Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

Segunda Guerra Mundial
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FEB – Vitórias e Derrotas

8 DE MAIO – CONSAGRAÇÃO DA VITÓRIA

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Getulio Vargas e o Ministro da Guerra General Dutra

Embora a guerra tenha terminado no dia 2 de maio, o Armistício só foi assinado no dia 8. Esse dia tem para o mundo, e principalmente para a FEB, um significado muito especial. Foi o dia em que aquela tropa, que havia saído do Brasil desacreditada e que, com o correr da campanha, foi-se agigantando, cobriu-se de glória. Retomaria à Pátria com os louros da vitória! Mesmo antes de chegarem de volta os pracinhas, essa vitória e suas conseqüências começaram a assustar os dirigentes. Vivíamos em um regime ditatorial, e a FEB estava justamente combatendo o mesmo tipo de governo. O retorno dessa tropa altamente treinada e completamente imbuída do espírito de liberdade era uma ameaça para o governo. A fim de tentar evitar que eclodisse outra guerra, dessa vez interna, sendo a grande parte do pessoal integrante da FEB da reserva, baixou as autoridades um decreto considerando a convocação somente até o dia 8 de maio. Assim sendo, a FEB FOI DESMOBILIZADA AINDA NA ITÁLIA.

Quem morreu no dia 9, ou foi ferido em escaramuças de patrulhas, ou mesmo ferido ou morto por minas, não foi considerado como tendo realizado ato de guerra. Só mesmo no Brasil poderiam acontecer casos como esse. Os nossos pracinhas voltaram vitoriosos e com conhecimentos muito diferentes e muito avançados, tanto na parte militar como na visão global da situação interna e mundial.

Os reflexos dessa vitória na vida do País foram enormes. O povo passou a acreditar nele mesmo, a sentir-se mais confiante em sua capacidade, conscientizou-se de que não era nenhuma “sub-raça”, pelo contrário, que era uma raça sui generis. Procurou progredir em todos os setores. Desenvolveu tecnologia própria na indústria, na medicina, na aviação; enfim, a desgraça de uma guerra trouxe o progresso para nossa Pátria. Nosso Exército, que vivia na era da guerra de trincheiras, aprimorou-se.

Só lamentamos que não tivessem sido mais bem aproveitados aqueles homens, altamente treinados, que, por serem oficiais da reserva, foram de imediato desconvocados, e assim perderam a tropa excelentes instrutores. O pessoal da ativa, ao retomar, foi de imediato espalhado pelos quatro cantos do território, pelo medo de que se agrupasse e, sendo uma tropa altamente treinada e que havia lutado para libertar os povos da Europa do jugo totalitário, se voltasse contra o regime vigente no País. Mas de nada adiantou tal providência. O povo já estava conscientizado de que os regimes ditatoriais não servem, o que vale mesmo é a democracia, e se encarregou de depor a ditadura que aqui imperava.

TERMINA O GRANDE SACRIFÍCIO

Com a rendição da 148ª Divisão de Infantaria, mais a Infantaria e as de II tropas alemãs que lutavam na Itália, não havia como prosseguir lutando. Assinado o armistício, o povo corria às ruas disputando os poucos jornais. Famílias acorriam aos comandos aliados procurando notícias de parentes desaparecidos. Os mais desesperados eram os judeus, pois centenas de milhares deles foram exterminados nos famigerados campos de concentração.

DESFILE DA VITÓRIA

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As cidades se enfeitaram, a multidão correu as ruas... Getúlio Vargas ao extinguir a FEB lançou ao desamparo milhares de homens sofridos que lutaram pela Liberdade e pela Democracia.

Com a vitória final, vários desfiles foram organizados. Como não podia deixar de ser, um dos mais bonitos foi o da semi-destruída Londres. De todas as tropas que lutaram nessa terrível Segunda Guerra Mundial, havia uma representação e, como tal, não podia faltar a brasileira. No palanque encontravam-se o Rei Jorge e a Rainha Mary à frente. Poucos passos atrás, aquela jovem que era predestinada a reger os destinos da milenar Inglaterra, a Princesa Elizabeth.

Nossa representação foi composta de 8 pracinhas, 8 marinheiros e 8 soldados da FAB comandados por um oficial de cada arma, sendo a bandeira conduzida pelo oficial da Marinha, por ser esta a corporação mais antiga no Brasil.

