Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

Segunda Guerra Mundial
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As Ultimas Loucuras de Hitler – Me-262: Caça ou Bombardeiro?

Mais um exemplo de que atitudes equivocadas de Adolf Hitler causaram a queda da Alemanha Nazista

À medida que a situação piorava, Hitler foi ficando mais inacessível a todo argumento oposto às suas opiniões, tornando-se mais autoritário do que tinha sido até então. Isso teve consequências importantíssimas no campo técnico, daí decorrendo ter-se inutilizado a mais valiosa das nossas “armas maravilhosas”: o Me-262, nosso avião de caça mais moderno, com velocidade superior a oitocentos quilômetros por hora e capacidade de ascensão superior a todos os aparelhos inimigos.

me262

Já em 1941, apenas como arquiteto, eu testemunhara o ruído ensurdecedor de um motor a jato, durante a visita que fiz à fábrica de aviões desse tipo, Heinkel, em Rostock. O aparelho estava em experiência. Seu construtor, o Professor Ernst Heinkel, insistiu naquela época no aproveitamento da­quele invento revolucionário. Durante a reunião em que se tratou de armamentos, em setembro de 1943, no campo de provas da Luftwaffe, em Rechlin, Milch entregou-me, sem pronunciar uma palavra, um telegrama que recebera na oca­sião. O telegrama transmitia uma ordem de Hitler no sentido de paralisar os preparativos feitos para o fabrico em série do Me-262. Sem dúvida, decidimos não dar atenção àquela ordem, mas os trabalhos não puderam ser feitos com a pressa necessária.

Três meses depois, em 7 de janeiro de 1944, Milch e eu recebemos, ordem para nos apresentarmos no quartel-general. Essa ordem fora motivada pelo recorte de um jornal inglês em que se noticiava a próxima conclusão dos ensaios britâni­cos com os aviões a jato. Hitler, impaciente, exigiu que, no menor prazo possível, fabricássemos um grande número desses aparelhos. Entretanto, como já tínhamos abandonado os tra­balhos preparatórios anteriores, só pudemos prometer para julho de 1944 a entrega de sessenta unidades mensais. De acordo com nossos cálculos, depois de janeiro de 1945 seriam fabricados duzentos e dez aparelhos por mês.

No decurso da reunião, Hitler deu a entender que cogitava de empregar como bombardeiro rápido o avião fabricado para atuar como caça. Os especialistas da Luftwaffe viram-se ludibriados. Supunham, entretanto que mediante argumentos de peso iriam alterar as intenções de Hitler. Mas houve o contrário disso: Hitler, teimosamente, mandou que se tirassem as armas de bordo dos aviões para aumentar-se o peso da carga de bombas. Sua opinião era que os aviões a jato não tinham necessidade de defesa, porquanto, tendo velocidade superior, os caças inimigos não os alcançariam. Muito des­confiado ainda com a nova invenção, determinou, para pro­teger o sistema de propulsão dos aparelhos, que estes fossem empregados, por algum tempo, em rumo vertical e a grande altura, tendo-se em conta uma diminuição da velocidade para redução dos esforços a que pudesse estar submetido o sistema, ainda não posto em prova.

Com uma carga de bombas de quinhentos quilos e um primitivo dispositivo de pontaria, o efeito desses pequenos bombardeiros foi ridiculamente insignificante. No entanto, se tivesse sido empregado como caça, aquele aparelho, por suas qualidades superiores, abateria os quadrimotores norte-americanos que despejavam milhares de toneladas de explosivos sobre as cidades alemãs.

Nos últimos dias de junho de 1944, Goering e eu ten­tamos, mais uma vez em vão, *nudar o pensamento de Hitler. Pilotos de caça tinham experimentado os novos aparelhos e pediam que fossem utilizados contra as frotas de aviões de bombardeio norte-americanos. Hitler não fez caso das nossas palavras. Baseava sobre qualquer ponto seus argumentos irreflexivos e opinava que a velocidade nas evoluções e a rapidez na mudança de altitude exporiam os pilotos a esforços físicos consideravelmente maiores do que os atuais. Ora, ainda se­gundo Hitler, precisamente a maior velocidade dos novos caças redundaria para eles em desvantagem, no combate aéreo, porquanto os caças inimigos poderiam manobrar melhor, graças à sua menor velocidade. O fato de os novos aparelhos poderem voar a maior altura do que os caças de escolta ame­ricanos, e por sua maior velocidade poderem atacar os lentos grupos norte-americanos de bombardeio, não impressionou Hitler. Quanto mais insistíamos, mais ele permanecia emper­rado em suas ideias. Quando muito, para consolar-nos, pro­meteu-nos que em futuro distante ordenaria um emprego par­cial daqueles aparelhos em missões de caça.

