Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

Segunda Guerra Mundial
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História da Segunda Guerra – O Inicio – Parte III

Aproximando-se da URSS

Hammer_and_sickleO Führer considerava a Rússia um futuro campo para a expansão germânica e sabia que, em longo prazo, seria inevitável uma guerra de invasão. Porem, no momento, suas preocupações voltavam-se para a Polônia. Ele desejava evitar um conflito generalizado com a Franca, a Inglaterra e a URSS, o que certamente colocaria a Alemanha num confronto temido pelo Estado-Maior: a guerra em duas frentes.

Para estabilizar a situação na Europa Oriental, Chamberlain propôs um pacto com a URSS no âmbito de um acordo militar anglo-franco-russo em principio, Stalin mostrou-se de acordo e convidou o ministro do Exterior britânico, lorde Halifax, para visitar Moscou. Porem, Chamberlain desistiu da própria ideia e não persistiu no pacto com a URSS.

Hitler tomou conhecimento da situação. Percebeu que era sua chance de afastar os soviéticos da França e da Inglaterra, conseguindo simultaneamente abalar a segurança da Polônia e evitar a intervenção da URSS no caso de uma invasão. Além disso, Stalin estava isolado internacionalmente desde a Conferência de Munique. Logo, não seria difícil atraí-lo.

A ideia era atualizar o Tratado de Rapallo, de 1922, entre a Alemanha e a URSS. Por esse acordo, Berlim e Moscou haviam restabelecido as relações diplomáticas. A Alemanha aceitara a nacionalização bolchevique de suas empresas na URSS, e os dois países haviam se comprometido a se manter neutros em caso de guerra de um deles contra uma terceira potencia. Foram também assinadas clausulas secretas, que permitiram que os oficiais alemães treinassem na União Soviética com armas proibidas na Alemanha pelo Tratado de Versalhes.

O Tratado de Rapallo expirou em 1938, mas, ainda durante o inverno, os dois países iniciaram negocia,coes para renová-lo. A principal dificuldade para o sucesso de um novo tratado era o atrito entre nazistas e comunistas, que se consideravam inimigos naturais irreconciliáveis. Apesar disso Hitler achava o pacto necessário para isolar a Polônia e evitar a temida guerra cm duas frentes. Alem disso, precisava comprar da URSS os cereais, carvão, zinco. Chumbo e petro1eo que a indústria alemã demandava. Hitler decidiu então amenizar a propaganda nazista, que descrevia os comunistas como a segunda grande ameaça atrás apenas dos judeus.

A URSS era militarmente fraca. O Exercito Vermelho era um gigante com 1 milhão de soldados, porem com armas e equipamentos obsoletos, praticamente inúteis e desorganizados, em consequência do grande expurgo que dizimou o Alto-Comando. A produção de armamentos estava a pleno vapor, mas ainda levaria algum tempo para que os soviéticos estivessem prontos para sustentar uma guerra.

Stalin estava ciente do perigo que a Alemanha e o ideal nazista representavam. Mas sabia também que precisava ganhar tempo para o rearmamento da URSS, e era conveniente que a Alemanha concentrasse suas atenções na Polônia – não deixando, alias, de ceder algumas vantagens para a União Soviética.

Pacto com o demônio

Em 17 de abril de 1939, o embaixador soviético em Berlim iniciou seu primeiro contato. Stalin sabia que Maksim Litvinov, comissário do povo para os Assuntos Exteriores, era judeu e partidário da aliança com o Ocidente. Em 3 de maio, ele foi substituído por Viacheslav Molotov, que, assessorado por Anastas Mikoyan, buscou contato com os alemães. Em 18 de julho, começaram as negociações econômicas.

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Ribbentrop

Paris e Londres logo tentaram evitar as conversações entre a Rússia e a Alemanha, procurando usar seus contatos em Moscou. Ribbentrop, ao tomar conhecimento da manobra aliada, apressou-se em fechar um acordo com a URSS. Hitler. Por sua vez, ordenou que a imprensa reduzisse as agressões contra a Rússia e aumentasse as ofensas contra a Polônia.

