Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

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Katyusha, a arma soviética que aterrorizou os alemães na Segunda Guerra

Katyusha, o sistema de lançamento múltiplo de foguetes da União Soviética

Katyusha, uma das armas mais impressionantes empregadas na Segunda Guerra Mundial, consistia em uma série de foguetes lançados de uma plataforma fixada sobre um caminhão militar.

foi a primeira arma de artilharia motorizada produzida em massa pelos soviéticos.

Uma equipe de artilharia Katyusha, geralmente era composta por 4 caminhões-lançadores, 2 caminhões de munição e 2 caminhões de apoio.

Cada plataforma podia equipar-se com 14 a 48 lançadores – que carregavam 1 foguete cada.

O foguete M-13, o mais utilizado, do sistema de lançadores BM-13, possuía 80 cm de comprimento, 13.2 cm de diâmetro e pesava 42 kg.

katyusha

Era uma arma menos precisa em comparação as demais opções da artilharia, porém isso era compensado com o excessivo poder de fogo, causado por diversos foguetes caindo sobre o alvo quase que ao mesmo tempo.

Uma bateria de 4 lançadores BM-13 poderia disparar uma salva de tiros entre 7 a 10 segundos, que lançavam sob o alvo cerca de 4,35 toneladas de explosivos, o que equivalia, aproximadamente, o poder de fogo de 72 armas de artilharia convencionais. 

Outra grande vantagem do Katyusha, era a possibilidade de se deslocar rapidamente do ponto de disparo, impedindo que o inimigo retalhasse com fogo de artilharia. Além de que o custo para produção era bem mais barato que as armas de artilharia convencionais.  

A desvantagem, no entanto, era o elevado tempo para remuniciar as baterias.

katyusha rocket - Katyusha, a arma soviética que aterrorizou os alemães na Segunda Guerra
Baterias de Katyusha em operação

 

O nome Katyusha

O nome veio da famosa canção soviética que narrava a história de uma jovem russa, chamada Katyusha – um diminutivo para Katarina.

Era chamado de “Órgão de Stalin”, pelas tropas alemãs, que temiam muito a arma devido ao estrago que ela causava.


A música que originou o apelido para o Sistema de lançadores de Foguetes (vale assistir o vídeo, pela interpretação da garota)

 

A Produção do Katyusha

Em junho de 1938, o governo soviético solicitou o desenvolvimento de um lançador múltiplo para foguetes RS-132.

Diversos protótipos foram construídos usando foguetes M-132, que eram fixados sobre caminhões ZIS-5. Porém, nenhum desses protótipos eram estáveis, e por isso, chegou-se ao BM-13, um lançador específico para foguetes M-13.

Katyusha Posto à Prova

O primeiro teste em grande escala desses lançadores, aconteceu no final de 1938, quando foram disparadas 233 saraivadas. 

Uma única salva de foguetes poderia destruir completamente um alvo a uma distância de 5.500 metros. 

Apesar desse potencial destrutivo, as equipes de artilharia não gostavam do Katyusha, pois era preciso até 50 minutos para carregar e disparar cerca de 24 vezes, enquanto que um morteiro convencional podia disparar de 95 a 150 vezes, nesse mesmo período de tempo. 

Apenas 40 lançadores foram construídos antes de a Alemanha invadir a União Soviética, em junho de 1941. 

O Katyusha era barato e poderia ser fabricado em instalações industriais leves que não possuíam equipamentos mais complexos, necessários para construção de armas de artilharia tradicionais. 

No final de 1942, 3.237 lançadores Katyusha de todos os tipos haviam sido construídos, e até o final da guerra, a produção total chegou a cerca de 10.000 unidades.