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Todos aqueles que, de certo modo, tinham autoridade para tratar com Hitler desse assunto tentaram mudar a opi­nião dele, devido à nossa desesperadora situação aérea: Jodl, Guderian, Model, Sepp Dietrich e, naturalmente, os principais generais da Luftwaffe pronunciaram-se insistentemente contra a decisão de Hitler. O Führer assim demonstrava que todos os pronunciamentos daqueles oficiais desvalorizavam, de certo modo, os conhecimentos militares dele e a sua compreensão da técnica. Quando chegou o outono de 1944, livrou-se afinal, conforme seu estilo pessoal, de todas as discussões e da cres­cente insegurança a respeito, proibindo que daquela época em diante tocassem no assunto com ele.

Quando eu disse por telefone ao General Kreipe, chefe do Estado-Maior da Luftwaffe, o que eu pretendia expor a Hitler, em meu relatório de meados de setembro, a respeito dos aviões a jato, o general, insistentemente, aconselhou-me a não fazer nenhuma alusão a respeito. Hitler perderia por completo o domínio de si mesmo e eu provocaria a maior entre todas as dificuldades somente com a menção do Me-262. Apesar da advertência do general, eu insisti com Hitler, expli­cando-lhe que o emprego do avião fabricado para caça como bombardeiro carecia de sentido, sendo totalmente errôneo, dada nossa situação militar. Acrescentei que era a opinião dos chefes militares da Aviação e também dos oficiais do Exército. Hitler não fez caso das minhas ponderações e retirei-me ao setor da minha jurisdição, pois, na realidade, a questão do emprego de aviões incumbia-me tão pouco quanto a da escolha do tipo de avião que se deveria fabricar.

Fonte: Texto transcrito e renomeado – Extraído do livro ” Por Dentro do III Reich” de Albert Speer

Sobre Ricardo Lavecchia

Ricardo Lavecchia tem 35 anos, nascido no dia 22/01/1982. Natural de Santo André – SP Trabalha como vedendor, desenhista nas horas vagas, sempre procurou novas idéias em imagens de livros e jornais, e foi numa dessas buscas que descobriu outra paixão: A Segunda Guerra Mundial. Tinha, então, 18 anos e se deparou com o livro: "Crônicas de Guerra - Com a FEB na Itália" de Rubens Braga. Ao invés de apenas escolher uma imagem para desenhá-la, resolveu ler o livro. O fascínio pelo assunto o tomou por completo. Em suas pesquisas sobre o tema, descobriu não só relatos de guerra, mas amizades sinceras de veteranos, como o Sr. Antônio Cruchaki, veterano do 9º BEC e o falecido Capitão Rocha da Senta a Pua. E-mail: ricardo @ segundaguerra.net

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5 comentários

  1. O rumo da WWII poderia ter sido completamente diferente por causa dessa teimosia. Hitler foi muito inepto.

  2. DERALDO BARACHO MAGALHAES

    realmente hitler vacilou, tinha tudo para ganhar a guerra e destroir a arrogancia de Stalin….

  3. Gabriel duraes santosg

    Muito bom…..otimo documentario.

  4. jose carlos silva dos santos

    O pricipal erro de Hitler e que o fez perder a segunda guerra, foi ter suspendido os bombardeios sobre Londres, que já estava quase se redendo, e daria a alemanha o dominio quase total da europa, para relocar tropas para a invasao da Russia, que acabou dizimando seus exercitos pela bravura dos soldados russos e o impiedoso inverno russo.A derrota alema na russia, foi o inicio do fim do terceiro Reich.

  5. Excelente!!!

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