Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

Segunda Guerra Mundial
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Crônicas de Guerra – O Milagre e Coisas de Psiquiatra

O Milagre

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Mario Victor de Assis Pacheco

Há fatos interessantes, até jocosos, que devem ser lembrados: O Batalhão se encontrava em Porreta Terme, que em um ângulo morto, logo as granadas de artilharia não iriam atingir a área em que nos posicionávamos.

Passariam por cima. Eventualmente ouvíamos o barulho, coisa assim como um pássaro esquisito, batendo asas, era o ruído da granada de artilharia em sua trajetória. Havia a casa de um italiano, com três andares. A 1º Companhia de Evacuação, que era comandada pelo Capitão Mario Victor de Assis Pacheco, estava acantonada naquele lugar e eu me encontrava em reserva.

Um dia, o Pacheco disse não estar gostando daquele pessoal lá em cima, no terceiro e segundo andares. Então mandou todo mundo descer, sair de lá. Embora soubéssemos que as granadas alemãs devessem passar por cima. Nessa noite, eu não sei, não sou de artilharia, parece que a granada perdeu a força e arrebentou, acabando os dois andares. Foi considerado, vamos dizer um milagre, pois não pegou ninguém.

Coisa de Psiquiatra

Outro fato curioso, a que me referi, diz respeito a um oficial psiquiatra, convocado, muito bom, “muito amigo e tal”, mas bastante pitoresco como quase todo psiquiatra. Ele conseguiu convencer a “chefia” de que o pessoal portador de neurose, problemas psíquicos, adquiridos por causa da guerra, ficasse ali próximos da frente, ouvindo o barulho das granadas que caiam, e, por isso, ocupou um pequeno castelo do outro lado da Praça de Poretta.

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Posto de comando do General Mascarenhas de Moraes em Porreta terme

Um dia, “acertaram La” o castelo e deu-se até a morte de um sargento. Durante a noite, o Newton Gabriel de Souza, que era o comandante do 2º Pelotão de triagem, recebeu a ordem do Capitão Vaz, Comandante da Companhia, para tirar o pessoal daquele local.

Bem, esse oficial psiquiatra, Capitão, chamava-se Mirandolino Jose Caldas. Antes desse fato, costumava levar o pessoal baixado para as termas de Porreta, para tomar banho. Botava todos em forma, coluna por três, não sei se por altura, “aquela historia”; e ele, na frente, marcando. Acontece que, naquela praça, um dia, caíram várias granadas. Quando o médico olhou para trás, estava todo mundo rastejando e ele era o único em pé. Esse episódio virou piada. Coisa de psiquiatra, todo mundo rastejando e ele era o único de pé…

Fonte:
General-de-Divisão
Médico Geraldo Augusto D´Abreu
História Oral do Exército na Segunda Guerra Mundial

Sobre Ricardo Lavecchia

Ricardo Lavecchia tem 35 anos, nascido no dia 22/01/1982. Natural de Santo André – SP Trabalha como vedendor, desenhista nas horas vagas, sempre procurou novas idéias em imagens de livros e jornais, e foi numa dessas buscas que descobriu outra paixão: A Segunda Guerra Mundial. Tinha, então, 18 anos e se deparou com o livro: "Crônicas de Guerra - Com a FEB na Itália" de Rubens Braga. Ao invés de apenas escolher uma imagem para desenhá-la, resolveu ler o livro. O fascínio pelo assunto o tomou por completo. Em suas pesquisas sobre o tema, descobriu não só relatos de guerra, mas amizades sinceras de veteranos, como o Sr. Antônio Cruchaki, veterano do 9º BEC e o falecido Capitão Rocha da Senta a Pua. E-mail: ricardo @ segundaguerra.net

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