Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

Segunda Guerra Mundial
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Condenados de Nuremberg

As acusações foram lidas no dia 20 de Novembro de 1945. Foram 24 homens acusados, mas apenas 21 é que foram a julgamento.

  • Robert Ley cometeu suicídio antes de o julgamento iniciar;
  • Gustav Krupp foi considerado muito debilitado para comparecer em tribunal;
  • Martin Bormann estava desaparecido e foi julgado à revelia (sentenciado à pena capital).

Cada um dos acusados foi condenado sob uma ou mais das seguintes acusações:

  1. Conspiração e atos deliberados de agressão;
  2. Crimes contra a paz;
  3. Crimes de guerra
  4. Crimes contra a humanidade.

No dia 1 de Outubro de 1946, foi lido o veredicto: 12 dos acusados sentenciados à morte, 3 sentenciados à prisão perpétua, 4 sentenciados com prisão entre 10 e 20 anos, e 3 foram absolvidos.

Acusado Acusações Declaração de defesa Sentença

Hermann Goering
Marechal do Reich

1, 2, 3, 4 “Os campos de concentração, as detenções e a repressão não são criações do nazismo, mas necessidades políticas. Todas as nossas ações militares eram fundamentadas na necessidade de espaço vital. Compreendo que países que ocupam 3/4 do Planeta não compreendam, facilmente, esta necessidade alemã.” Sentenciado à Forca- Suicidou-se na noite anterior à execução. 


    Seu corpo foi erguido na forca, ao lado de todos os enforcados.

      Rudolf Hess
      Vice-fuhre

      1, 2

      “Não estou louco, a minha cabeça ainda funciona. Quero deixar bem claro que reconheço a minha responsabilidade em todos os atos que pratiquei e autorizei. A minha opinião de princípio é de que este Tribunal não tem competência.” Sentenciado à Prisão Perpétua- Foi o último prisioneiro da prisão especial para criminosos de guerra, em Spandau até a sua morte no dia17 de Agosto de 1987.

      Joachim von Ribbentrop
      Ministro dos Negócios Estrangeiros do Reich

      1, 2, 3, 4

      “Como ministro dos Negócios Estrangeiros devia seguir as normas ditadas por Hitler. Considero-me inocente em todas as acusações.” Sentenciado à Forca
      Enforcado a 16 de Outubro de 1946.

      Wilhelm Keitel
      General, chefe do OKW

      1, 2, 3, 4

      “Defendo-me com a obrigação, comum a qualquer militar, de obediência às ordens dos superiores.” Sentenciado à Forca 


      Enforcado a 16 de Outubro de 1946.

      Ernst Kaltenbrunner
      Chefe do RSHA

      3, 4

      “A primeira vez que tive ciência de Auschwitz foi em Novembro de 1943. Disseram-me que era um campo de internato. Até Fevereiro ou Março de 1944, Himmler jamais admitiu que naquele ‘lager’ se cometiam as chacinas. Eu deixei bem claro o meu protesto.” Sentenciado à Forca
      Enforcado a 16 de Outubro de 1946.

      Alfred Rosenberg
      Ministro dos Territórios Ocupados de Leste

      1, 2, 3, 4

      “Considerava as execuções como um fato comum em situações de guerra generalizada. O próprio comando da Wermacht, à semelhança dos meios de comunicação, noticiava o fuzilamento de reféns. Não se pode excluir que, de acordo com as normas jurídicas e numa situação de guerra, estes fatos possam ser considerados como uma represália lícita.” Sentenciado à Forca 


      Enforcado a 16 de Outubro de 1946.

      Hans Frank
      Governador-General da Polônia ocupada

      3, 4

      “À luz dos atuais debates e depois de ter lançado um último olhar sobre tantos horrores indescritíveis, do mais fundo do meu coração, que levo em mim um profundo sentimento de culpa.” Sentenciado à Forca 


      Enforcado a 16 de Outubro de 1946.

      Wilhelm Frick
      Ministro do Interior

      2, 3, 4

      “Cumpri o meu dever de funcionário do Estado. Se me condenam a mim teriam, então, que condenar milhares de outros funcionários.” Sentenciado à Forca 


      Enforcado a 16 de Outubro de 1946.

      Julius Streicher
      Editor do jornal Der Sturmer

      4

      “Tenho a consciência de afirmar que, indiretamente, contribuí para a elaboração do projeto das leis de Nuremberg.” Sentenciado à Forca 


      Enforcado a 16 de Outubro de 1946.

      Walther Funk
      Ministro da Economia, presidente do Reichsbank

      2, 3, 4

      “A liquidação econômica dos judeus foi obra minha. Nesse momento devia ter apresentado a demissão. Sou culpado, confesso-me culpado!” Sentenciado à Prisão Perpétua 


      Libertado devido a doença a 16 de Maio de 1957. Morreu em 1960.

