Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

Segunda Guerra Mundial
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Heróis da FEB – Tenente Amaro Felicíssimo da Silveira – Esquadrão de Reconhecimento

tenamaroAmaro Felicíssimo da Silveira nasceu dia 4 de maio de 1914 e faleceu em combate em Gaggio Montano,Itália, no dia 20 de novembro de 1944.

Combateu com o Esquadrão de Reconhecimento da FEB, durante a Segunda Guerra Mundial. Tombou em cumprimento do dever comandando uma patrulha, na região de Montilloco nas encostas do maciço Belvedere La Torraccia a 20 de Novembro de 1944.

O Decreto Nº 20.060, de 17 de agosto de 1949 dá a denominação de “Esquadrão Tenente Amaro” ao 1º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado, em consideração às destacadas ações militares realizadas nos campos da Itália e em memória ao 2º Tenente Amaro Felicíssimo da Silveira.

 Um pouco mais sobre o Herói Tenente Amaro

Visitei o Esquadrão de Reconhecimento e acabei dormindo por lá. Pela manhã, antes da instrução, todos os homens que não estavam dando serviço de patrulha ou vigilância, formaram em um pátio debaixo de algumas árvores, e o comandante, capitão Plínio Pitaluga, falou:

“Ante-ontem, dia 4 de abril, fui a Pistóia com um tenente e 12 praças assistir ao sepultamento do tenente Amaro Felicíssimo da Silveira. Todos vocês conheceram o tenente Amaro e sabem como ele morreu. Ele veio para a FEB como voluntário. Afastado da relação de embarque, fez tudo para ser incluído. Aqui. Trabalhando como meu auxiliar na Manutenção, ele insistiu em ir para um Pelotão. Queria as missões mais difíceis, queria estar com vocês nas horas e nos momentos de maior perigo. Morreu a frente de um patrulha, no cumprimento do dever. Que a sua morte, e a morte de tantos outros companheiros da FEB, não seja em vão. O tenente Amaro era um verdadeiro democrata. Era um homem que odiava o nazismo e toda a espécie de fascismo, e achava de seu dever lutar por um mundo melhor. Que a sua morte sirva para ajudar a criação, para nós ou nossos filhos, de um mundo melhor, um mundo de justiça e de solidariedade. Despedindo-me dele à beira do túmulo, eu disse, em nome de nós todos, que a lembrança do seu exemplo há de nos encorajar na luta, vem nos trazer mais um motivo para lutar, com todas as forças, contra o nazismo, pela liberdade. Em homenagem ao tenente Amaro, um minuto de silêncio!”

Depois o capitão continuou dizendo que o Esquadrão foi elogiado como unidade da FEB em que o material está mais bem cuidado e conservado, e lembrando que aqueles carros de reconhecimento, as viaturas e armas fornecidas pelos americanos serão pagos pelo povo do Brasil – “O nosso povo tão pobre que terá de pagar isso, e vocês, que são homens desse povo, têm o dever de conservar com o maior cuidado esse material e essas armas. Muito breve receberemos missões de importância, e então tudo deve estar funcionando da melhor maneira para que possamos matar mais nazistas perdendo menos homens.”

 

Não é mais “Desaparecido”

Só agora o nome do tenente Amaro passa da lista oficial dos “desaparecidos” para a dos mortos, mas há muito no Esquadrão, ninguém tinha dúvidas sobre a sua morte.

esqd_rec_amaro_cart_idt_modNo dia 20 de novembro de 1944 ele foi incumbido de fazer a sua primeira patrulha. Às 3 horas da tarde partiu de Gaggio Montano, uma linda e singular aldeia, com uma espécie de penedo no meio, que os homens do Esquadrão tinham ocupado na véspera. Um pouco acima, em Montilocco, divisou uma casa onde, de acordo com informações dos “partigiani” deveria haver nazistas. Amaro dispôs os seus homens e avançou até cerca de 50 metros da casa. A patrulha foi então alvejada por fogo de armas automáticas. O tenente deslocou-se um pouco para a direita, em companhia dos cabos Alzemiro Nunes e Dorcelino da Silva. Ia se abrigar atrás de uma árvore quando foi atingido por uma rajada, e caiu.

A princípio o sargento Jesus Campos, que estava com alguns homens um pouco mais a direita, julgou que o tenente houvesse deitado para se abrigar. Como porém ele não desse nenhum sinal, mandou até lá um homem. Esse homem foi o bagageiro do tenente, o soldado Vicente Bernardino de Souza. (“Sei que Vicente estará ao meu lado na hora de maior perigo”, escrevera dias antes o tenente em seu diário”).

Vicente deu um lance e se aproximou do tenente, vendo então que ele estava morto. Quis puxar o seu corpo, mas os alemães abriram fogo novamente. Depois de algumas tentativas, e verificando que o tenente estava mesmo morto, Vicente retirou-se, entre rajadas de metralhadora.

 

E pouco depois o sargento Jesus dava ordem de retrair. A patrulha cumprira sua missão, mas perdera o seu comandante.

Estudante e Funcionário

Amaro era da reserva de 2ª classe. Fez o CPOR na Faculdade de Medicina, que cursou até o quarto ano. Era funcionário da Prefeitura, e casado com Ruth Albuquerque da Silveira, residente à Rua Anchieta, 24 em Copacabana.

 

Como o simples depoimento de Vicente não podia, do ponto de vista oficial, servir como prova de morte, Amaro foi considerado como “desaparecido”. Sua família, até tempos atrás, alimentava esperança de que ele tivesse caído prisioneiro. O capitão Franco Ferreira, que a princípio comandava o Esquadrão e há tempos foi para o Rio, em virtude de doença, deve ter feito sentir à família de Amaro que ela não devia alimentar muitas esperanças.

 

Algum tempo depois da patrulha, Montilocco foi ocupado, mas o corpo não foi encontrado. É que os alemães o tinham transportado uns 50 metros e enterrado atrás da casa. Os homens que ocupavam aquela posição pouco iam naquele lado da casa, pois o inimigo dominava uma elevação próxima. Depois veio o inverno, e cobriu tudo de neve. Nossa linha avançou muito além de Montilocco, e os italianos que residiam ali voltaram para sua casa. Só agora, quando fazia uma limpeza no quintal, uma velhinha italiana descobriu a sepultura rasa em que estava Amaro, e deu aviso a um “partigiano” que avisou aos brasileiros.

 

E um tenente de um pelotão me disse:

“Esse Vicente que era uma espécie de bagageiro do Amaro e tinha uma verdadeira adoração por ele era um excelente soldado. Pois depois disso caiu. Hoje não vale nada. O capitão mandou ele trabalhar na cozinha…”

 

FONTE: Do livro “Com a FEB na Itália” de Rubens Braga

FOTOGRAFIAS: 1º Esquadrão de Cavalaria Leve – Esquadrão Ten Amaro

Sobre André Luiz!

André Luiz, natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra, - antigo Segunda Guerra.org - escreve sob a expectativa de contribuir com a memória deste trágico conflito e demonstrar mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.

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2 comentários

  1. Anderson Magalhães de Almeida

    Eu tenho orgulho de dizer que fui soldado do Exército brasileiro e fiz parte do Esquadrão Tenente Amaro. Obrigado

  2. Confesso que fiquei arrepiado ao ler este artigo… Quantas verdades não foram sepultadas com nossos praças, tombados em combate?

    Infelizmente, a juventude de hoje não consegue ter a dimensão de como a história de nosso país é rica e cheia de reviravoltas.

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