chegassem 3 horas mais tarde. No total eram 86 homens em 11 planadores. Os planadores foram soltos a 1800 metros de altura para voar 20 km até o objetivo. Outro grupo de assalto aterrissou em Duren para tomar o Vise 1. Ambos os comandos reagruparam-se mais tarde com as forças de terra e alcançaram o canal Alberto.

As defesas antiaéreas belgas avistaram os planadores às 05h00min da manhã, mas só abriram fogo 20 minutos depois, quando já aterrissavam. A bateria foi capturada imediatamente. O planador 8 atacou o quartel e a Coupole Nord. No momento que ocupantes do quartel eram imobilizados por uma metralhadora, houve uma tentativa de explodir a cúpula com duas cargas de 50 kg de explosivos. E mesmo o aço fora atravessado, ficou trancada e em seguida explodiu com a explosão de uma carga de 12,5 kg de explosivos. O planador 5 atacou o Bloco IV e o planador 3 assaltou Maastricht 1 às 05h30min. Por seu turno, o planador 1 encarregou-se de Maastricht 2, onde foi abatido o general de brigada belga Vertbois. A única fortificação não atacada foi a Vise 2, pois esta somente tinha condição de disparar para Sul.

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detalhe da destruição causada à fortaleza pelo fogo alemão

A cúpula Coupole Sud era a preocupação principal dos alemães. A explosão de uma carga de 50 kg de explosivos não surtiu qualquer efeito. A torre disparava continuamente sobre outros abrigos e à povoação de Eysden. As 09h00min, os alemães deram início a um ataque aéreo com Stukas, mas a torre ainda não sofreu danos (continuou ativa até a rendição da fortaleza). As tropas alemãs decidiram pelo assalto do interior de Eben Emael. As entradas haviam sido estudadas e as instalações ocupadas, mas a artilharia belga bombardeou a área e a infantaria avançou sobre as posições alemãs no bosque. Somente com o apoio aéreo dos Stukas que as forças alemãs superaram os ataques da 7ª Divisão Belga. As tentativas por parte do exército belga de reprimir as forças germânicas não tiveram êxito (ataques que vinham dos fortes de Pontisse, Barchon e Evegnée).

As 07h00min da manhã do dia posterior, o batalhão de Engenheiros 51 atravessou o canal e uniu-se aos pára-quedistas que ocupavam as pontes de Veldwezelt e Vroenhoven. Aproximou-se do Bloco II, que quando capturado deixaria o lado norte da fortaleza indefesa. Já haviam detonado cargas na cúpula com 50 e 12,5 kg de explosivos, então o sargento Portsteffen abriu o ataque com um lança-chamas e o 3º grupo de divisões Panzer tomaram a direção de Tongres. detonaram explosivos contra a troneira, o que deu condição a outros grupos de aproximarem-se pelo lado Oeste. Os restantes abrigos, a Coupole Sud, Canal Nord e Sud cessaram fogo logo após as 12h30min do dia 11 de Maio. Soou uma trombeta e surgiu um soldado belga portando uma bandeira branca na entrada do Bloco I. Foi o fim da batalha. Uma fortaleza imponente que resistiu somente 36 horas. A batalha ceifou a vida a 6 soldados alemães e feriu outros15, e pelo lado belga foram 23 baixas, 53 soldados feridos e cerca de 600 prisioneiros nos campos de Fallingbostel, na Alemanha. Mediante a esta operação, as tropas alemãs neutralizaram Eben Emael e preservaram duas pontes intactas no canal Alberto, além de impulsionar o avanço alemão pelo território belga.

 

As condecorações de Hitler

O tenente Witzig foi promovido a capitão e Hitler condecorou pessoalmente as tropas da força de assalto. Os alemães fizeram da fortaleza, oficina e quartel. Dos seis geradores abrigados em Eben Emael, cinco foram transferidos para a Muralha do Atlântico – o gerador deixado na fortaleza funciona até os dias atuais.

Rudolf Witzig - O assalto à fortaleza de Eben Emael -  Quando 85 Soldados Alemães Dominaram 1200 Soldados Belgas
Rudolf Witzig, então tenente, comandou o ataque e foi promovido a Capitão. Chegou ao posto de Coronel em sua carreira militar. Falecendo em 2001.

 

A perda da fortaleza para os Aliados

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Tropas belgas se rendendo aos soldados alemães

Os canhões danificados não foram reparados, fato que os estadunidenses não sabiam quando a fortaleza foi recuperada pela 30ª Divisão de Infantaria em Setembro de 1944.

Às 19h30min do dia 10 de Setembro de 1944, o 3º Batalhão Aliado chegou à fortaleza abandonada. À 00h00min estava nas mãos das tropas dos Estados Unidos. Souberam, então, que 6 oficiais alemães e cerca de 300 soldados abandonaram o forte. Eben Emael teve o seu último papel na guerra dos canais do rio Mosella. Era imprescindível capturar as represas intactas, pois se os alemães as explodissem, as inundações resultantes enfraqueceriam o flanco direito Aliado.

Às 17h15min do dia 11 de Setembro, uma equipe chegou ao canal atravessando um dos túneis da fortaleza, e capturaram as represas sem danificá-las. Por não ter havido luta na tomada da fortaleza em 1944, a mesma permanece como era em 1940. Atualmente há campos de cultivo onde anos antes as tropas alemãs detonaram explosivos para conquistar a mítica fortaleza belga de Eben Emael.

 

A fortaleza foi transformada em atração turística e pode ser visitada por quem for até a Bélgica.
Site oficial: http://www.fort-eben-emael.be/

Mais imagens de Eben Emael

Sobre André Luiz!

André Luiz, natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra, - antigo Segunda Guerra.org - escreve sob a expectativa de contribuir com a memória deste trágico conflito e demonstrar mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.

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