Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

Segunda Guerra Mundial

Max Wolf, um suicida?

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Por Daniel Wachholz” <danielwachh@gmail.com>

Ainda sobre Max Wolff, comentei que o autor do livro “Os Soldados Alemães de Vargas”, Dennison de Oliveira, faz alusão a um comportamento de tendência suicida, o que teria levado o famoso herói da FEB a ser abatido em patrulha.
Destacarei, a seguir, alguns trechos nos quais ele se apóia para reforçar essa visão.
Segundo o autor, Leonércio Soares teria transcrito estas palavras do próprio Max Wolff:

“Na verdade, sempre andei caçando perigos… e vim à guerra à procura da morte, como já confidenciei a você. Depois que me vi abandonado pela mulher que amava, a vida perdeu todo o interesse para mim. No posto de comando do Batalhão eu me encontrava, praticamente, sem função; daí eu tive que inventar alguma coisa… e o que estou fazendo… é aliviar vocês de tantas patrulhas… das missões mais arriscadas!”
João Germano Andrade Pontes, CMT da Seção de Morteiros da Cia de Petrechos Pesados do 1º Batalhão do 11º RI, que apoiou a derradeira patrulha de Wolff, diz que, neste caso, “faltaram-lhe as precauções para cumprir a missão. Ele saiu à frente do seu Pelotão e, quando abordou a elevação, foi metralhado e morto, ali mesmo”.
Octávio Pereira da Costa, oficial da Seção de Inteligência do mesmo Batalhão, “também associa o perfil psicológico problemático de Wolff com sua bravura”. Dizia ele:
“Havia problemas familiares não só em relação à mãe, que o levava a não considerar o pai como tal, porque ele não tinha procedido bem com relação a ela, fazendo-o transferir esse drama de família para o alemão. Ele os atacava com garra, havendo, creio eu, correlação com sua vida pessoal. Quanto ao seu matrimônio, também, existia algo. A impressão que me passava é que, além de ser um extraordinário combatente, um soldado exemplar, ele se comportava, por motivações outras, quase como um suicida.”

Segundo o Sd Oudinot Willadino, do 3º Batalhão do 6º RI, comentava-se, “em tom de brincadeira, claro, que o Max queria morrer, que ele era temerário”, referindo-se a esta última patrulha, em plena luz do dia. Segundo o Manual do Curso Básico de NPOR, de 1995, as patrulhas de reconhecimento devem ser realizadas, preferencialmente, de noite, de modo a diminuir os riscos. Conforme o Sd Florisvaldo Pereira, Wolff tinha “muita cautela conosco e pouca com ele mesmo”.

Ainda sob este aspecto, o Coronel Adhemar Rivermar de Almeida classificou como uma “temeridade, um sacrifício de vidas” o fato de que “as patrulhas foram lançadas de dia”, acrescentando, ainda, que “assim também pensava Wolff”.

O Tenente Iporan, CMT de outra patrulha, retraiu seu grupo quando teve contato com o inimigo na Cota 747, pois havia estabelecido contato com o inimigo, objetivo de ambas as patrulhas. O Cel. Almeida compara as duas patrulhas:
“O reconhecimento comandado pelo Tenente Iporan, tendo podido ser conduzido mais cautelosamente, livre da exibição teatral dada a WolfF”
A atitude de Max colocou não só o seu grupo em risco, agora sem comando e tomada, segundo Octávio, pela “doidice santa de seus liderados” e sob fogo da artilharia alemã, como todo o pelotão esteve na iminência de ser destruído ou capturado.

O autor do livro não pretende encerrar a discussão em torno das circunstâncias que levaram Max a ignorar todos estes riscos e perigos, mas propor a hipótese de que tal desassombro e desapego da vida, características que levaram Wolff à morte, teriam raízes em seu comportamento “suicida”. Para isso, ele se cercou de inúmeros e valiosos depoimentos de veteranos da FEB.

A meu ver, Dennison acerta na teoria e lança luz às razões que levaram Max Wolff a encabeçar as missões “suicidas”, como seus pares as categorizavam.

Sobre André Luiz!

André Luiz, natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial.

Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra, – antigo Segunda Guerra.org – escreve sob a expectativa de contribuir com a memória deste trágico conflito e demonstrar mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.

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6 comentários

  1. Jorge de Salles Cunha

    Parabenizando-o pelo site, gostaria de consignar também um elogio pelo excelente aspecto visual, oportunidade e apresentação dos tópicos. A saga do herói da FEB, Sgt Max Wolff, muito me atrai. Suicida ou não, ele é um herói. Relembrando as dezenas de histórias de outros heróis, brasileiros e estrangeiros, mortos ou sobreviventes, daquela guerra, creio que todos os relatos possuem este ponto comum, que é a ação suicida, o desassombro, a temeridade. Relatos como os de Otto Skorzeny, Johnnie Johnson, Hans Joachim Marseille, Saburo Sakai, Max Guedj, Audie Murphy, Rui Moreira Lima e tantos outros, todos remetem à atitudes quase suicidas! Se o Sgt Max Wolff era um suicida em potencial, ele estava no lugar certo: a guerra! Ele é para mim um dos maiores heróis brasileiros de todos os tempos. A atitude suicida não o diminue e nem macula sua reputação, apenas o coloca num patamar diferente, o dos heróis que não voltaram.
    Essa minha admiração tem se materializado sob a forma da tentativa de realizar um retrato dele sério. Como ilustrador, consegui fazer um esboço de seu rosto de frente, sem o leve sorriso exibido, enigmático até, mostrado em todas as fotos que já vi. Aproveito então, este comentário para pedir se existe alguma outra foto pouco conhecida do Sgt Max Wolff? Pediria adicionalmente, caso positivo, o envio de cópia para o meu e-mail fornecido. Agradeço antecipadamente.
    Atenciosamente,
    Jorge Cunha