Mussolini, percebendo que a invasão da Polônia levaria a uma guerra, tentou convocar uma conferencia internacional. Hitler não aceitou a conferencia e recebeu somente Ciano, em Berghof, onde discursou sobre a fortaleza militar em que a Alemanha havia se transformado e suas firmes razões para atacar a Polônia. Tudo o que Mussolini fez foi responder que a Itália não tinha condições de arcar com uma guerra, e retornou irritado a seus pais. Hitler pouco se preocupou. Estava certo de que conseguiria um pacto com os russos e de que não necessitaria da Itália.

O embaixador alemão em Moscou recebeu a solicitação de que Ribbentrop fosse a URSS para negociar. Molotov também queria saber se a Alemanha estava disposta a assinar um pacto de não agressão com Berlim, a aceitar a união dos países bálticos e a pressionar o Japão para que deixasse de causar problemas a URSS. Ribbentrop respondeu a todas essas questões afirmativamente e dispôs-se a viajara Moscou. As negociações com a França e a Inglaterra haviam se esgotado, e a URSS só restava à Alemanha para estabelecer contatos internacionais. Mesmo assim, Molotov insistiu que queria firmar um tratado comercial e enviou a Berlim um rascunho do acordo militar que determinava que a URSS isolasse a Polônia, caso a Alemanha quisesse dividir o país com os soviéticos.

Hitler aceitou o acordo, considerando-o conveniente, pois, alem de converter a Rússia num aliado momentâneo, o tratado acabava de vez com a proposta francesa de manter a segurança do Leste Europeu – deixando aos alemães o caminho livre para a Polônia. Traindo sua própria propaganda, Hitler permitiu que Ribbentrop viajasse a Moscou, com plenos poderes para negociar e assinar o tratado.

Os russos demoraram alguns dias para responder. Finalmente declararam que esse tratado seria o primeiro passo para futuras boas relações entre os dois países. Ribbentrop estava autorizado a visitar Moscou.

O ministro não perdeu tempo. No mesmo dia 22 de agosto de 1939, Hitler reuniu-se em Berghof com o Alto-Comando militar para comunicar que a hora de invadir a Polônia havia chegado. Com a guerra, só teriam a ganhar, pois, como alegou aos militares, a URSS assinaria um pacto em que se comprometeria a manter-se neutra e, como se não bastasse. Comercializaria com a Alemanha as matérias-primas necessárias para a indústria da guerra. O acordo acabaria de vez com a hegemonia britânica na Europa e garantiria a ocupação da Polônia – que seria iniciada em poucos dias.

No mesmo dia, o governo britânico foi alertado sobre a situação e, para tentar conter os nazistas, enviou uma carta a Hitler afirmando que, em caso de ataque à Polônia, a Grã-Bretanha reagiria empregando todos os recursos militares.

O Reino Unido era o maior império do mundo e a potencia numero 1 da Europa. Suas instituições eram solidas, não havia doutrinação ideológica, e o padrão reformista e moderado do trabalhismo e dos sindicatos impedia o extremismo político. No entanto, o país carecia de um premie de fibra. MacDonald e Baldwin não o foram e muito menos Chamberlain esteve à altura da crise política europeia. Ele enfrentou a questão da Irlanda, mas fracassou na Palestina onde propôs a criação de um Estado único governado por palestinos e judeus, proporcional a suas respectivas populações. Além disso, a política de apaziguamento de movimentos fascistas foi desastrosa.

A opinião publica britânica era pacifista, e círculos influentes defendiam um entendimento com Hitler. Não somente Chamberlain, mas também uma importante legião de diplomatas e políticos, como Samuel Hoare e lorde Halifax, acreditaram que bastava remendar algumas clausulas do Tratado de Versalhes para aplacar Hitler. O futuro premie Winston Churchill foi, como membro do Partido Conservador, o principal critico dessa política, exigindo maior firmeza e o rearmamento.

