Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

Segunda Guerra Mundial
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Isaac de Souza – Soldados da FEB – Veterano da Segunda Guerra

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Colorização Reinaldo Elias – rjelias2000@yahoo.com.br
  • Dados

Nome: Isaac de Souza
Nascimento: 27/04/1920
Cidade: Santo Antônio de Pádua
Estado:RJ
Regimento: 1º Regimento de Infantaria
Companhia:
Posto: Soldado
Embarque: 22/09/1944 – 2º Escalão
Retorno: 22/08/1945

isaac2 200x300 - Isaac de Souza - Soldados da FEB - Veterano da Segunda GuerraHistória : Isaac de Souza nasceu no dia 27/04/1920 e, com 6 meses de idade, foi trazido por seus pais, Olímpia de Souza e Manoel Luís de Souza, de Santo Antônio de Pádua (RJ) para Carabuçu, distrito de Bom Jesus do Itabapoana, onde passaram a morar em um casarão localizado na região conhecida como Vala. Foi ali que Isaac residiu a maior parte de sua vida. Teve 10 irmãos do primeiro casamento de seu pai e 4 do segundo casamento, após a viuvez deste.

Isaac estudou com a professora Conceição, contratada por seu pai. As aulas ocorriam no próprio casarão da família, no período noturno, para não prejudicar o trabalho na lavoura.

Casou-se com Iná Braga de Souza, nascida em Itaperuna (RJ), no dia 27/7/1930. Iná é filha de João Batista da Silva Braga, oriundo de São Sebastião do Alto (MG), e Anna de Freitas Penna, de Comendador Venâncio, distrito de Itaperuna (RJ).

Iná Braga de Souza: viúva do herói bonjesuense
Seu pai mudou-se para Carabuçu, devido à prosperidade do distrito, estabelecendo ali um comércio.

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Iná Braga de Souza: viúva do herói bonjesuense

O casal teve cinco filhos: Eulina, Humberto, Eliane, Oduvaldo e Telma.Segundo Iná, os pais de Isaac “vieram de Pádua para Carabuçu por causa da fartura, para se dedicarem à exploração de madeira. Posteriormente, o distrito passou a se dedicar ao plantio do café, trazendo muita riqueza para a região.”

Isaac foi chamado a servir ao Exército quando tinha 21 anos de idade. De acordo com Iná, “naquela época, convocava-se para o Exército através de cartas. Assim que o Brasil entrou na 2a Guerra Mundial, Isaac embarcou em navio para a Itália, onde permaneceu por um ano, totalizando 3 anos no serviço militar”.

No navio que levou os pracinhas à Itália, Isaac recebeu um manual para a viagem e etiquetas para as refeições.

Segundo Eulina, “foram 13 dias de viagem, e a comida era, em geral, enlatada, por ser fácil de ser manuseada“.

Na Itália, Isaac de Souza permaneceu por cerca de um ano, participando, contudo, dos enfrentamentos por cerca de 11 meses.

De acordo com Eulina, “meu pai não tinha vício. Como os cigarros norte-americanos eram distribuídos para a tropa, ele acabava vendendo os cigarros que eram destinados a ele e mandava o dinheiro para meu avô, que acabou comprando, com esse dinheiro, uma junta de boi”.

Vários foram os episódios de guerra contados por Iná e seus filhos.

Um deles é relatado por Oduvaldo: “Meu pai, certa vez, estava em um jeep dirigido por um amigo. Quando viram o avanço das tropas inimigas, resolveram entrar numa grande casa abandonada. Ocorre que houve, repentinamente, uma explosão de granada, que fez com que a parede caísse sobre o amigo, matando-o. Passado o perigo, meu pai puxou o corpo pela mão do amigo morto, colocou-o nas costas e levou-o para enterrá-lo em local adiante”.

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Isaac de Souza (direita) foi fotografado, na Itália, para a revista Cruzeiro, disparando morteiro contra as forças alemãs

Outro fato lembrado por Oduvaldo ocorreu por ocasião de uma trégua. “Hermógenes Monteiro, um negro, que era de Carabuçu, e cujo nome não se encontra na placa em frente à Prefeitura Municipal, acabou sendo ferido no peito”. Segundo os familiares, “os pracinhas brasileiros não tinham muita técnica, mas possuía inteligência. Para que eles tivessem assistência de remédios e alimentos, durante os combates, e considerando que havia muita neve na região, eles vestiram um burrinho de branco para levar tudo o que eles necessitavam para o acampamento, sem que pudesse chamar a atenção dos alemães”.

