Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

Segunda Guerra Mundial
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FEB – O Objeto Mais Estimado a Bordo

Havia a bordo um objeto de que não os integrantes da FEB não se despregavam um minuto. Cada homem, desde o General até o mais modesto soldado recebeu um. Usavam o dia inteiro e à noite dormiam com ele. Era tratado com o máximo carinho e respeito. O homem que fosse apanhado sem ele seria severamente punido. Quem não estivesse com ele bem amarrado ao corpo durante a visita do General Alarm, ia direto para o xadrez.

Tratava-se do colete salva-vida. Apesar da segurança quase absoluta em que viajam, todas as precauções eram tomadas para qualquer emergência. Exercícios diários punham a tripulação e a tropa em condições de enfrentar qualquer situação, na maior ordem e disciplina. Para evitar correrias atrás de salva-vidas, estes foram distribuídos no início da viagem e eram de uso obrigatório e permanente.

O modelo de salva-vidas que a tropa usava era bem cômodo, sob forma de um colete, de fazenda impermeável, recheado de penas, com gola, preso da cintura ao pescoço, por várias tiras, reforçadas por um cinturão de lona.

Por todos os cuidados de que se viam cercados, num navio eriçado de canhões e metralhadoras, comboiado pelos poderosos vasos de guerra, aviões e dirigíveis, o que se notava de extraordinário e assombroso, era o sentimento de segurança e despreocupação de que todos estavam possuídos.

Por certo, mesmo que no caso de um torpedeamento real, até a última hora, todos haveriam de pensar que era um inocente exercício e embarcariam nos botes de salvamento entre sorrisos e gracejos.

A visão comum na sala dos oficiais era de calmaria. Um tenente pianista executando um tango ou fox, cercado por seus colegas. Muitos jogando cartas, saboreando seus cigarros. Outros conversando ou lendo jornais e revistas, aguardando a hora do “Cabaré da Cobra” e do cinema. As fisionomias em geral são alegres e sorridentes. Raras são as sérias e contemplativas. Nenhuma porém é triste ou apreensiva. Nos camarotes dos oficiais também os que imperavam é a “blague”, a anedota, o “lero-lero” despreocupado. Pareciam turistas a passeio e não soldados a caminho de um campo de batalha.

No fundo, todos sabiam o que estava à espera. Já tinham conhecimento das ações em que se empenharam os irmãos de armas, que estavam frente à Linha Gótica.

O jornal de bordo, por exemplo, publicou as declarações de Churchill, sobre a continuação da guerra em 1945. Nada disso porém alteraram o ânimo e o moral da tropa. Essa calma, esse espírito esportivo, esse ânimo, com que seguiram para o “front” as tropas brasileiras, se transformaram diante do fogo inimigo, em bravura, eficiência e heroísmo.

Sobre André Luiz!

André Luiz, natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra, - antigo Segunda Guerra.org - escreve sob a expectativa de contribuir com a memória deste trágico conflito e demonstrar mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.

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