A VOLTA

Terminada a guerra, teve início a organização para o retorno a casa. No Brasil também o povo se preparava para receber seus heróis. No Rio, em frente à Biblioteca Nacional foi armado um enorme Arco do Triunfo encimado pelo primitivo distintivo da FEB com os seguintes dizeres:

AOS HERÓIS DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA – A PÁTRIA AGRADECIDA

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Troféu da Vitória: pracinhas do 9º BE conduzem a bandeira alemã aprisionada.

A chegada do 1º escalão foi apoteótica. O povo invadiu a pista por onde deveriam desfilar as tropas e passou a arrancar botões, emblemas, medalhas, tudo que pudesse servir de souvenir . Mas… O tempo foi passando e o entusiasmo arrefecendo. O pracinha que, enquanto tinha dinheiro para pagar as rodadas de bebida, contava com um grande auditório para ouvir suas histórias, foi ficando relegado com o escassear do dinheiro da etapa de soldo que aqui ficara depositado e foi se transformando em um “chato” que conta sempre as mesmas coisas.

Nossas tropas eram, em sua maioria, constituídas de lavradores que trocaram o cabo da enxada pela coronha do fuzil. Nosso homem que comia jabá com farinha aprendeu a comer corned beef, compotas de frutas e outras iguarias. No afã de desfazer rapidamente a FEB, não se preocuparam em preparar aqueles homens para a desmobilização. Esta é a razão pela qual, passados mais de 40 anos, ainda encontravam pracinhas desajustados e com suas neuroses exacerbadas pelas injustiças de que ainda eram vítimas. Ensinaram a eles com muito afinco a matar, mas não os ensinaram a viver. Venceram a guerra lá fora, mas perderam a batalha aqui. Hoje são considerados loucos, neuróticos ou desajustados. Pessoas que devem ser postas à margem. Enquanto em todos os países do mundo que estiveram em guerra se cultua e respeita a figura dos veteranos, aqui os menosprezam. Até nos transportes coletivos existe um lugar reservado ao veterano de guerra. Aqui, esses veteranos não têm direito a nada, nem ao respeito público. Quando pleiteiam algo, quase sempre a resposta é de que “pelo simples fato” de terem estado dando umas “voltinhas” na guerra, querem ter regalias… Pobre pracinha!

Somos um povo pacífico. Temos por hábito resolver nossas questões internas com revoluções até sem sangue. Temos um ditado que bem define o povo: “O brasileiro dá um boi para não entrar em uma briga, mas dá também uma boiada para dela não sair sem a vitória.” Nossas questões são resolvidas por nós mesmos. Jamais permitiremos que quem quer que seja, de direita ou de esquerda, ou mesmo de centro, venha interferir em nossa maneira de viver, em nossa “baguncinha” organizada. Já temos dado sobejas provas de que o povo brasileiro é um povo pacífico, mas não é subserviente, nem covarde. É bom que os que porventura pensarem em se aproximar de nós com segundas intenções se lembre de que temos “uma boiada muito grande”.


NÃO NOS ESQUEÇAMOS DE NOSSOS BRAVOS,
DE NOSSAS GLÓRIAS

Jovens do Brasil, meditem sobre o que aqui. Esses homens eram jovens como vocês e vivia uma vidinha mansa, feliz mesmo, dentro dos parâmetros da época. De um momento para o outro, foram sacudidos por um choque mortal. Viram sua Pátria ser agredido, seus irmãos inocentes serem mortos sem nenhuma razão de ser, nossos pequenos e frágeis navios mercantes serem torpedeados.

Esses jovens sofreram além das agruras da guerra a incompreensão de sua geração, e ao retomarem à Pátria, trazendo os galardões de uma VITÓRIA inconteste e grandiosa, foram pelos invejosos de sua coragem relegados ao invés de serem glorificados.

Foram execrados pelos asseclas de Hitler, que não se conformavam com a derrota de seu ídolo. Principalmente por esta lhe ter sido imposta em parte pelo mestiço enfermiço pracinha brasileiro.

Sobre André Luiz!

André Luiz, natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra, - antigo Segunda Guerra.org - escreve sob a expectativa de contribuir com a memória deste trágico conflito e demonstrar mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.

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10 comentários

  1. Cláudio Pio de Sales Chaves

    O Brasil participou mesmo de combates na Segunda Guerra Mundial?

