Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

Segunda Guerra Mundial
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Crônicas de Guerra – Dirigindo um M25 Dragon Wagon

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Joe no volante de seu M25

Falaremos do veterano Joe Spagnolo durante a Segunda Guerra Mundial. Ele e sua tripulação dirigiram um Dragon Wagon na França, em 1944-45 e fizeram as fotos que ilustram este artigo. A condução do M25, como eles chamavam-lhe, não era tarefa fácil. Toda equipe foi formada na própria unidade, todos eram voluntários, mas ninguém sabia nada sobre o veículo monstro. Eles nem sequer sabiam como reabastecê-lo.

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Joe e um amigo

Eles tinham missão de recuperar tanques alemães e tanques Sherman próximos ao campo de batalha, se possível, caso contrário rebocá-los para oficina. Joe foi designado a comandar uma tripulação de seis homens e um M25.

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Fixando Reboque

Não tardou para que estes homens descobrissem que o Dragon Wagon era um veiculo fantástico. Um Sherman ficou preso (afundado) na lama em cerca de 30 metros de estrada intransitável e o Dragon Wagon foi capaz de puxá-lo. Os operadores de tanques não acreditavam no que via.

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Operando Guincho

Num M25 era possível também carregar uma enorme quantidade de carga.

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Observa-se um M25 portando imensa carga

Os homens da equipe de Joe tentavam reparar os Shermans no campo. Caso não conseguissem, os tanques eram levados para a oficina.

Algumas vezes precisaram se defender. O M25 era equipado com uma metralhadora calibre 50. , arma esta que Joe era muito hábil. E quando um tanque Sherma precisava de operador, lá estava Joe novamente pronto para conduzi-lo.

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Joe empunhando a .50

No interior da cabine havia ainda uma submetralhadora Tompson e uma carabina M1, e todos da equipe portavam pistolas 45.

No interior da cabine não havia muito espaço, além de ser muito quente no verão e excessivamente gelado no inverno. Assim como num tanque, a tripulação tinha que lutar, trabalhar, comer e dormir no seu veículo.

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Uma refeição rápida enquanto o trator reboca o M25

Além de recuperar  Shermans, tanques alemães também eram rebocados à oficina para que pudessem ser analisados a fim de se descobrir os seus pontos fortes e fracos. Joe rebocou alguns tanques Panther e 3 tanques Tiger, juntamente com diversos tanques Sherman que necessitaram de repararos.

Porém após um tempo, Joe recebeu ordem para ir ao campo de batalha e rebocar somente tanques alemães. Certa vez um Panther caiu numa armadilha. A explosão matou o seu artilheiro e Joe acabou perdendo parte de sua audição por causa do evento.

Ter seus tanques capturados por soldados estadunidenses não agradou nenhum um pouco aos alemães.

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Uma troca de roda

A manutenção do M25 era extensa. A cabine blindada era muito pesada para o chassi,  gerando diversos problemas. Diversas vezes transportavam tanques que ultrapassavam o limite de peso máximo recomendado. O limite de peso estipulado para o transporte era  40 toneladas, o que permitia carregar um Sherman, porém os Panthers eram muito mais pesados. O excesso de peso era o principal problema de danos ao M25. Seus eixos muitas vezes simplesmente arriavam.

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M25 com eixo traseiro arriado

O M25 patinava em estradas nevadas. Em várias ocasiões um M25 precisou puxar outro nos meses de inverno.

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Um M25 rebocando outro na subida de uma colina

O único desgosto de Joe era que por descender de família italiana, alguns soldados, incluindo alguns de sua tripulação, não gostavam de vê-lo no comando.

Joe era robusto e não aturava desaforos, e chegou a se envolver em brigas com alguns soldados. Isso ao menos fazia ocm que todos ao seu redor o respeitasse.

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Joe e seu Caminhão

Joe esteve por toda a guerra ao lado do mesmo veículo. No final dao conflito em 1945, ele e sua equipe dormiam sob a Torre Eiffel em seu Dragon Wagon.

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Sobre Ricardo Lavecchia

Ricardo Lavecchia tem 35 anos, nascido no dia 22/01/1982. Natural de Santo André – SP Trabalha como vedendor, desenhista nas horas vagas, sempre procurou novas idéias em imagens de livros e jornais, e foi numa dessas buscas que descobriu outra paixão: A Segunda Guerra Mundial. Tinha, então, 18 anos e se deparou com o livro: "Crônicas de Guerra - Com a FEB na Itália" de Rubens Braga. Ao invés de apenas escolher uma imagem para desenhá-la, resolveu ler o livro. O fascínio pelo assunto o tomou por completo. Em suas pesquisas sobre o tema, descobriu não só relatos de guerra, mas amizades sinceras de veteranos, como o Sr. Antônio Cruchaki, veterano do 9º BEC e o falecido Capitão Rocha da Senta a Pua. E-mail: ricardo @ segundaguerra.net

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1 comentário

  1. Excelente artigo Ricardo! Tenho um razoável conhecimento sobre a Segunda Guerra e sobre equipamentos militares, mas ainda não tinha ouvido falar nessa viatura (M25). Sempre há algo novo para aprender! Muito interessante esse relato sobre a manutenção de veículos ocorrida durante e após as batalhas. Para rebocar carros de combate em pleno campo, esse M25 devia ter sido um “monstro” mesmo! Grande abraço e parabéns pelo site!

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