Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

Segunda Guerra Mundial
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frei orlando3 - Capelão Frei Orlando - Patrono do Serviço de Assistência Religiosa do Exército

Capelão Frei Orlando – Patrono do Serviço de Assistência Religiosa do Exército

frei-orlando3O Patrono do Serviço de Assistência Religiosa do Exército nasceu em Morada Nova, no interior de Minas Gerais, em 13 de fevereiro de 1913, sendo batizado com o nome de Antônio Álvares da Silva. Iniciou seus estudos no Colégio dos Franciscanos, em Divinópolis (MG) e os concluiu na Holanda (Europa), de onde retornou para o Brasil a fim de ser ordenado sacerdote. Nascia, assim, o Frei Orlando.

Em 1937, Frei Orlando foi destacado para o Colégio de Santo Antônio, em São João del-Rei, MG, onde lecionou Português e História. Foi nessa histórica cidade mineira que ele viu a 2ª Guerra Mundial eclodir e presenciou a preparação do Brasil para tomar parte nesse evento que marcou o século XX.

Quando o Comandante do 11º RI – Regimento de Infantaria, “Regimento Tiradentes”, Coronel Delmiro Pereira de Andrade, já acantonado no Rio de Janeiro, enviou despacho telegráfico ao Comissariado dos Franciscanos em São João del-Rei, solicitando a indicação de um religioso para capelão militar, Frei Orlando apresentou-se como voluntário para integrar a Força Expedicionária Brasileira. Na Itália, ele prestou inúmeros e valiosos serviços às tropas brasileiras, integrando as fileiras do 11º RI.

Às vésperas da Tomada de Monte Castelo, Frei Orlando quis visitar uma das companhias da linha de frente. Perto da cidade de Bombiana, foi vítima de uma fatalidade, um disparo acidental o matou.

O Patrono do SAREx foi enterrado no Cemitério Brasileiro Militar de Pistóia. Em dezembro de 1960, seus restos mortais foram trasladados para o Monumento aos Mortos na 2ª Guerra Mundial, na cidade do Rio de Janeiro.

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O Capitão Francisco Ruas Santos, em documento valioso
descreve como ele viu morrer o nosso querido Frei Orlando:

Frei Orlando, Capelão do Batalhão, estivera pela manhã do dia 20 de fevereiro de 1945, no desempenho de seus deveres funcionais, em visita as posição da 4ª Cia., na região entre Falfare e Columbura. A zona da 4ª e a 6ª Companhias, esta indo de Falfare a Bombiana, eram as que estavam sendo mais castigadas pelos alemães. Por isso, Frei Orlando, no observatório do Batalhão, em Monte Dell’Oro, manifestou ao Major Ramagem, seu Comandante, a intenção de visitar também a 6ª Cia. Quis, então, atingir as posições dessa Companhia pelo caminho mais curto, que ia do observatório a casa M di Bombiana e desta a Bombiana. Mas o Major Ramagem não concordou com esse itinerário, pois, na ocasião, estava todo ele sendo pesadamente batido pelos alemães. Sugeriu ao Capelão que do observatório ganhasse a contra-encosta de Monte Dell’Oro e fosse até o PC do Batalhão em Docce, de onde poderia chegar às posições da 6ª por um caminho menos exposto.

Frei Orlando encaminhou-se para Docce pelo itinerário lembrado pelo Major e achava-se à margem do caminho que ligava o PC do Batalhão ao ponto cotado 789, a 300 metros de Bombiana, quando por ele sua eu num “jeep”, para esta última região. O Capelão, inteirado da direção da viatura, nela tomou lugar. No “jeep” já se encontravam o Cabo Gilberto Torres Ruas, motorista, um praça do II Batalhão e um militar italiano, posto à disposição do Regimento, para os serviços de transporte em montanha.

Frei Orlando, em caminho, depois de dizer o que fizera pela manhã e o que pretendia fazer, falava de uma irradiação feita pelos holandeses livres para a parte ocupada de seu país. A uma observação qualquer chegou a soltar uma das suas costumeiras gargalhadas. O “jeep” marchava lentamente pelo caminho conduzindo ao ponto cotado 789, quando, de repente, estaca, imobilizado por uma pedra. Prendia esta o eixo dianteiro. Os passageiros conseguem retirar a viatura, que é posta alguns metros além da pedra fatídica. Tomo a manivela do “jeep” e me esforço para removê-la. O italiano, no intuito de ajudar-me, recurva-se junto à pedra e também tenda retira-la a violentas coronhadas de sua carabina. Esta dispara. Frei Orlando, que se achava parado a uns três metros, é atingido pelo projétil, solta um grito e leva a mão ao peito, dá alguns passos à frente, tirando, ao mesmo tempo, com a mão direita, do bolso do casaco, o seu terço e balbuciando, às pressas, uma Ave-Maria. Corro para ele e o faço deitar-se à margem do caminho. A oração, apenas começada, é abafada pelo ofegar da agonia. Tudo isso, desde o fatal disparo, dura uns dez segundos.

