Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

Segunda Guerra Mundial
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FEB – As Patrulhas

engenhariaNão foi registrado perdas entre os patrulheiros da FEB. Todavia, no confronto das patrulhas, levavam a melhor em vários encontros, fazendo alguns prisioneiros.

No dia 14 de novembro, essas atividades culminaram com a captura de toda uma patrulha alemã, atraída numa emboscada. Esse fato foi festejado na intimidade das fileiras, carreando tesouros de confiança à tropa, que estava necessitando um teste no novo Setor do Reno. Merece ser recordado:

A patrulha, composta de seis homens, era comandada pelo 3º Sarg. Onofre Ribeiro de Aguiar, da 5ª Cia. do 6º Regimento de Infantaria, subunidade que defendia posições na região de Torre de Nerone. Foi lançada na manhã daquele dia, para reconhecer as atividades do inimigo e, se possível, fazer prisioneiros. Esta parte da missão não era fácil, porque se tratava de uma patrulha diurna. A escuridão da noite melhor se prestava à emboscada.

Naquela manhã bem clara, com magnífica visibilidade, a patrulha Onofre, depois de progredir uns 500 metros à frente do local ocupado pela 6ª Cia. do 6º RI, assinalou uma posição inimiga a Nordeste da Torre de Nerone. Para lá orientou a sua fração, progredindo com requintes de cuidado, sem que fosse percebida de um lado ou de outro. Chegando perto, verificou que a posição inimiga estava ocupada e que pelo menos três homens do grupo de tiro estavam junto à sua metralhadora mas inteiramente despreocupados. Decidiu imediatamente aprisioná-los, numa técnica impecável, sem luta, tal como se recomenda a uma patrulha, que não é órgão de combate, salvo em condições excepcionais.

engenharia2Enquanto sua arma automática se instalava e preparava-se para apoiar a investida, com outros homens insinuou-se até junto dos displicentes alemães, que foram aprisionados sem um tiro. Todavia, o entrechoque foi ruidoso e os demais postos inimigos correram em apoio, tentando barrar o regresso às nossas linhas. Entrou em ação a metralhadora da Patrulha, bem como outros fogos nossos, inclusive de Artilharia, dando cobertura do retraimento.

O 3º Sargento Onofre, homem tímido e de pouca instrução, tinha, entretanto, uma forte intuição e uma bravura inata, que inspirava confiança aos seus comandos. Os prisioneiros e as suas armas, inclusive a metralhadora, foram removidos para a nossa retaguarda. O Sarg. Onofre, pelo seu feito, em que revelou méritos excepcionais – bravura, espírito de iniciativa, sangue frio e audácia -, foi promovido ao posto de 2º Tenente, o que muito o surpreendeu. Não estava nos seus cálculos aquele salto acrobático que o deixou inibido, a tal ponto que mal se ajeitava dentro de seu uniforme de oficial. Não sabia se identificar com o círculo de oficiais, nem podia ficar entre os Sargentos.

E desse modo, premiando-se para exemplo, perdeu-se um excelente Comandante de Patrulha, sem se ter certeza de ganhar um bom Comandante de Pelotão. Por isso mesmo, essa foi a única promoção de Sargento a oficial feita pelo Comandante da FEB dentro das suas altas atribuições. Não foi bem acolhida pelo Ministério da Guerra, que a aprovou, mas não consentiu que se repetisse o premio, em casos semelhantes.

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Sobre André Luiz!

André Luiz, natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra, - antigo Segunda Guerra.org - escreve sob a expectativa de contribuir com a memória deste trágico conflito e demonstrar mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.

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2 comentários

  1. Amigo, parebens pelo excelente site, para mim um dos melhores!.
    Permita-me uma observação. Infelizmente tivemos algumas baixas, durante algumas açoes de patrulha, a mais importante entre outras foi a morte do 2o. SGT MAX WOLF FILHO e o Sd. Estevão, ambos pertencentes ao pelotão especial do 11o.RI, morreram no dia 12-04-45, durante uma patrulha de reconhecimento, na região de RIVIA DI BISCHIA, próximo a cidade de MONTESE.

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