  2. Paulo César Soares

    Anos atrás conheci o Sr. Alfredo Bertoldo Klas que foi 1ºTenenteR/2 da Força Expedicionária Brasileira atuando na 1ª Cia do 11º Regimento de Infantaria de montanha de São João Del Rei, escreveu dois livros onde descreve com fidelidade a batalha de Guanella e o massacre dos 17 de Abetaia. Os livros são:”A Verdade sobre Guanella” e “A Verdade sobre Abetaia”.
    Perguntei a ele sobre o Sargento Max Wolf e ele me disse que conversou com o Sargento varias vezes e que foi um dos últimos a falar com ele antes da sua morte naquela patrulha.
    Ele me disse que o Sargento estava muito deprimido e sofrendo por amor, disse que Sargento se arriscava muito em suas missões mais era muito cuidadoso e preocupado com a segurança dos seus comandados.disse também que a missão em que o sargento morreu era uma missão suicida devido as circunstancias do horário e da geografia do terreno a ser patrulhado.
    Outra coisa que ele me falou é que ele pretendia visitar o 20º Batalhão de infantaria Blindado de Curitiba que leva o nome do Sargento, para contar a história da morte dele e dizer que os ossos que estão no tumulo do sargento não são dele pois o corpo dele nunca foi encontrado.

    Fiquei muito triste anos atras quando fui a Curitiba e aproveitei o tempo livre para ir ao Museu do Expedicionário. entrei no museu junto com uma turma de alunos e junto com eles tinha uma professora ou guia do museu não me lembro.
    O fato é que ela os levou para a sala que homenageia o Sargento Max Wolf e eu acompanhei aqueles alunos no intuito de aprender algo junto com eles e acabei ouvindo coisas que eu preferia não ter ouvido.
    Ela disse que Max Wolf era um boemio de uma familia importante do Rio de janeiro e que foi obrigado a ir a guerra para recuperar a honra da familia devido a varios escandalos causados por Max Wolf nas noites do Rio. Eu fiquei impressionado com aquilo pois sei que o Sargento é um Herói e não aquele monte de absurdos que aquela moça “ensinou” aquelas crianças, Aquela moça deveria ler o livro “O Paraná na FEB” para conhecer a história do grande homem que foi Max Wolf Filho.

    Na época contei esta história ao amigo Ricardo Lavechia e ele me convidou a procurarmos saber quem era aquela moça e avisarmos aos administradores do museu.
    Hoje me arrependo de não ter feito nada a respeito.

  3. Sou professor de História e sempre levo meus alunos ao Museu do Expedicionário. Quando chego na sala destinada ao Max Wolf procuro fazer com que façam uma reflexão sobre a missão suicida da patrulha, alertando-os sobre os problemas emocionais que envolvem os personagens, mas jamais denigrindo a imagem do sargento, mesmo já tendo ouvido muitas coisas, que por não terem respaldo histórico não comento. Procuro enaltecer a façanha do herói, neste Brasil tão carente, à colocar a sua integridade moral em discussão, na frente de meus alunos.

  4. No comentário acima, por erro de digitação, saiu denigrindo, enquanto que o correto é denegrindo.
    Aproveito o momento para lançar um apelo. Não difamem, como fizeram com o sargento Max a enfermeira da FEB Virginia Leite, falecida recentemente. Que ela não caia no esquecimento, pois era uma pessoa atuante no Museu do Expedicionário, e detentora de muitos relatos da 2ª Guerra Mundial.

  5. EYRIMAR FABIANO BORTOT

    O pouco que sei, é que ele recebeu essa missão, aceitando – a como voluntário, ele não a inventou e não a cumpriu sobre pretexto pessoal. Ele cumpriu o principio miiltar básico e fundamental: hierarquia e disciplina. Se seu problema pessoal pode até ser relevante para o fato, isso não posso sobrepõem a sua obediência a uma ordem e morrer por ela como fiel “voluntário”. Pessoas voluntárias e capazes, existem em guerra ou não, são sim uma minoria e na guerra seu heroismo é fato.

  6. O oficial é o primeiro homem a frente da tropa,pois sera o primeiro a chegar e o mais experiente de todos e por isso pode dizer aos outros oque fazer. e por isso que as empreitadas anteriores do sgt foram bem sucedidas..ele e um heroi na minha cidade e motivo de orgulho e inspiração assim como tantos outros “irmãos de armas” que deram suas vidas pela nossa liberdade e que são desvalorizados por livros e filmes que no brasil exaltam somente os corruptos e os bandidos…

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