    Se foi assim, porque não temos mutilados, como os veteranos do Vietnã?

    talvez esta história não esteja bem contada;

    • Cláudio, por favor não misture os dois conflitos.
      O Brasil enviou tropas para a Itália na Segunda Guerra Mundial, foram mais ou menos 25 mil homens.
      Tivemos sim muitos feridos, mas hoje não ouvimos falar porque quase todos já estão mortos, mas se fizer uma pesquisa na internet vai encontrar muita coisa sobre nosso heróis, talvez tenha alguma na sua cidade vivo.
      Uma boa dia e começar a ler a respeito, se quiser posso lhe dar varias dicas de livros onde pode aprender sobre a Força Expedicionária Brasileira.
      Qualquer duvidas estamos por aqui.
      Abraços

  2. Considere que as técnicas médicas evoluíram do fim da grande guerra em 45 até o conflito do sudeste asíatico entre 65-71. Um ferimento que causaria a morte em 44 poderia ser rapidamente tratado em 68 já que as tropas contavam com massivo apoio de helicópteros ambulâncias.

  3. Maria do carmo gomes

    Meu pai um ex combatente da 2 guerra, esta vivo para contar a história.Acabou de completar 90 anos no dia 7 de abril.Nós nos orgulhamos de nosso pai,ele tem todas as honras de nossa cidade e cidades vizinhas e de nossa Pátria.

  4. meu tio combateu nssa guerra ele era de rio verde ms mas infelismente eu nao o conheci mas lamento muito pq eu keria fazer muitas perguntas a ele sobre a gueera e jà està na gloria ele lutou e tve um bom combate gostaria de contactar algum membra da familia dele ele se chamava fermino fernades mais conhecido como fermino das aboboras

  5. Somente a Ignorância plena pode duvidar de que o Brasil enviou tropas para combater na Itália durante a Segunda Guerra Mundial. É o mesmo que duvidar da conquista do Brasil das Copas do Mundo de Futebol.

    E a comparação com a Guerra do Vietnã é infundada, uma vez que o número de homens enviados foi muito menor e o Brasil foi vitorioso. Tivemos sim mutilados, porém o desinteresse da imprensa e do governo de dar atenção aos veteranos gerou essa desinformação. Sem contar que o número de mutilados não foi expressivo para fossem facilmente percebidos.

  6. Cláudio Pio de Sales Chaves

    Desde criança que vejo “ex-combatentes” desfilando sadios, garbosos, alguns até ridículos, no chamado dia da desamada pátria; parecem mais egressos de uma viagem de turismo que de um conflito; nenhum deles mutilado; ou esta segunda guerra foi a única na história que não teve feridos graves?

    quanto a existência de mortos e feridos, no que uma guerra seria diferente de outra? porque o Brasil-desigualdade estava lá?

    que o governo do ditador dos Pampas mandou tropas para a Europa quando a Alemanha já estava derrotada, é uma verdade, sim; o que se questiona é se elas lutaram realmente ou se foram apenas “fazer de conta” que estiveram em combate;

    agradeço a sugestão do sr Ricardo Lavecchia quanto à leitura sobre a tal FEB; ressalvo, todavia, que se a literatura existente e sugerida houver sido produzida por quem tivesse interesse em produzir “combatentes” que nao combateram, nao há porque se perder tempo com tais escritos apócrifos;

    ora, se poderosas nações, como EUA, URSS e Reino Unido tiveram dificuldades em derrota a ditadura nazista alemã, não seria “povinho” de terceiro mundo sul americano a fazê-lo;

    • Nossa Claudio sem comentarios para o seu depoimento, sinceramente é de pessoas como você que não precisamos no Brasil.

    • Bem, Cláudio, conhecimento se propaga com conhecimento. Se você fizesse uma pesquisa séria, perceberia que a literatura produzida sobre a FEB não é apenas constituída por relatos de ex-combatentes, mas também por jornalistas e historiadores. Jornalistas, inclusive que estiveram presente nas batalhas como correspondentes de guerra. Profissionais respeitados, como o caso do Rubem Braga, tido como o maior cronista brasileiro.
      E os atos insanos e hipócritas do governo da época não desmerecem nem diminuem o valor dos homens que deixaram suas famílias e seguiram para os campos na Itália.
      Respeitamos sua opinião, e ela sempre é bem-vinda, afinal vivemos num país que busca democracia em todos os campos. Há quem negue a existência do Holocausto, por isso, não estranhamos que você negue o valor da FEB. Porém ressaltamos que este site valoriza e promove os feitos da Força Expedicionária brasileira na Segunda Guerra Mundial.
      E é uma pena que você se considere “povinho”. Menos mal que a maioria dos brasileiros lutam dia a dia buscando superar as dificuldades ao invés de discorrerem discursos baseados em síndrome de inferioridade. Grato!

  7. antonio cerrito filho

    Meu tio (irmão de meu pai) foi expedicionario eu tenho muito orgulho dele. O nome dele era ERMINIO SERITO (falecido) meu tio era policial militar na cidade de Lins.

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