Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

Segunda Guerra Mundial
Home / Brasil / Em Combate / FEB – A Vida nas Trincheiras

FEB – A Vida nas Trincheiras

bazokaneve Quando ficavam de guarda nos postos mais avançados, durante os meses de inverno, cada um dos soldados tirava uma hora de serviço e descansava três, pois uma hora era o máximo que se podia agüentar com todos os sentidos em alerta total.

Para este tipo de serviço era necessário estar sempre em alerta total. O soldado de serviço portava sempre uma arma automática. As três horas de descanso, eram gastas em qualquer canto que pudessem encontrar, ali mesmo nas posições, sem camas ou qualquer tipo de conforto. Para se agasalhar, alguns usavam seis blusas de lã por baixo da jaqueta principal, um par de luvas de lã e por cima um par de luvas impermeáveis, para não perder a mobilidade nos dedos, por causa do frio intenso.

Alguns soldados imaginavam antes de ir para a Itália que a guerra fosse feita de confrontos diários com o inimigo. Mas não era todo dia. Era difícil ver o inimigo. Era tudo camuflado.

Em alguns pontos do front, como em Guanella, por exemplo, de noite era noite, de dia, havia umas máquinas queimando óleo a fim de camuflar os soldados com a fumaça. Caso contrário, os alemães, do alto do Monte Castello abateriam a todos na trincheira. Então pra estes soldados era sempre noite.

A Torre di Nerone era uma montanha. Ali os estadunidenses fizeram o alemão recuar, mas ficou uma pequena distância de uns 50 metros que era o que os separavam dos brasileiros. De lá saíam 98 tiros de artilharia a cada 15 minutos, marcado no relógio. A companhia de fuzileiros tinha três metralhadoras que ficavam à disposição do comandante da companhia. Quando um dos atiradores da 2ª peça adoeceu e foi para a retaguarda, o Operador Ângelo Martins ficou sozinho tomando conta das metralhadoras. Ângelo permaneceu 90 dias sem tomar banho, sem trocar de roupa e sem cortar a barba.

feb033Foram três meses na frente do alemão, a uns 40 ou 50 metros, e os soldados só punha a cara para fora, para ver se os alemães estavam avançando, e ficavam com o fuzil ou a metralhadora na mira. Ficavam em dois na trincheira. De manhã saíam correndo no morro para tomar café e na hora que retornavam os alemães os bombardeavam. Um soldado apelidado de Ferrugem, descuidou-se, e um tiro de fuzil alemão lhe tirou a vida.

Quando um soldado ocupava um posto de sentinela avançada, em que a solidão passava a ser um sentimento até certo ponto aterrador, o soldado era sobressaltado pelas mais variadas sensações, que contribuíam para modificar o seu estado de espírito. O silêncio pesado da noite, na frente de combate, quebrado de quando em vez por um tiro ou uma rajada de metralhadora, só servia para aumentar estas sensações. No combate existia a movimentação, o ânimo de luta, o desejo de avançar, que podiam anular outros sentimentos antagônicos. Na vigília noturna de um posto avançado, o homem estava só com o seu medo e a sua incerteza, e com a obrigação de permanecer na posição. Somente quem foi soldado de infantaria, e que teve que dar esse tipo de guarda, pode relatar o quanto podem ser terríveis esses movimentos.vida03

Sobre André Luiz!

André Luiz, natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra, - antigo Segunda Guerra.org - escreve sob a expectativa de contribuir com a memória deste trágico conflito e demonstrar mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.

Veja Também

0131405 - Último Tiro de Artilharia e a Rendição Incondicional Alemã -148ª Divisão de Infantaria

Último Tiro de Artilharia e a Rendição Incondicional Alemã -148ª Divisão de Infantaria

  O 1º/2º Regimento de Obuses 105 Auto-rebocado (1º/2º RO 105 Au R – “III …

Arnon2 - Relatos da Segunda Guerra - O Herói em Silêncio

Relatos da Segunda Guerra – O Herói em Silêncio

Em um ato de coragem o soldado Arnon Correa teve muito sangue frio, coragem e …

Deixe sua Opinião (Facebook - Twitter - Google+)