Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

Segunda Guerra Mundial
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FEB – Propaganda de Guerra

Os alemães, na calada da noite, lançavam panfletos entre as tropas brasileiras, tentando derrubar seu ânimo.

Alguns diziam assim:

“Brasileiros! A ITÁLIA, O INFERNO DE SANGUE, continuará a chupar o vosso sangue, como já sucedeu em Bombiana e Abetaia. O impiedoso frio invernal continuará a apoquentar-vos. Desde o dia 16 de dezembro a Alemanha encontra-se novamente no ataque. Nove divisões americanas foram para o diabo na frente ocidental, nestes últimos dias. E, além disso, ainda mais 1000 carros blindados. O que vos espera na Itália, ainda vocês verão. A GUERRA CONTINUA”.

Um convite amável, impresso a cores:

“RADIO AURIVERDE ESTAÇÃO FEB. Ouça as canções de sua terra. Ouça a Voz da Verdade! Ouça RADIO Auriverde! Soldado brasileiro! Você quer saber o que acontece no Brasil? Você quer escutar músicas brasileiras, canções da sua terra, sambas, tangos e músicas de dança, maxixe e modinha? Ligue o seu rádio para ouvir a Estação Especial da FEB! A Rádio Auriverde irradia diariamente em transmissão especial para os soldados expedicionários brasileiros. Não esqueçam: das 13 às 13,45 horas no comprimento de ondas de 47,6 metros – 6.300 quilociclos”.

Havia também a Rádio Auriverde e os programas que os nazistas irradiam todos os dias. O noticiário telegráfico vindo do Brasil, era sem dúvida alguma, uma das obras-primas da quinta-coluna nacional. Mas havia respostas dos Aliados. Nada fica sem resposta e não é preciso dizer aqui que os argumentos dos Aliados – argumentos, de quem estava ganhando a guerra – eram mais fortes e mais lógicos do que as ridículas considerações nazistas.

Havia diversos alto-falantes, diante dos alemães. Enormes e poderosas bocas que todos os dias repetiam verdades que eles já deviam saber de cor: que nada mais adiantava, que a guerra que estavam fazendo era apenas uma guerra de desespero, e que a rendição era a única solução inteligente. Tais verdades reboavam pelos Apeninos, se estendiam sobre vales, casamatas, trincheiras e posições do inimigo – música inexorável que se repetia diariamente como um canto fúnebre.

Procurava os alemães o efeito psicológico sobre os recém-chegados. E por isso também usavam, largamente, a granada de propaganda, que lançava, ao explodir, centenas de folhetos, nos quais estavam impressos veementes apelos à tropa brasileira para que voltasse ao Brasil, evitando os sacrifícios que fazia, no inverno inclemente que desconhecia. Em outros, zombavam os alemães da tutela que sofríamos dos estadunidenses, alongando suas apreciações e conselhos até ofenderem as famílias dos combatentes brasileiros, que estariam sofrendo, no Brasil, inclusive atentados à sua honra e à sua dignidade, por parte dos estadunidenses. Vários eram os modelos, alguns muito bem impressos e bem redigidos em português.

Por parte dos Aliados, a Artilharia também foi dotada de alguns projéteis de propaganda, de origem estadunidense, com os boletins redigidos em alemão. A tônica desses panfletos era o conselho reiterado, e bem explicado, aos soldados alemães, para que pressionassem seus Chefes a darem por encerrada a campanha, pois a derrota era fatal e inevitável e o desmoronamento estava iminente. Esses e outros artifícios, empregados para atingir psiquicamente os combatentes, não recomendavam o lado moral da guerra. O que se sentia era o afã de chegar, de qualquer modo e o mais rapidamente possível, à vitória, mesmo, que isso custasse a degradação, a mentira, a desmoralização, a traição e a chacina de populações absolutamente inocentes.

A Rádio Clandestina

O Sargento Antonio Maitinguer, da Companhia da Policia Militar da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária, declarou o seguinte: (DIE)

Eu e meus companheiros percorremos uma distância imensa para achar uma rádio clandestina, onde uma voz feminina incitava os italianos contra os brasileiros. Era um cabaré e nos misturamos aos outros freqüentadores, fazendo contato com uma italiana, por quem ficamos sabendo que a rádio clandestina funcionava no mesmo prédio onde essa minha nova amiguinha morava.

Fomos até lá, batemos na porta e colocamos o fuzil no peito do homem que nos atendeu. Depois, localizamos a locutora – brasileira-, o seu amante, – oficial aviador italiano -, e por último outro elemento que lá se achava. Os três foram entregues ao Quartel General em Alessandria, onde ficaram detidos, incomunicáveis.

Sobre André Luiz!

André Luiz, natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra, - antigo Segunda Guerra.org - escreve sob a expectativa de contribuir com a memória deste trágico conflito e demonstrar mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.

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