Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

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Segunda Guerra Mundial
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A Formação da Força Expedicionária Brasileira – FEB

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20/04/1944 - Primeira reunião do Estado Maior da FEB, Rio de Janeiro. Da esquerda para a direita: Maj. Osmar Dutra, Ten.Cel. Senna Campos, Ten.Cel. Thales Ribeiro da Costa, Ten.Cel. Humberto de Alencar Castelo Branco, Ten.Cel. Amaury Kruel, Cel. Lima Brayner.

O pequeno Estado-Maior de uma Divisão é estritamente operacional. O Ministro da Guerra sentiu o acúmulo de problemas e decidiu sabiamente a constituição de um novo órgão, o Estado-Maior da FEB no interior, para um conjunto de atividades sobre organização e aparelhamento, visando a possível constituição de um corpo de exército de três Divisões.

Se a FEB tivesse chegado a possuir a envergadura que lhe pretendiam dar, o seu Estado-Maior, no interior, estaria habilitado a se converter no próprio Estado-Maior do Corpo de Exército. Enquanto isso, procurava o órgão divisionário se firmar na sua missão, para dar unidade espiritual à Grande Unidade, cuja característica era a heterogeneidade.

Somente a 18 de outubro de 1943 foi expedido o Documento Reservado contendo as primeiras prescrições para a transformação das unidades constitutivas da Nova Divisão tipo estadunidense, que passaríamos a chamar tipo FEB.

A recomendação mais absurda era a que a transformação das unidades estivesse terminada em 15 de novembro, isto é, em menos de um mês. Nem varinha de condão o conseguiria. O Estado-Maior do coronel Floriano de Lima, com um mês de vida exclusivamente no papel, praticamente ainda não existia. Não se reunira, nem tomara pé na situação.

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Comando da FEB na preparação da partida: Da esquerda para a direita: Gen. Zenóbio da Costa, Gen. Mascarenhas de Moraes, Cel. Floriano Brayner e Gen. Cordeiro de Farias.

A Grande Unidade nascente ainda não podia contar com a assistência do chamado espírito divisionário que emana, justamente, do Estado-Maior da Divisão, oficina de trabalho intelectual que fecunda e desenvolve as idéias. Tudo estava desajustado. Não tinham a vivência em comum, em tempo de paz.

Difícil seria o entendimento. A estrutura das unidades das armas sofrera profundas modificações, principalmente na Infantaria e na Engenharia. Aquela, passando a dispor de uma potência de fogo excepcional; esta, com o nome de Engenharia de Combate, passando a ter um aparelhamento inteiramente desconhecido dos nossos oficiais e soldados. Em todas as armas, o armamento se modificara completamente, visando a alcançar o máximo de potência de fogo.

A maioria das armas era completamente desconhecida no Brasil. E se não as possuíamos, muito menos as respectivas munições, isso significava dizer que seu emprego e utilização tão cedo não produziriam reflexos duradouros que pudessem caracterizar uma tropa instruída para a guerra.

Também a estrutura dos órgãos do Comando sofreu radical transformação, não somente na descentralização dos problemas do Comando, como na forma de transmitir as decisões e ordens, pela multiplicação dos meios de comunicação, em que a fonia passou a predominar.

O aperfeiçoamento crescente desses meios e a riqueza da gama com que se apresentavam, era reforçada por uma organização perfeita de “manutenção”, essa palavra mágica que surgiu, em todo o esplendor, nessa última guerra, e que constituiu, sem sombra de dúvida, um dos fatores decisivos da vitória.

A Divisão Expedicionária surgiria de um amálgama de unidades colhidas na formação normal das Divisões Brasileiras, para sofrer imediatamente a impregnação das unidades que combatiam nos diversos fronts. Era a reação do campo de batalha, que se esperava. Assinala-se bem essa circunstancia para que se possa compreender o sobre-humano esforço do Estado-Maior Divisionário para dar vida à 1ª Divisão da FEB.

Era nesse ambiente instável, de balbúrdia e entrechoque de idéias, que se iniciava, propriamente, a ação de comando do General Mascarenhas de Moraes. A ele, pois, todo o mérito do desmedido esforço de procurar tirar desse ambiente caótico, uma Divisão, à qual não se podia impor, da noite para o dia, por Decreto, unidade espiritual, equilíbrio psicológico e capacidade combativa.

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Plano de Combate da FEB

A artilharia foi a arma menos surpreendida, por isso que, com o início da guerra, os alemães que nos vendiam o material Krupp C 26 e C 28 suspenderam a entrega das baterias encomendadas. Voltamos as vistas imediatamente para o material estadunidense de 105 e 155 m/m.

A Engenharia de Combate tomou uma feição inteiramente nova. O Batalhão Divisionário passava a ser, ao mesmo tempo, uma poderosa oficina de trabalho de todas as especialidades de arma, e ainda devia estar em condições de prover a própria segurança dos canteiros de trabalho, em qualquer ponto da zona de combate.

Desapareciam as Companhias de Sapadores, Pontoneiros, Mineiros, etc. E os novos meios, ricos, eficientes e altamente objetivos, deram nova mentalidade à unidade, tornando mais complexa a sua instrução.

Os órgãos dos serviços, particularmente Saúde, Intendência, Comunicação e Material Bélico, apresentavam feição inteiramente nova. Viviam exclusivamente para a guerra, na imensa complexidade do apoio logístico. E todo esse panorama dificilmente poderia sair do campo das dificuldades, ou melhor, das possibilidades, devido aos estacionamentos das unidades:

  • 6º Regimento de Infantaria – em Caçapava (2ª Região Militar – São Paulo)
  • 11º Regimento de Infantaria – em São João Del Rei (4ª Região Militar – Minas)
  • 1º Grupo de Obuses – em Duque de Caxias – Quitaúna (2ª Região Militar – São Paulo)
  • 9º Batalhão de Eng. de Combate em Aquidauana (9ª Região Militar)

O Quartel-General da 1ª Divisão, ainda em organização, não podia desincumbir-se das tarefas que lhe seriam normais. E os trabalhos a cargo dos órgãos regionais eram executados com extrema morosidade. O que mais preocupava era o inevitável choque que, a cada momento, se verificava como decorrência da atribuição dada ao Comandante da 1ª Divisão Expedicionária, com a responsabilidade administrativa e disciplinar, que era privativa dos Comandantes das Regiões Militares a que pertenciam às unidades expedicionárias. Os dois Comandos colidiam inevitavelmente. Em meio a essa compreensível instabilidade, o Gen. Mascarenhas teve ordem de partir para visitar o Teatro de Operações do Mediterrâneo:

“O General Comandante da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária partirá para o Teatro de Operações, da Itália, afim de estabelecer uma primeira ligação de Comando, observar o campo de batalha e tomar contato com os problemas que o deveriam empolgar no transcurso da campanha”.

– Era essa a Diretriz Geral. Há, em toda essa redação, uma grande força de expressão. A participação ativa do Brasil na guerra era, até aquele momento, acima de tudo, uma manifestação política de expressão continental e de alto fundo psicológico para a causa das Nações Unidas, já o dissemos.

Continua… A Formação da Força Expedicionária Brasileira – FEB – Parte 2

Sobre André Luiz!

André Luiz, natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra, - antigo Segunda Guerra.org - escreve sob a expectativa de contribuir com a memória deste trágico conflito e demonstrar mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.

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