Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

Segunda Guerra Mundial
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Hiroo Onoda, Oficial do Japão na Segunda Guerra que só entregou suas armas e Acreditou no fim da Guerra em 1974

”… podem levar três anos, podem levar cinco anos, mas aconteça o que acontecer, nós retornaremos, você está terminantemente proibido de tirar sua própria vida ou de se render…” (trecho da nota oficial da missão do oficial Onoda).

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Hiroo Onoda quando oficial durante a Segunda Guerra

 Estava quente naquela ensolarada manhã de 09 de março de 1974, faltava pouco para meio dia, quando dois homens chegaram à praia de Gontin, apressados e esperançosos. Os homens se dirigiram em direção à duas árvores caídas sobrepostas. Poucos minutos depois, surge da selva à beira da praia, empunhando o seu rifle Arisaka Type 99, um magro e arredio senhor, dando ordens para ambos levantarem as mãos e se identificarem. As vozes rapidamente responderam: Yoshimi Taniguchi, Ex-Major do Exército Imperial Japonês e Norio Suzuki! O desconfiado senhor, apontou o seu rifle para o chão e aguardou… Em seguida, o Major Yoshimi, retirou um papel dobrado do bolso e proferiu:

– Como seu comandante em chefe, eu declaro que, aqui estão as suas novas ordens oficial!

  1. Sob ordens do comando imperial, todo o exército da 14ª região, deve cessar as atividades de combate!
  1. De acordo com as ordens do quartel general, Nº A-2003, o esquadrão especial de oficiais está liberado de todas as suas obrigações militares.
  1. Todas as unidades e indivíduos sob comando do esquadrão especial, são para cessar toda atividade militar, e operações imediatamente, e se colocarem sob o comando do oficial superior mais próximo. Se nenhum oficial puder ser encontrado, o militar deve entrar em contato, prontamente, com as forças norte-americanas ou Filipinas e seguir as suas diretivas.

 Foi assim acabou a Segunda Guerra Mundial para Hiroo Onoda, em 1974, ou seja, 29 anos após o fim oficial, em 1945. 

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Hiroo Onoda entrega suas armas em 1974
 

        A honra e dedicação ao seu país sempre foi uma primazia, da cultura Japonesa, sendo essas, remetidas à época dos antigos Samurais (a palavra samurai significa, aquele que serve) através do Bushido (que significa: código do guerreiro) e caso o mesmo não cumprisse a sua missão para com sua família (clã) e sua pátria, o mesmo deveria realizar o seppuko, que era um ritual em que o desonrado deveria dividir a sua barriga em dois (esfaquear-se no abdômen), a fim de repor a sua honra. Centenas de anos se passaram, mas o respeito pela honra continuou intocado pelas gerações de Japoneses dos séculos seguintes. E não foi diferente na Segunda Guerra Mundial, com o Oficial de inteligência do Exército Imperial Japonês, Hiroo Onada.

        Após fim da Segunda Guerra Mundial, alguns poucos e obstinados militares Japoneses, recusaram se render, em diversas frentes, todos movidos por honra ou por simplesmente acharem que o anúncio do fim da guerra, era uma mera propaganda do inimigo para atrai-los para a captura ou morte. Muitos desses, sentindo-se desonrados pela derrota, recorreram ao “Seppuko”, outros, juntaram-se em grupos, para continuar combatendo, a esses era dado o nome de “Holdout”. Com a aproximação e reconquista dos territórios, pelo inimigo, os esquadrões de combate Japoneses se dividiam em células menores, de no máximo cinco pessoas, para continuarem lutando como resistência atrás das linhas inimigas. O “Holdout”, de Hiroo, não foi o mais longo de período de resistência pós-guerra, porém, foi o mais famoso!

        Hiroo Onoda tinha ordens específicas de jamais se render ou se suicidar, e continuar operando atrás das linhas inimigas até que recebesse ordens diretas para tal. E as mesmas, foram levadas a cabo por ele e seus homens (o Holdout que o mesmo comandava tinha mais três homens). Movidos pelo forte senso de honra e patriotismo, eles se mantiveram céticos em diversas situações, em que os aliados tentaram informar que o conflito tinha chegado ao fim. Foram jogados diversos folhetos, jornais, cópias da rendição do imperador e até cartas de familiares,  mas mesmo assim, os valorosos soldados não se entregaram.

Alguns fatores, realmente contribuíram para a dúvida deles, pois se a guerra acabou, porque há movimentação de aviões norte-americanos sobre a ilha? (Por causa da guerra da Coréia), e porque sempre tinham buscas armadas de soldados na floresta, inclusive com disparos ao menor sinal de movimento? Detalhes, que foram confundidos com dissimulações e táticas de guerra. Mesmo com o passar dos anos, a obstinação de quase todos foi inquebrantável, apenas um do grupo de Hiroo se rendeu, muitos anos depois da rendição, o que aumentou significativamente a desconfiança do grupo, por vazamentos de informações, assim, os remanescentes se aprofundaram ainda mais na selva. Eles viviam de cocos, bananas e vez ou outras se arriscavam nas fazendas para arrumar alguma carne bovina, e nessas escaramuças por alimento, mais dois do grupo do oficial foram mortos em trocas de tiros com policiais e tropas do governo local e norte-americano (que a essa altura, já tinham uma base montada por lá).

