Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

Segunda Guerra Mundial
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FEB – A Montagem do Embarque

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Essa foi a primeira e delicada tarefa que o Estado-Maior Especial teve de cumprir. Analisemos serenamente os fatos. Diante desse agrupamento de oficiais, duas questões se levantaram para que tomasse um ritmo acelerado o embarque da tropa:
– Constituir o 1º escalão de tropas, para o embarque;
– Destacá-lo do conjunto divisionário e fazê-lo embarcar sem quebra de sigilo.

A constituição, como vimos, estava consumada. Os que ali se encontravam, inclusive o General Comandante da Divisão, aceitaram os fatos consumados, pois era evidente que tudo já viera organizado dos Estados Unidos para uma rápida tramitação entre nós.

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Desfile das Tropas

Restava o problema do embarque propriamente, quando seria impossível controlar o sigilo. Entretanto, havia um fator precioso de êxito: o Estado-Maior Especial, assim designado pelo Ministro da Guerra, de composição e missão absolutamente secretas, era desconhecido de todo mundo. Pode, por isso, manter-se em atividade contínua sem se denunciar, porque esse era o compromisso de cada um dos seus integrantes. Nenhuma diretiva foi estabelecida para o seu trabalho, ao mesmo tempo em que se proibia, formalmente, a preparação de qualquer documento sobre suas atividades.

Na repartição das missões, coube ao Tenente-Coronel Amaury Kruel o encargo de montar a segurança do embarque, sob todos os aspectos.

O Tenente-Coronel Castelo Branco ficou com a incumbência, como Chefe da 3ª Seção, de preparar novos planos, visando à aceleração da instrução, já agora em caráter objetivo, embora dissimulando o embarque parcial da tropa.

No dia 20 de maio, a 1ª Seção de Estado-Maior deu o “pronto” nos efetivos com a recuperação dos especialistas que se encontravam em adestramento, na Escola de Instrução Especializada.

No dia 24 de maio de 1944 a Divisão foi apresentada ao Presidente Getúlio Vargas, em público, com todas as armas que possuía, na maioria antiquada, muito aquém, aliás, do que devia possuir, para parecer uma verdadeira Divisão do tipo estadunidense. O público de nada sabia, embora se tratasse de uma despedida. Por uma questão de curiosidade e de solidariedade humana, a população se concentrou entre a Praça Paris e a Praça Mauá, para assistir o desfile da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária na sua forma definitiva, sentindo que estava iminente a partida. Nada impedia, porém, que muitos dos antigos “Integralistas” e outros de formação nazista difundissem a sua incredulidade procurando, pela desconfiança, e até pela intriga, levar o descrédito ao coração da tropa, atribuindo-lhe qualidades negativas e apelidos pejorativos. E o desfile, para esses negativistas, teria sido uma maneira de ludibriar a opinião pública.

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Desfile

Essa fase, entre 15 de maio e 6 de junho de 1944, foi, entretanto, uma das mais angustiosas para o Alto Comando Aliado. Estava iminente a grande ofensiva estratégica em todo o mundo, mediante a intensificação das operações no Pacífico, a tentativa de desembarque no Mar do Norte e a investida simultânea contra Roma. Esta última operação, no Teatro de Operações da Itália importaria na liberação do Vaticano dos carcereiros nazistas e, principalmente, na desarticulação do Eixo Roma-Berlim, com a queda de um dos seus pólos. Somos dos que acreditam que os aliados, se tivessem podido colocar cem mil brasileiros da FEB na Itália, ao se iniciar a primavera de 1944, as Divisões Americanas e francesas que fossem recuperadas nesse front teriam participado de um desembarque – uma operação de “diversão” de grande envergadura no sul da França, numa verdadeira finta que muito diminuiria a densidade de tropas alemãs na Normandia e teria, talvez, precipitado o desfecho daquela onerosa batalha. Mas tudo se processou com extrema lentidão, particularmente entre nós. Os planos elaborados em Washington não vingaram. Não obedeceram às condições e ao imperativo do tempo.

Sobre André Luiz!

André Luiz, natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra, - antigo Segunda Guerra.org - escreve sob a expectativa de contribuir com a memória deste trágico conflito e demonstrar mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.

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1 comentário

  1. Boa noite
    Acabei de entrevistar um veterano em Araraquara que aparace em destaque na primeira for desta página. É o primeiro homem da esquerda: o Sr. José Marino. Saberia dizer em que jornal ela foi publicada, ou onde encontro a foto numa resolução melhor? Gostaria de presentear o Sr. Marino com ela.
    Obrigado.

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