 

Katyusha - Katyusha, a arma soviética que aterrorizou os alemães na Segunda Guerra

1- Trilhos de foguetes

O BM-13 possuía uma plataforma com trilhos paralelos, cada um carregando 2 foguetes. O lançador era erguido em posição de tiro e era direcionado ao alvo usando os mesmos instrumentos de cálculo da artilharia convencional. Um dos membros da equipe, na cabine do caminhão, disparava os foguetes.

2 – Adaptável

O lançador do BM-13 poderia ser montado sobre qualquer chassi de caminhão. O modelo americano Studebaker US6 – na figura – foi o caminhão mais comum, sendo mais de 50% de todos os BM-13 produzidos até 1945.

3 – Dardos Mortais
O foguete M-13 era estabilizado por barbatanas que poderia carregar uma ogiva de 4,5 Kg por quase 8 Km.
4 – Nada estético
As unidades de artilharia soviéticas não usavam um sistema de numeração ou rotulação universal, por isso a maioria das unidades pintavam seus veículos em cores escuras e foscas, sem marcações exclusivas.

Variantes do Katyusha

Os sistemas de mísseis soviéticos na Segunda Guerra Mundial foram nomeados de acordo com o padrão:

  • BM-xy (nomes usados ​​para veículos terrestres)
  • MXY (nomes usados ​​para reboques e trenós de arrasto)
  • YMX (nomes usados ​​para marinha)

Onde:

  • x é o modelo do míssil.
  • y é a capacidade de lançamento dos trilhos / tubos.

Sendo assim:

BM-8-16 era um veículo que disparava 8 mísseis e possuía 16 carris. 

BM-31-12 era um veículo que disparava 31 mísseis e possuía 12 tubos de lançamento. 

Nomes curtos, como BM-8 ou BM-13, também foram usados. Nesse caso, o número de trilhos de lançamento / tubos não são indicados. Tais nomes descrevem lançadores únicos, não importando sobre quais veículos estão montados. 

Em particular o modelo BM-8-24 possuía algumas variantes:

ZiS-5 – Montado sobre um Caminhão
T-40 – Montado sobre um tanque
STZ-3 – Montado sobre um trator 

Todos eles tinham o mesmo nome: BM-8-24

Havia outras variantes montadas em diversos veículos diferentes

O conjunto típico de veículos para esses sistemas de mísseis era o seguinte:

ZIS 5 in Technical museum - Katyusha, a arma soviética que aterrorizou os alemães na Segunda Guerra
ZIS-5 (caminhão)
Katyusha launcher rear - Katyusha, a arma soviética que aterrorizou os alemães na Segunda Guerra
ZIS-6 (caminhão)
GAZ AA  - Katyusha, a arma soviética que aterrorizou os alemães na Segunda Guerra
GAZ-AA (caminhão)
800px Katusha BM 13 STZ 5 NATI - Katyusha, a arma soviética que aterrorizou os alemães na Segunda Guerra
STZ-5 (trator)
T40 BM 8 24 Katyusha - Katyusha, a arma soviética que aterrorizou os alemães na Segunda Guerra
T-40 (tanque)
studerussia2 - Katyusha, a arma soviética que aterrorizou os alemães na Segunda Guerra
Studebaker US6 (caminhão)
  • Vagão de trem blindado
  • Barco 
  • Trenó Auto-rebocado
  • Trailer Auto-rebocado
  • Mochila (variante portátil, chamado “Katyusha de montanha”)

 

 Exemplos de de veículos e Foguetes

BM 13 ZIS 6 bp 1 - Katyusha, a arma soviética que aterrorizou os alemães na Segunda Guerra
BM-13 sobre caminhão ZIS-6
BM 8 36 bw1 - Katyusha, a arma soviética que aterrorizou os alemães na Segunda Guerra
BM-8-36 de  82mm
BM 8 36 pic1 - Katyusha, a arma soviética que aterrorizou os alemães na Segunda Guerra
BM-8-36 de 82mm
BM 8 48 bw1 - Katyusha, a arma soviética que aterrorizou os alemães na Segunda Guerra
BM-8-48 sobre caminhão Studebaker US6
 
