Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

Segunda Guerra Mundial
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FEB – A Alimentação na Itália

almoco_sobre_o_jeepSuperadas as dificuldades iniciais, a comida fornecida pela cozinha de campanha passou a ser muito bem aceita pelos soldados. A própria instalação da cozinha de campanha causou surpresa, quando a tropa acampou pela primeira vez.

Houve imensa satisfação dos homens ao se engajarem a fundo nos chocolates, nos frangos e nas galinhas, nas costeletas de porco, nas geléias, nos doces de pêssegos e peras da Califórnia, de abacaxis do Havaí, nas saladas de frutas, nas ameixas, passas e sucos.

Foi ao tomar contato com essa forma de alimentação que os oficiais começaram a avaliar o imenso poderio de seus aliados estadunidenses. Todos esperavam receber armas, canhões e outros equipamentos, muitos já conhecidos nas manobras de treino no Brasil, mas, acostumados com a ração anteriormente servida no Brasil, ficaram surpresos com a abundância e com o colorido das frutas e passas, das latas em que vinham vários artigos e alimentos. Um praça chegou a comentar alto: ‘Meu Deus, como a comida desses gringos é bonitinha’.

Mas nem tudo era recebido com esse bom humor: o Pork Lunch, enlatado à base de carne de porco, era servido com tanta frequência que acabou sendo detestado por todos, inclusive pelos estadunidenses. Esse alimento entrou para o anedotário de toda a tropa do V Exército e até os estadunidenses também faziam piadas.

Os cozinheiros, diante das constantes reclamações sobre a inclusão do Pork Lunch no cardápio, resolveram colocar um molho improvisado, para enganar o pessoal. O primeiro praça na fila do rancho, ao perceber a colocação em sua marmita de uma enorme rodela coberta pelo molho, tocava-a com o garfo, meio desconfiado, afastava um pouco o molho, virava-se para trás e avisava aos companheiros: ‘Cuidado, pessoal, ela hoje está camuflada’.

Junto com a primeira refeição, cada soldado recebia um maço de cigarros estadunidenses. Esse fumo agradou tanto à tropa que, quando a Intendência quis fornecer cigarros brasileiros, houve forte reação e a cota de cigarros estadunidenses foi mantida. Os cigarros brasileiros que quiseram servir eram das marcas Victor e lolanda, esta com o desenho de uma mulher loura, logo batizada pela tropa de ‘Bionda Cativa’ (Loura ruim).

A Intendência, prevendo que o tráfego seria prejudicado no inverno, e para evitar que faltasse comida, criou um estoque de emergência, assim escalonado: os soldados, em posição, recebiam um dia de ração K. Com as unidades, um dia de ração K e um dia de ração C. Com a divisão, dois dias de ração B e três de ração C. Com o Exército, 15 dias de víveres brasileiros colocados em Pistóia no Centro de Reprovisionamento do Exército.

Havia ainda dentro da organização do V Exército americano os Serviços de Suprimento Reembolsável, onde, por módica quantia, se adquiria cigarros, bebidas, agasalhos e outros artigos que ofereciam maior conforto. Esse serviço, porém, não se estendia a toda a FEB: os praças só podiam dispor dele quando se encontravam de licença, na retaguarda.

Às vezes tinham oportunidade de conseguir estas mercadorias nos denominados PX – Post Exchange-, junto aos postos da Red Cross, e assim mesmo aquisições limitadas aos soldados. Como na Itália o vinho era bom e abundante, os pracinhas quase sempre trocavam uma garrafa por alguns cigarros ou uma barra de chocolate.

Os tipos de ração distribuídos à tropa.

A Ração K – de assalto – era composta por três pequenas caixas correspondentes às refeições, contendo em cada uma:

  • Uma lata de queijo,
  • Patê ou sopa desidratada – conforme fosse café, almoço ou jantar.
  • Biscoitos, café ou limonada solúvel
  • Chocolate,
  • Cigarros e fósforos,
  • Um tablete de Halazone para purificação d’água,
  • Uma colher
  • Um abridor de latas.
Ração K – Clique na Imagem para Aumentá-la
cafeda-manha almoco jantar
Café da Manhã Almoço Jantar

Todos os alimentos combinados equivaliam a 900 calorias. Esta ração acompanhava os homens, só podendo ser consumida por ordem superior.

A ração C – de combate – compunha-se de 6 pequenas latas:

  • Três contendo alimentos à base de carne, em mistura com cereais,
  • Três com artigos variados: biscoitos, café ou limonada solúvel, chocolate, cigarros, fósforos e um tablete de Halazone.
racaoc
Ração C

Correspondia a 3.800 calorias. Seu transporte ficava a cargo das unidades e o consumo somente poderia ser feito mediante ordem.

A ração B – operacional – era consumida diariamente pela tropa, salvo as patrulhas ou durante os ataques em que os homens, por necessidade, eram levados a utilizar ou  a ração K ou a C.

Era composta das três refeições.

O café da Manhã

  • O café com leite,
  • Pão,
  • Geléia ou manteiga de amendoim
  • Extrato de tomate.

O almoço e o jantar:

  • Carne, às vezes galinha ou peru,
  • Feijão,
  • Arroz,
  • Frutas ou suco de frutas,
  • Ovos,
  • Pão,
  • Doce,
  • Café,
  • Cigarros e fósforos,

Somando 4.000 calorias por refeição.

Além dessas rações, havia a de emergência, a ser consumida em circunstâncias especiais, sendo:

  • Uma barra de chocolate altamente concentrado,
  • Ração “10 por 1” – contendo 10 refeições em um só recipiente para uso coletivo.

Durante o inverno, distribuíam anexadas as rações, complementos multivitamínicos, duas vezes por dia a cada homem, para consumo em cada refeição principal.

No verão, tabletes de sal.


VEJA A GALERIA CONTENDO IMAGENS DAS RAÇÕES

Sobre André Luiz!

André Luiz, natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra, - antigo Segunda Guerra.org - escreve sob a expectativa de contribuir com a memória deste trágico conflito e demonstrar mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.

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2 comentários

  1. Excelente a matéria.
    Dispomos de pouca ou quase nenhuma literatura radiografando o soldado brasileiro em seu dia-a-dia na Itália.
    Aliás, no Brasil também.
    Não temos meios de retratar com fidelidade uma cozinha de campanha. Como colecionador de viaturas militares, tenho me empenhado em aparelhar uma cozinha de campanha para preparar e servir a alimentação de nosso pessoal nos encontros brasileiros de viaturas militares anualmente realizados em Curitiba.
    Deixo o convite para que o André Luiz compareça à um desses encontros e nos ajude a remontar a história dos nossos soldados, independente da época.
    Os encontros ocorrem sempre no dia do Material Bélico, no Parque Barigui, e é uma promoção da Associação Brasileira de Preservadores de Viaturas Militares – ABPVM.
    Atenciosas saudações
    T Fortes

  2. Parabéns pelo site realmente e dificil encontrar sites na internet que esclareçam sobre esse acontecimento que marcou a história da humanidade rico em detalhes e em imagens muito bonito, embora saibamos a verdadeira desgraça que é uma guerra a destruição dos semelhantes devido a interesses de um só

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