Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

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Segunda Guerra Mundial
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FEB – A Tomada de Montese

A grande odisséia da Força Expedicionária Brasileira (FEB) em Montese teve início no dia 14 de abril de 1945 e assinalou o começo da ofensiva aliada da primavera, na frente do IV Corpo de Exército (IV CEx), ao qual nossa 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE) estava integrada.

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Vista de Montese a partir do Posto de Observação da 1ª DIE

A conquista do maciço no dia 14, ocupação no dia 15 e manutenção nos dias 16, 17 e 18 custou a FEB um saldo de 34 mortos, 382 feridos e 10 extraviados, configurando-se, com certeza, em uma das mais árdua e sangrenta vitória de nossos ‘pracinhas’.

Montese era um dos bastiões mais fortes da famosa linha defensiva ‘Gengis Kan’, estabelecida pelos alemães. Sua conquista significava o rompimento dessa barreira, o que contribuiria para a expulsão do inimigo do vale do rio Panaro, impedindo-o de oferecer resistência ao avanço aliado rumo à planície do rio Pó.

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Pelotão comandado pelo Ten. Iporan em Biccochi, dias antes do ataque a Montese

A missão atribuída a 1ª DIE foi atacar aquela região e cobrir o flanco esquerdo da 10ª Divisão de Montanha do exército estadunidense. Compreendia duas fases bem distintas: a primeira era o lançamento de fortes patrulhas com o objetivo de obter o controle da primeira linha de alturas; a segunda consistia numa ruptura para conquistar a região de Montese – Montello.

Apesar de depararem com um adversário valoroso, firme em seu propósito de não ceder terreno e consciente da importância de Montese para o seu sistema defensivo, as tropas brasileiras não desanimaram e cumpriram sua missão conforme planejado, conquistando ao final da tarde o objetivo.

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Tropa de Infantaria em progressão nas vizinhanças de Montese

Após essa memorável jornada que culminou com a conquista e ocupação de Montese, coube a tropa brasileira continuar cobrindo o flanco esquerdo do ataque e manter as posições heroicamente conquistadas, o que foi feito sob tremendo bombardeio inimigo. Isso possibilitou a 10ª Divisão de Montanha do exército estadunidense romper o dispositivo inimigo, por onde foram lançados elementos em aproveitamento do êxito. A missão estava cumprida! Terminava , assim, a epopéia brasileira em Montese. Façanha de muito sacrifício, valor e heroísmo de nossos pracinhas, que serve de exemplo e estímulo aos soldados de hoje.

O sucesso brasileiro serviu para que o Comando aliado incentivasse as demais divisões e foi enaltecido por todos os comandantes aliados. O general Crittenberger, comandante do IV Corpo, assim sintetizou o feito da 1ª DIE:

Na jornada de ontem, só os brasileiros mereceram as minhas irrestritas congratulações; com o brilho do seu feito e seu espírito ofensivo, a divisão brasileira está em condições de ensinar às outras como se conquista uma cidade.

Montese já não existia. Nenhuma casa ficara intacta e só então se pode avaliar o efeito terrível causado pelos disparos de Artilharia. Montese era uma cidade deserta, envolta em ruínas. Em suas casas destroçadas as manchas de sangue assinalam a violência da batalha com que os alemães a defenderam. Mas a completa destruição de Montese ainda não havia terminado. Decorridas mais de 48 horas após a sua captura, os alemães continuavam a bombardeá-la quase que ininterruptamente com artilharia e granadas de morteiros. A todo instante ouvem-se explosões dentro da cidade. Alguns tanques destruídos, paredes caídas, uma bomba de avião que não explodiu, montões de escombros nas ruas, silêncio de homens cansados, eis o que era Montese, outrora uma das mais interessantes das pequenas cidades italianas.

Sua torre principal estava partida, o próprio cemitério estava revolvido pelas bombas. Em vão procurava-se encontrar um habitante de Montese. Só se deparava com portas destroçadas, leitos vazios, cômodos em desordem. Por certo desde que começara a batalha pela sua posse, a população havia abandonado a cidade.

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Vista parcial da localidade e da Torre de Montese

Os brasileiros venceram os nazistas, entre os quais se achavam muitos prussianos, num combate verdadeiramente épico, depois de encontro de ruas, de casa em casa, onde ficaram mortos e feridos muitos combatentes nossos.

Sobre André Luiz!

André Luiz, natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra, - antigo Segunda Guerra.org - escreve sob a expectativa de contribuir com a memória deste trágico conflito e demonstrar mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.

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1 comentário

  1. DIANA OLIVEIRA MACIEL

    Parabenizo o site por documentar parte tão importante da nossa história e assim preservar um pouco dela e enaltecer nossos verdadeiros heróis.
    Como filha do TEN IPORAN NUNES DE OLIVEIRA com pesar informo que o “Herói de Montese”, na realidade herói na guerra e na PAZ, faleceu no último dia 03/12/2011, véspera de completar 94 anos, em 20/12.

    O mundo infelizmente carece de homens honrados como foi pautada a trajetória de toda sua vida.
    Muito além do militar herói, ele nós brindou com sua sabedoria, honestidade, simplicidade, bom humor e disciplina e amor a nossa Pátria.
    Obrigada.
    Diana Oliveira Maciel – dianaomaciel@hotmail.com

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