BM 8 48 - Katyusha, a arma soviética que aterrorizou os alemães na Segunda Guerra
BM-8-48 sobre caminhão Ford-Marmon
 
GMC CCKW252 - Katyusha, a arma soviética que aterrorizou os alemães na Segunda Guerra
Katyusha sobre caminhão GMC CCKW252
 
BM 31 12 300mm - Katyusha, a arma soviética que aterrorizou os alemães na Segunda Guerra
BM-31-12 de 300mm
 
BM 13 based on STZ 5 NATI - Katyusha, a arma soviética que aterrorizou os alemães na Segunda Guerra
BM-13 sobre trator STZ-5 NATI

 Ainda houve uma versão
experimental KV-1K,
montado sobre tanque KV-1
que não foi colocado em serviço.

 

Os Foguetes Usados no Sistema de lançamento Katyusha

foguetes sovieticos ww2 - Katyusha, a arma soviética que aterrorizou os alemães na Segunda Guerra
Os modelos de foguetes utilizados pelos soviéticos na Segunda Guerra Mundial

Katyusha em Combate

Os lançadores múltiplos de foguetes era um projeto ultrassecreto no início da Segunda Guerra Mundial. Uma unidade especial da NKVD  foi criada para operá-los. 

Em 14 de Julho de 1941, uma bateria de artilharia experimental contendo 7 lançadores foi utilizado pela primeira vez em campo de batalha, em Orsha,  Vitebsk, província de Montenegro, sob o comando do Capitão Ivan Flyorov.

O ataque destruiu uma concentração de tropas alemãs de tanques e outros veículos blindados, causando enormes baixas ao inimigo e seu recuo, abandonando a cidade, em pânico.

Após o sucesso, o Exército Vermelho treinou novas unidades para operar o Katyusha. Cada bateria era composta por 4 lançadores.

Katyusha2 - Katyusha, a arma soviética que aterrorizou os alemães na Segunda Guerra
Artilheiros municiando um sistema de lançador Katyusha

Em 8 de agosto de 1941, Stalin ordenou a formação de 8 regimentos sob o controle direto da RVGK. 

Cada regimento possuía 3 batalhões com 3 baterias, totalizando 36 lançadores BM-13 ou BM-8.

Unidades independentes desses batalhões também foram formados, compreendendo 12 lançadores em 3 baterias com quatro cada. 

Até o final de 1941, havia 8 regimentos, 35 batalhões independentes e duas baterias independentes em serviço, respondendo a um total de 554 lançadores. 

katy01 - Katyusha, a arma soviética que aterrorizou os alemães na Segunda Guerra

Em junho de 1942, novos batalhões foram formados para operar os novos M-30, que consistia em 96 lançadores divididos em três baterias. 

Em julho, mais um batalhão de BM-13 foi adicionado à criação de um corpo de tanque.  

Em 1944, o BM-31 foi utilizado por batalhões motorizados com 48 lançadores. 

No final de 1942, 57 regimentos estavam em serviço, juntamente com os batalhões independentes menores, o que equivalia a 216 baterias: 21% lançadores leves BM-8, 56% BM-13 e 23% com lançadores pesados M-30. 

Até o final da guerra, 518 baterias estavam em serviço. 

Referências

  • Porter, David (2009). The Essential Vehicle Identification Guide: Soviet Tanks Units 1939–45. London: Amber Books. pp. 158–165. ISBN978-1-906626-21-1.
  • Zaloga, Steven J.; James Grandsen (1984). Soviet Tanks and Combat Vehicles of World War Two. London: Arms and Armour Press. pp. 150–54. ISBN0-85368-606-8.

Sobre André Luiz!

André Luiz, natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra, - antigo Segunda Guerra.org - escreve sob a expectativa de contribuir com a memória deste trágico conflito e demonstrar mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.

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