Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

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História da Segunda Guerra – O Nazismo e o Paganismo

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Representação Artística do deus nórdico Wotan

Foi através do nazismo que ocorreu no século XX a mais importante manifestação do paganismo. O livro: “Nazismo: um assalto à civilização”, lançado nos Estados Unidos em 1934, traz em suas páginas uma passagem curiosa: no dia 30 de Julho de 1933, havia mais de 100.000 nazistas reunidos em Eisenach para declarar o desejo de tornar “a origem germânica a realidade divina”, reintegrando Odin, Baldur, Freia, e os outros deuses teutônicos nos altares da Alemanha – Wotan deveria estar no lugar de Deus, Siegfried no lugar de Jesus.

No ano de 1936, os líderes nazis passam a abandonar a “cristandade alemã” ou o que também era chamado de “cristianismo positivo”. Então Goebbels apresenta o Nazismo como sendo uma religião a ser respeitada – havia uma nova fé alemã a defender.

Von Schirach instruía a Juventude Hitleriana a admirar as antigas tribos pagãs. o Movimento da Fé Germânica (Deutsche Glaubensbewegung, DGB) fazia o grosso da propaganda. O DGB tinha como profeta Jakob Wilhelm Hauer (1881-1962), professor de Teologia em Tübingen, que pregava o ideal de uma fé ariana dos alemães. No livro Deutsche Gottschau, o profeta ariano afirmava que a história da Alemanha era mais do que mera seqüência de fatos, havendo na sua base uma Divindade que encarnava o espírito da raça ariana.

A Páscoa de 1936 foi preparada na Alemanha como sendo um grande festival pagão. As livrarias foram abastecidas grandemente com literatura pagã, e a bandeira azul com o disco solar dourado do “Movimento da Fé Germânica” (DGB) chegou às mais recônditas zonas rurais. Uma grande manifestação foi organizada em Burg Hunxe, na Renânia.

No Congresso de Nuremberg, em 1937, era revivido entre os nazistas o paganismo ancestral do povo ariano, havendo um místico laicismo como um dos tópicos centrais em discussão: “para que a Alemanha tornasse à sua antiga fé, não era suficiente a separação da Igreja e do Estado; as Igrejas cristãs precisavam ser destruídas, e o Estado transformado numa nova Igreja. Impunha-se uma nova religião Nacional.

O ano de 1938 foi um dos pontos mais altos de manifestação dessa nova religião pagã. No festival nórdico do Solstício de Verão, Julius Streicher, diretor do Strümer e amigo de Hitler, diante de uma grande multidão de alemães em Hesselberg (montanha a qual o Führer declarou sagrada), e ao lado de uma grande fogueira simbólica, disse: “Se fixarmos nossos olhares para as chamas deste fogo sagrado e nelas lançarmos os nossos pecados, poderemos descer desta montanha com as nossas almas limpas. Não necessitamos de padres nem de pastores”.

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Julius Streicher

Este neopaganismo romântico, criado pela ação dos responsáveis e órgãos nazistas, entrava em embate com as igrejas cristãs, protestantes e católicas. Em 1938, após as perseguições aos judeus que vinham desde a subida ao poder de Hitler, a perseguição aos cristãos passava então também a ser sistemática.

Mais tarde, ao fazer estudo do fenômeno totalitário, o filósofo Herbert Marcuse encontra na ideologia do nazismo diversas camadas sobrepostas, considerando precisamente o paganismo, a par do misticismo, racismo e biologismo, uma das componentes essenciais da sua “camada mitológica”.

A perspectiva de Marcuse foi compartilhada pela “Escola de Frankfurt”, especialmente por Max Horkheimer e Erich Fromm. Segundo Paul Tillich, no paganismo do nazismo havia o elemento essencial que explicava o seu anti-semitismo, no enfoque posto nos “laços de sangue arianos”. Para Emmanuel Levinas, o Nazismo apresentava uma forma de religiosidade pagã que se opunha a toda uma civilização monoteísta

Sobre André Luiz!

André Luiz, natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra, - antigo Segunda Guerra.org - escreve sob a expectativa de contribuir com a memória deste trágico conflito e demonstrar mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.

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1 comentário

  1. É impressionante como Hitler e os membros do nazismo tinham poder sobre as pessoas. Não entro nos méritos da guerra, porque todos sairam perdendo, e vidas foram roubadas; mas o Partido Alemão era um força para atrair o povo, fazer com que um país acredite numa nova religião, é uma coisa de se espantar.

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