Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

Segunda Guerra Mundial
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A Luta pelo Domínio Ideológico Mundial pós Segunda Guerra – Parte IV

Ao se fazer uma avaliação histórica geral, pode-se afirmar que a Segunda Guerra Mundial foi o resultado do confronto direto de três grandes ideologias que na sua essência traziam o anseio imperialista típico das primeiras décadas do século XX: O Liberalismo americano, o Nacional Socialismo e o Comunismo. E que sem distinção, almejavam em sua essência o domínio mundial. Com a derrota dos países do eixo, EUA e URSS iniciaram uma guerra silenciosa para preencher a lacuna de poder e continuaram o conflito em uma guerra de mentira, porém, potencialmente muito mais destrutiva. A guerra neste período não foi conduzida nos quartéis e sim nos gabinetes políticos!

Foram necessários 46 anos de conflitos entre EUA e URSS, que se caracterizou pela luta pelo domínio ideológico, para que a história apontasse um vencedor. No final prevaleceu a vitória do Liberalismo de Roosevelt perante o Stalinismo Soviético. Não cabe discutir neste artigo o mérito de uma ou outra corrente ideológica. Afinal, através de caminhos diferentes, ambas almejavam o domínio mundial, sem escrúpulo algum em desrespeitar a autonomia e a soberania dos outros povos. No máximo é possível especular como estaria hoje a divisão de poder em todo o mundo diante da vitória de uma das outras correntes ideológicas. O Ocidente se curvaria diante de uma URSS dominante? E o que dizer de uma provável vitória do Nacional Socialismo e suas vertentes reacionárias?

A Carta Atlântica idealizada por Roosevelt em 1942 foi o embrião para a criação das duas principais instituições internacionais, a ONU e a OTAN, após a Segunda Guerra Mundial.  Quando criadas, estas expressavam em seus estatutos, muito dos ideais do pensamento de Roosevelt e hoje legitimam as ações políticas e militares dos países ocidentais e dos seus aliados que compartilham do liberalismo pós-guerra.

Em uma tentativa de equilibrar o jogo militar, a URSS criou o Pacto de Varsóvia que seria o braço bélico da coligação de países comunistas para contrapor a OTAN, entretanto, com o fim da URSS que praticamente sustentava sozinha o bloco com recursos financeiros e tecnológicos, este foi extinto.

Fazendo uma analise mais geral, observa-se que o COMINTERN (Organização Internacional Comunista fundada em março de 1919) poderia ter sido o berço de uma instituição de países comunistas para contrapor a ONU. Foi extinto em 1943, dessa vez pelo próprio Stalin, como uma forma de facilitar uma aproximação com o Ocidente durante a guerra e principalmente desvincular a imagem de uma Rússia ameaçadora perante as nações não comunistas. A ausência do COMINTERN, ou de alguma instituição semelhante, foi uma grande vitória do ideal de Roosevelt, na luta contra a ideologia comunista.

A proposta deste artigo foi analisar o mundo pós-guerra do ponto de vista das duas correntes ideológicas dominantes e propor uma análise que aponta para uma proposta de revisão histórica sutil: a de que a Segunda Guerra Mundial acabou com o fim da Guerra Fria no final da década de 80 e que hoje vivemos a ERA ROOSEVELT. O líder norte-americano deixou sua marca registrada na história moderna e ditou as principais diretrizes da corrente de pensamento do novo liberalismo, que como uma onda invadiria as nações ao longo da segunda metade do século XX e o início do século XXI.

Roosevelt enxergou que a forma de domínio econômico é muito mais abstrata, porém, mais duradoura e menos violenta que a guerra. Com astúcia fez prevalecer o poder do dólar americano e com a ajuda do cinema e dos produtos de consumo de exportação, potencializou a força do idioma inglês. Entendeu que a determinação dos povos é uma premissa universal e que sendo intrínseca a toda nação, não poderá ser suplantada apenas pela força dos exércitos. Com esta visão, moldou um planeta que não mais aceitaria o modelo de domínio colonialista do velho continente, principalmente o praticado pelos ingleses e franceses, e muito menos o imperialismo isolacionista soviético. Foi depois de Hitler, no início da década de 30, o líder que mais utilizou e reconheceu o poder dos meios de comunicação, do cinema e do rádio. Com a força destes, venceu 4 eleições para presidente e principalmente, vendeu ao mundo a imagem de que os EUA são um país defensor da liberdade e da justiça! Com estas palavras permitiu que os seus sucessores ampliassem cada vez a influência da ideologia americana em todo o mundo pós-guerra e provou que para subjugar nações existem outras vertentes de dominação que não apenas os canhões.


Referências Bibliográficas

Stalin – Rose Tremain – História Ilustrada da 2º Guerra Mundial – Editora Renes 1975; Churchill – David Mason – História Ilustrada da 2º Guerra Mundial – Editora Renes 1973; Prezado Sr. Stálin – Os Bastidores da Segunda Guerra Mundial na Correspondência Completa Entre Roosevelt e

Stalin – Susan Butler – Editora Jorge Zahar – 1º edição 2008; A Loucura de Stalin – Os Trágicos Dez Dias Iniciais da Segunda Guerra Mundial no Front Oriental – Editora Difel – 1º edição 2008;

Sobre Ricardo Lavecchia

Ricardo Lavecchia tem 35 anos, nascido no dia 22/01/1982. Natural de Santo André – SP Trabalha como vedendor, desenhista nas horas vagas, sempre procurou novas idéias em imagens de livros e jornais, e foi numa dessas buscas que descobriu outra paixão: A Segunda Guerra Mundial. Tinha, então, 18 anos e se deparou com o livro: "Crônicas de Guerra - Com a FEB na Itália" de Rubens Braga. Ao invés de apenas escolher uma imagem para desenhá-la, resolveu ler o livro. O fascínio pelo assunto o tomou por completo. Em suas pesquisas sobre o tema, descobriu não só relatos de guerra, mas amizades sinceras de veteranos, como o Sr. Antônio Cruchaki, veterano do 9º BEC e o falecido Capitão Rocha da Senta a Pua. E-mail: ricardo @ segundaguerra.net

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