      Karl Doenitz
      Almirante
      comandante-chefe da Marinha, 1943-45; Chanceler, 1945

      2, 3

      “Considero limpa a forma como decorreram as ações de guerra executadas pelos submarinos alemães, acreditando que agi sempre de acordo com a minha consciência enquanto comandante supremo da Marinha e como último chefe de Estado.” Sentenciado a 10 Anos de Prisão 


      Libertado a 1 de Outubro de 1956 depois de ter cumprido a pena e morreu a 24 de Dezembro de 1980.

      Fritz Sauckel
      Plenipotenciário da Colocação de Trabalhadores

      2, 4

      “Os cinco milhões de trabalhadores deportados para o Reich agiram de sua livre vontade, escolhendo partir para a Alemanha.” Sentenciado à Forca 


      Enforcado a 16 de Outubro de 1946.

      Alfred Jodl
      Chefe de Operações do OKW

      1, 2, 3, 4

      “Foi Hitler e não eu quem preparou a agressão contra a URSS.” Sentenciado à Forca 


      Enforcado a 16 de Outubro de 1946.

      Em 1953, um tribunal alemão considerou Jodl inocente de infringir a lei internacional.

      Albert Speer
      Ministro do Armamento e da Produção de Guerra; Arquitecto pessoal de Hitler

      3, 4

      “De início, via o Führer como o único homem capaz de manter a coesão do povo alemão. Foi isso que me levou a segui-lo fielmente.” Sentenciado a 20 Anos de Prisão 


      Cumpriu a pena. Morreu a 1 de Setembro de 1981.

      Konstantin von Neurath
      Ministro dos Negócios Estrangeiros e Protetor do Reich de Boêmia e Moravia

      1, 2, 3, 4

      “Sempre tive medo que, de um momento para o outro, me acontecesse qualquer coisa pelo fato de me manifestar contra Hitler.” Sentenciado a 15 Anos de Prisão 


      Libertado em 1953 devido a doença e morreu a 14 de Agosto de 1956.

      Erich Raeder
      Comandante Supremo da Kriegsmarine(1928-1943)

      2, 3, 4

      “Não era possível ir ter com Hitler e apresentar um pedido de demissão. Isso seria considerado como um gesto de insubordinação. Por outro lado, considero-me suficientemente disciplinado para atuar dessa forma.” Sentenciado à Prisão Perpétua 


      Libertado em 1953 devido a doença em 26 de Setembro de 1955. Morreu a 6 de Novembro de 1960.

      Balder von Schirach
      Chefe da Hitlerjugend

      4

      “Foi a mais monstruosa e satânica chacina da história do Mundo.” Sentenciado a 20 Anos de Prisão 


      Cumpriu a pena. Morreu a 8 de Agosto de 1974.

      Franz von Papen
      Embaixador da Turquia

      “O meu dever de patriota, por penosa que essa situação se revelasse, impunha-me continuar na diplomacia.” Absolvido 


      Em 1947, um tribunal de desnazificação alemão sentenciou Papen em 8 anos num campo de trabalho; ele foi absolvido depois de recurso quando já tinham decorridos dois anos. Morreu a 2 de Maio de 1969.

      Arthur Seyss-Inquart
      Ministro do Interior e Chanceler de Áustria

      2, 3, 4

      “Hitler, Himmler, Bormann e Heydrich são os verdadeiros culpados dos crimes de que me acusam.” Sentenciado à Forca 


      Enforcado a 16 de Outubro de 1946.

      Hans Fritzsche
      Chefe da divisão de rádio do Ministério da Propaganda

      “Nunca me filiei no partido em virtude de discordar do seu programa e dos princípios expostos no Mein Kampf. Sempre contestei os métodos brutais do partido.” Absolvido 


      Morreu a 27 de Setembro de 1953.

      Hjalmar Schacht
      Ministro da Economia

      “Só sabia o que todos os alemães sabiam.” Absolvido 


      Morreu a 3 de Junho de 1970.

      As sentenças à morte foram executadas por enforcamento. Os juízes franceses sugeriram o uso do fuzilamento para os condenados militares, por se tratar de um procedimento normal em tribunais de guerra militares, mas foi contradito por Biddle e pelos juízes soviéticos. Estes argumentaram que os oficiais militares não mereciam o fuzilamento – o que seria mais dignificante – pois violaram a ética militar.
      Foi afirmado que Streicher tenha gritado “Heil Hitler!” na forca.
      Os condenados a prisão foram encarcerados na Prisão de Spandau.

      Veja Também:

      – Julgamentos de Nuremberg – Parte I
      – Julgamentos de Nuremberg – Parte II
      – Julgamentos de Nuremberg – Parte III
      – Além de Nuremberg – O Julgamento Japonês
      – Além de Nuremberg – Outros Tribunais

      Sobre André Luiz!

      André Luiz, natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra, - antigo Segunda Guerra.org - escreve sob a expectativa de contribuir com a memória deste trágico conflito e demonstrar mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.

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