        Até que em 1974 Norio Suzuki, um ex-estudante de economia da faculdade de Hoise no Japão, decidiu abandonar a faculdade e virar explorador, e percorreu diversas ilhas do pacífico a fim de encontrar o Oficial perdido Hiroo Onada. Após extensas buscas, sozinho, Norio localizou Hiroo na ilha de Lubang nas Filipinas, e sabendo da resistência do soldado prontamente proferiu de longe, em sua língua nativa, para o mesmo não reagir ofensivamente, quando o avistou:

“Onada-san, o imperador e o povo do Japão estão muito preocupados com você”.

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Norio Suzuki e Hiroo Onoda, em 1974

        O militar então ouviu o que o jovem tinha a dizer, mas, ainda assim não se convenceu, pois lhe foi dada uma ordem e pelo seu “Bushido” pessoal, a mesma só poderia ser descumprida caso ordenada pelo seu oficial superior direto! Norio então prometeu voltar, retornou ao Japão e localizou o antigo superior do soldado, na época dono de uma livraria no Japão. E ambos voltaram à ilha para ter com Hiroo e dispensa-lo do seu dever.

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Hiroo Onoda, após ser oficialmente dispensado de suas funções como soldado em combate na Segunda Guerra, em 1974

        Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, até a rendição de Hiroo Onoda, seu “Holdout”, matou 30 pessoas e feriu mais de 100, nas diversas escaramuças pra conseguir alimento, e em táticas de guerrilha contra soldados, moradores locais e infraestrutura da ilha. Após 29 anos, chegou ao fim a “guerra de Onoda”, diante das circunstâncias, o mesmo recebeu um perdão oficial do presidente das Filipinas na época, e pôde finalmente retornar pro Japão. Anos depois Hiroo se mudou para o Brasil, para o interior do Centro-Oeste aonde, ainda obstinado e disposto a mudar a sua vida, começou a criar gado, tendo se tornado um grande Produtor do animal alguns anos depois, com até 1.700 cabeças de gado em suas terras. Casou-se com uma brasileira, e foi inclusive homenageado com a medalha de ordem ao mérito de Santo Dumont pela força aérea brasileira, por sua honra e pelos serviços prestados à mesma (uma vasta área de suas terras em Mato Grosso do Sul foram cedidas para pousos, decolagens e treinamentos de helicópteros da FAB). Onoda voltou ao Japão com a família, alguns anos depois e fundou uma escola para jovens, tentando fazer os jovens aproveitarem ao máximo, a educação e a idade, que ele próprio não pôde desfrutar. 

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Hiroo Onoda em 2013

Quanto descobridor de Onoda, Norio Suzuki? Faleceu alguns anos depois que descobriu Hiroo Onoda, enquanto procurava o Yeti (O abominável homens das neves) nas geladas montanhas do Himalaia.

Atualização: Hiroo Onoda, faleceu em Janeiro de 2014, aos 91 anos, no Japão

Sobre Ricardo Lavecchia

Ricardo Lavecchia tem 35 anos, nascido no dia 22/01/1982. Natural de Santo André – SP Trabalha como vedendor, desenhista nas horas vagas, sempre procurou novas idéias em imagens de livros e jornais, e foi numa dessas buscas que descobriu outra paixão: A Segunda Guerra Mundial. Tinha, então, 18 anos e se deparou com o livro: "Crônicas de Guerra - Com a FEB na Itália" de Rubens Braga. Ao invés de apenas escolher uma imagem para desenhá-la, resolveu ler o livro. O fascínio pelo assunto o tomou por completo. Em suas pesquisas sobre o tema, descobriu não só relatos de guerra, mas amizades sinceras de veteranos, como o Sr. Antônio Cruchaki, veterano do 9º BEC e o falecido Capitão Rocha da Senta a Pua. E-mail: ricardo @ segundaguerra.net

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3 comentários

  1. Nossa, é comovente essa história! Adorei! A cultura japonesa tem muitos lados admiráveis!Obrigada por dividir conosco essa preciosidade!

    • Interessante não é Corina?! Inclusive até hoje… esse senso do “Bushido” pessoal, move boa parte deles, em quase tudo o que fazem! Nós os ser humanos, somos incríveis de várias formas… sempre estamos nos superando e nos surpreendendo! 🙂

  2. Rogerio Ventura da Silva

    Que herói o mundo esta precisando de pessoas assim que sejam fieis em seus contratos, na sua fé e nas suas origens pois e melhor morrer como homem do que viver como um covarde.

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