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Isaac de Souza (direita) e amigo

Conta Iná que “em Roma, Isaac e seus companheiros visitaram o papa Pio XII, sendo todos abençoados por ele. Isaac era 2º Tenente. Em Roma, ele costumava subir nas torres das Igrejas, onde estavam protegidos. Ele contou que, certa vez, ao olhar para o rio, observou que as águas ficaram vermelhas do sangue dos alemães.”

Eulina conta um fato ocorrido próximo ao Monte Castelo, onde estavam entrincheirados os alemães. “Quando papai e os demais soldados brasileiros chegaram próximo ao local, era noite e não tinham noção exata de onde se encontravam. Resolveram, então, deitar-se para dormir. Repentinamente, passaram a sentir objetos arredondados encostarem nos seus corpos. Todos os pracinhas ficaram apavorados, porque supunham serem granadas lançadas pelos alemães, que poderiam explodir a qualquer movimento dos brasileiros. Ninguém dormiu a noite inteira, permanecendo imobilizados. Quando acordaram é que observaram que estavam embaixo de uma árvore de maçãs, que caiam e encostavam-se nos corpos dos soldados.”

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Cantil de Isaac de Souza

A Tomada do Monte Castelo levou cerca de três meses, a partir do dia 24 de novembro de 1944. Quatro dos ataques realizados pela Força Expedicionária Brasileira (FEB) foram rechaçados pelas forças alemãs, causando grande número de perdas de soldados brasileiros. Apenas no dia 21 de fevereiro de 1945 a FEB conseguiu conquistar o Monte Castelo, sua mais importante vitória.

Passada a euforia com a vitória na 2ª Guerra Mundial e o retorno dos pracinhas ao Brasil, os sonhos viraram pesadelos.

Para se conseguir a reforma (aposentadoria), os pracinhas teriam de se internar em um Hospital Militar para realizarem diferentes exames e avaliações.

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Isaac e outros pracinhas em uma das operações de Guerra

Isaac internou-se no Hospital Militar juntamente com os seguintes soldados: João Batista de Aguiar, Florentino P. Vantuil (Cachoeiro de Itapemirim), Argemiro Caetano de Oliveira (MG), Pio Romão (Cuiabá) e Fernando Cruz (Belo Horizonte)

A tão almejada reforma, contudo, só passou a ser automática após 25 anos do fim da Guerra. A reforma de Isaac foi publicada no Diário Oficial no ano de 1969.

Após a tomada do Monte de Castelo, Isaac de Souza e seus colegas pracinhas se regozijaram imensamente com a vitória e, ainda mais, com o retorno ao Brasil.

Uma das relíquias que a família de Isaac de Souza possui é um mapa sobre a 2ª Guerra Mundial feito à mão, contendo as imagens dos seguintes generais: Gal. João Battista Mascarenhas, Gal. Euclides Zenobio da Costa, Gal. Olímpio Falconiere da Cunha e Gal. Osvaldo Cordeiro de Faria.

Ao chegarem ao Brasil, foi grande a festa para recebê-los.

De acordo com Iná, “em Carabuçu, o povo se reuniu para aclamá-los. Houve uma festa com os familiares e amigos, banda de música e fotos de artifício. Foi um momento especial na antiga Vila da Liberdade.”

Fonte: http://onortefluminense.blogspot.com.br/search?q=isaac

Sobre Ricardo Lavecchia

Ricardo Lavecchia tem 35 anos, nascido no dia 22/01/1982. Natural de Santo André – SP Trabalha como vedendor, desenhista nas horas vagas, sempre procurou novas idéias em imagens de livros e jornais, e foi numa dessas buscas que descobriu outra paixão: A Segunda Guerra Mundial. Tinha, então, 18 anos e se deparou com o livro: "Crônicas de Guerra - Com a FEB na Itália" de Rubens Braga. Ao invés de apenas escolher uma imagem para desenhá-la, resolveu ler o livro. O fascínio pelo assunto o tomou por completo. Em suas pesquisas sobre o tema, descobriu não só relatos de guerra, mas amizades sinceras de veteranos, como o Sr. Antônio Cruchaki, veterano do 9º BEC e o falecido Capitão Rocha da Senta a Pua. E-mail: ricardo @ segundaguerra.net

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