Quanto à França. ela era apenas um aliado fraco, as voltas com suas crises internas. A Grã-Bretanha mostrou-se disposta a apoiá-la diante de uma agressão alemã, mas não deu respaldo a política francesa de paz e segurança no Leste da Europa.

Pacto germano-soviético

Ribbentrop garantiu a Molotov que a Alemanha conquistaria a Europa Oriental e enfrentaria os Estados Unidos, contudo, sem nunca voltar-se contra a URSS. Molotov aparentou acreditar no ministro germânico, mesmo sabendo que o pacto entre alemães e japoneses, assinado em 1936, tinha clausulas contra a URSS.

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Assinatura do Pacto de Não-agressão entre URSS e Alemanha

Pouco depois, e na presença de Stalin, Ribbentrop e Molotov assinaram o acordo, na madrugada de 23 de agosto de 1939. A Alemanha e a URSS comprometeram-se, pelos dez anos seguintes, a não se atacarem e a não interferirem na guerra de seu aliado contra terceiros. Também ficou acertado que não apoiariam países que se rebelassem contra seu aliado, se consultariam antes de tomar decisões sobre assuntos de interesse comum e não participariam de nenhuma coligação que pudesse prejudicar a URSS ou a Alemanha. Por fim, fariam o possível para negociarem as próprias diferenças.

O protocolo, nu entanto, contou com um item secreto só conhecido pelos principais membros do governo de ambos os países. A URSS e a Alemanha repartiam entre si a Europa Oriental e Central, de modo que Finlândia, Estônia, Letônia e Bessarábia ficariam no raio de influencia da URSS, enquanto Lituânia e a região do Vilna ficariam sob o controle da Alemanha. E, finalmente, a Polônia seria dividida entre soviéticos e alemães.

Esse item nunca foi revelado, e a URSS negou sua existência ate que, em 1945, foram descobertos documentos alemães sobre o assunto. O pacto principal, porém, foi de conhecimento publico e causou grande estranhamento. Nem conservadores, nem fascistas conseguiam aceitar o acordo da Alemanha com um país comunista. Os países comunistas europeus também não compreendiam o tratado: após anos difamando o Partido Socialista Alemão (Nazista), estavam lado a lado com o mais divergente dos inimigos. O ídolo Stalin estava com Hitler, à personificação do mal para os comunistas. Os comunistas franceses receberam um grande impacto: a Alemanha hitlerista era, ao mesmo tempo, inimiga secular e adversária do presente. As noticia gerou grande comoção na Espanha, que sofrera a guerra civil – os oponentes haviam sido apoiados por Hitler, de um lado, e por Stalin, de outro. Os franquistas não podiam acreditar nessa união, e os republicanos sentiram-se traídos – mesmo assim, nem uns nem outros renunciaram suas ideias.

Fonte: Coleção 70º Aniversário da Segunda Guerra Mundial– Nº01 – Editora Abril

Sobre Ricardo Lavecchia

Ricardo Lavecchia tem 35 anos, nascido no dia 22/01/1982. Natural de Santo André – SP Trabalha como vedendor, desenhista nas horas vagas, sempre procurou novas idéias em imagens de livros e jornais, e foi numa dessas buscas que descobriu outra paixão: A Segunda Guerra Mundial. Tinha, então, 18 anos e se deparou com o livro: "Crônicas de Guerra - Com a FEB na Itália" de Rubens Braga. Ao invés de apenas escolher uma imagem para desenhá-la, resolveu ler o livro. O fascínio pelo assunto o tomou por completo. Em suas pesquisas sobre o tema, descobriu não só relatos de guerra, mas amizades sinceras de veteranos, como o Sr. Antônio Cruchaki, veterano do 9º BEC e o falecido Capitão Rocha da Senta a Pua. E-mail: ricardo @ segundaguerra.net

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