Retorno rapidamente a Docce, em busca de socorro médico e trago o Capitão João Batista Pereira Bicudo, facultativo do Batalhão. Este pôde apenas verificar achar-se morto o Capelão, desde o momento, talvez, em que acabara de ser deitado à margem do caminho. O italiano abraçado ao corpo do Capelão, chorava e se lamentava. Um pastor das redondezas contemplava esta cena. O médico descobre-se, persigna-se e reza pela alma de Frei Orlando, no que é seguido pelo Capitão e pelo Cabo.

Eram, aproximadamente, 14:00 horas do dia 20 de janeiro de 1945…

Texto extraído do livro “De São João del-Rei ao Vale do Pó”
Autor: Gentil Palhares

Decreto que instituiu o Patrono do Serviço de Assistência Religiosa do Exército

“O presidente da República, usando da atribuição que lhe confere o artigo 74, letra a) da Constituição, e considerando que o capelão militar, capitão Antônio Álvares da Silva, Frei Orlando, tombado na linha de frente, em Bombiana, Itália, a 20 de fevereiro de 1945, prestou inestimáveis serviços à Força Expedicionária Brasileira, nas fileiras do Regimento Tiradentes, onde sua memória é justamente venerada, considerando haver ele demonstrado possuir peregrinas virtudes morais e cívicas que o recomendam à posteridade como modelo do verdadeiro sacerdote e capelão militar; resolve instituí-lo Patrono do Serviço de Assistência Religiosa do Exército Brasileiro, criado, em caráter permanente, por Decreto-lei n° 8.921, de 28 de janeiro de 1946.”

Histórico do Serviço de Assistência Religiosa do Exército (SAREx)

Muitos religiosos acompanharam os soldados brasileiros nas guerras travadas no século passado. Nos intervalos dos confrontos, sacerdotes e combatentes se reuniam para prestar o culto a Deus. Tudo isso resultava do funcionamento da Repartição Eclesiástica do Exército Imperial, fundada em 24 de dezembro de 1850 e encarregada de proporcionar assistência religiosa às nossas tropas. Os nossos compêndios de História Militar citam os trabalhos realizados por vários capelães militares, especialmente na Guerra da Tríplice Aliança. Com o advento do regime republicano e a separação de Estado e Igreja no Brasil, entretanto, foram abolidos temporariamente os serviços espirituais no meio castrense.

Décadas depois, precisamente no ano de 1944, fase em que o Brasil preparava a Força Expedicionária Brasileira para combater na Itália, durante a 2ª Guerra Mundial, foi restabelecido o serviço de amparo espiritual à tropa. Criava-se, naquela ocasião, o Serviço de Assistência Religiosa das Forças Armadas, sendo logo nomeados os primeiros capelães para o Exército, Marinha e Aeronáutica.

Desde então, o Serviço de Assistência Religiosa do Exército vem prestando os mais relevantes serviços ao bem-estar espiritual da Força Terrestre. Compartilhando a fé divina com os militares que professam outras crenças religiosas, os capelães militares têm acompanhado e confortado nossas tropas em todas as situações em que se fazem necessários.

frei orlando cartaofrei orlando cartao 1Cartão de Frei Orlando dado à uma família de São Joao d’el Rey – MG

 Fonte: Acervo Roberto R. Graciani

Sobre André Luiz!

André Luiz, natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra, - antigo Segunda Guerra.org - escreve sob a expectativa de contribuir com a memória deste trágico conflito e demonstrar mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.

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2 comentários

  1. Conheco o Gilberto torres ruas que estava com ele no jeep, ele se encontra vivo ainda e conversei muito da vida de dele com ele etc, ele me contou outra versão sobre a morte de frei orlando. muit interessante tudo.

  2. Deus, muito obrigada pela vida do Sd.Frei Orlando, (Antonio A.da Silva), vc sempre será menos para os q entendem q menos é sempre mais diante do trono de Jesus Cristo. Onde vc se encontra agora neste momento, peço permissão a Deus Pai,Deus Filho e Desu Espirito Santo e q sejas o nosso advogado (meu de minha irmãs),pois o que estão tentando fazer com nossos direitos… apenas a fé q tenho e o carinho por sua bondosa alma me faz, dizer o nosso processo está nas mãos de Jesus Cristo e vossas, filho de Deus e a estrela q do alto ilumina quem tem fé e agradece por nos orientar. Frei Orlando q a luz divina de Jesus Cristo jamais se apague e eu aqui veja-o sempre através dos piscares das estrelas.Muito obrigada alma de Frei Orlando.

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