Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

Segunda Guerra Mundial
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Armas da Segunda Guerra – Trator M5 de uso da Força Expedicionária Brasileira – FEB

O ESTRANHO TRATOR M-5 NA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA – 1944/45

Com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, em 1942, o Exército Brasileiro passou a receber equipamentos motomecanizados,  modernos,  oriundo dos Estados Unidos para equipar dentre outras as unidades de artilharia, dando-lhes uma nova dimensão, seja em termos de mobilidade e capacidade de poder de fogo.

Com a criação da Força Expedicionária Brasileira – FEB, em 1943 e seu envio para o teatro de operações na Itália em 1944/45, coube ao 1º Grupo do 1º Regimento de Artilharia Pesada Curta – I/1ºRAPC a primazia na utilização do então moderno TRATOR M-5 de 13 toneladas e alta velocidade, uma grande novidade entre nós.

Vista frontal lateral do Trator M-5. Notar sua estranha configuração. 

Estes tratores eram viaturas militares sobre lagartas para tração pesada, destinada principalmente a rebocar obuseiros de 105 e 155 mm e neste caso eles tracionavam as 18 peças de 155 mm, sendo uma para cada trator, e todos receberam a matrícula FEB 440-C, que indicava pertencer à 3ª Bateria do IV Grupo do I/1º R.A.P.C. e o respectivo número do veículo de dois dígitos como 81, 77, 78, 79, 80, etc, e alguns chegaram a possuir nomes como VERA, que representava uma forma carinhosa de manter viva a saudade sobre a pessoa amada que aguardava a volta  do combatente ao solo brasileiro.

Vista frontal do Trator M-5 da FEB com capota. Notar as matrículas nos para-lamas, as marcações brasileiras e o nome VERA abaixo do para-brisa central.

De aparência estranha se comparado com os outros veículos empregados naquele teatro de operações, ele desenvolvia uma velocidade de 48km/h que podia numa emergência chegar a 56km/h. Dispunha de compartimentos apropriados para pessoal, 9 homens sentados, munições (30 granadas de 155mm), ferramental, sobressalentes e outros equipamentos necessários ao seu uso, podendo ser usado nas configurações aberto e fechado com uma capota de lona que lhe dava um ar mais sóbrio onde ostentava força e robustez.

Peça de artilharia de 155mm da 3ª Bateria do IV Grupo do I/1º R.A.P.C. e dois tratores M-5 da FEB. Notar a ausência da capota e as marcações brasileiras nas laterais e traseira dos veículos. Itália 1944/45. 

Era impulsionado por uma motor a gasolina Continental modelo R 6 572, de seis cilindros em linha, quatro ciclos, refrigerado a água, válvula na cabeça, com dois carburadores e potência máxima de 235 HP. Sua embreagem era do tipo pesada com reduzida de baixa e alta velocidade, acionada a ar comprimido por meio de um pedal de serviço e em situação de emergência, na falta de ar, existia um outro pedal que funcionava mecanicamente. A transmissão era do tipo helicoidal de passe constante, com quatro velocidades à frente e uma a ré, que combinando a transmissão com a redução de embreagem, obtêm-se oito velocidades e duas marchas a ré.

Vista traseira e lateral. Notar o compartimento central do motor com sua grade de proteção. 

A versão M-5 era dotada de lagartas de aço T36E6 ou T55E1 com garras integrais, de 24cm de largura, padronizada para carros de combate leves, podendo ainda empregar lagartas de borrachas amovíveis modelo T16, o que lhe proporcionava uma grande mobilidade em terrenos lamacentos e íngremes e boa velocidade em estradas.

Sua aparência ficava ainda mais estranha em razão de existir na sua parte frontal um compartimento onde se alojava um guincho com capacidade de 6,8 toneladas.

Dispunha ainda de controles e conexões para acionar no reboque freios elétricos ou pneumáticos, existindo na sua parte traseira tomadas para ambos os tipos.

Foi um grande avanço para este novo conceito de artilharia que se vislumbrava com a segunda guerra mundial, fator determinante na modernização dos meios até então utilizados no Brasil, quando o mais moderno era a artilharia hipomóvel e auto-rebocável, certo é que eles prestaram um grande apoio às demais unidades da FEB envolvidas nos combates com unidades alemãs e italianas e após a guerra os 18 tratores M-5 foram enviados para o Brasil e incorporados no Exército Brasileiro que já recebia diversos outros iguais e modelos similares que foram empregados com sucesso até os anos 80.

Vista frontal lateral do Trator M-5 com capota de lona, o que lhe dá um ar mais estiloso e uma proteção para a tripulação contra as intempéries. 
Detalhe do interior do compartimento da tripulação. Notar os bancos laterais e o habitáculo do motorista e as alavancas de direção, na parte frontal. Atrás do banco do motorista está o compartimento de munição 155mm e logo atrás o motor. 


Nome: Trator M-5, 13 Ton, High-Speed

Comprimento: 4,851m

Largura: 2,540m

Altura total: 2,642m

Suspensão: Mola voluta vertical

Peso em ordem de combate: 12.958kg

Pressão sobre o solo: 0,502m

Guarnição: 9 homens

Armamento: uma metralhadora .50

Motor: Continental R 6 572, seis cilindros, quatro ciclos, 235HP, a gasolina, refrigerado a água

Sistema elétrico: 12 volts

Capacidade do tanque de combustível: 378,6 litros de gasolina de 70/72 a 80 octanas sendo 189,3 em cada um dos dois tanques

Raio de ação: 240km

Rampa máxima sem reboque: 72%

Rampa máxima com reboque: 50%

Vau máximo: 1,35m

Fosso transponível: 1,68m

Raio de volta mínima: 6,10m

Carga máxima de reboque: 9.205kg

Por Expedito Carlos Stephani Bastos
Pesquisador de Assuntos Militares da Universidade Federal de Juiz de Fora

Sobre Ricardo Lavecchia

Ricardo Lavecchia tem 35 anos, nascido no dia 22/01/1982. Natural de Santo André – SP

Trabalha como vedendor, desenhista nas horas vagas, sempre procurou novas idéias em imagens de livros e jornais, e foi numa dessas buscas que descobriu outra paixão: A Segunda Guerra Mundial. Tinha, então, 18 anos e se deparou com o livro: “Crônicas de Guerra – Com a FEB na Itália” de Rubens Braga. Ao invés de apenas escolher uma imagem para desenhá-la, resolveu ler o livro. O fascínio pelo assunto o tomou por completo.

Em suas pesquisas sobre o tema, descobriu não só relatos de guerra, mas amizades sinceras de veteranos, como o Sr. Antônio Cruchaki, veterano do 9º BEC e o falecido Capitão Rocha da Senta a Pua.

E-mail: ricardo @ segundaguerra.net

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2 comentários

  1. Eu e meu esposo gostamos das fotos,gostarimos que por gentilesa nos mandar mais fotos e informasões das viaturas desta época.
    Porque coleciomos fotos de viaturas antigas.

  2. eu tenho uma bala da segunda guerra eu ganhei do meu vó o meu vó ganho do primo dele eu queria saber se o museu interessa

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