Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

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Segunda Guerra Mundial
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FEB – Os Brasileiros combatendo o Pé de Trincheira

De modo geral, o estado de saúde da tropa era bom, sobretudo levando-se em conta que a totalidade do pessoal da FEB era de um país tropical e, com pouco tempo de ambientação, teve que enfrentar o duro inverno dos Apeninos, um dos mais rigorosos da Europa.

No inverno, um dos males que atacavam o Exército era o denominado “pé de trincheira”; esse mal fustigava as tropas de infantaria em conseqüência da permanência dos soldados em locais mais úmidos e frios, dificultando a circulação do sangue na extremidade do corpo, sobretudo dos pés, advindo daí a gangrena.

As tropas brasileiras, surpreendentemente, apresentaram baixo índice de incidência desse mal. Em uma conferência no Passo de Futa, Quartel-General do 4º Corpo, o Inspetor Sanitário do Comando do Corpo do Exército, quando soube as razões, deslocou-se para verificar in loco. O que encontrou foi uma verdadeira demonstração da capacidade de ambientar-se e de improvisação do soldado brasileiro. Surpreendido pelo frio intenso, o pracinha começou a sentir os pés dormentes e, para superar a dificuldade, inventou o seu próprio sistema de defesa. Tirou a bota, cobriu bem os pés com um pedaço de cobertor e forrou a galocha com feno seco, palha, ou mesmo pano. Depois, enfiou o pé na galocha, e, por pura intuição, deixou os pés secos e não apertados, permitindo que a circulação sanguínea se fizesse naturalmente. A bota ficou pendurada no cinto, na mochila ou em outro local próximo, para ser usada quando ia dirigir algum veículo ou realizar longa marcha. O Inspetor Sanitário estadunidense ficou bem impressionado e mandou que esse procedimento fosse aperfeiçoado e adotado para permitir que o pé ficasse livre dentro da galocha.

Durante todo o inverno, o soldado que estava em linha recebia, junto com o café da manhã, um par de meias secas para trocar. A medida tomada pelo serviço estadunidense contribuiu muito para diminuir a incidência de ‘pé de trincheira’, responsável por tantas baixas ocorridas no inverno; e, pior ainda, por amputações do pé, aumentando assim; o número de mutilados de guerra.

Sobre André Luiz!

André Luiz, natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra, - antigo Segunda Guerra.org - escreve sob a expectativa de contribuir com a memória deste trágico conflito e demonstrar mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.

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