Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

Segunda Guerra Mundial
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AT08 - A Campanha do Atlântico Sul - Os Estados Unidos em Nosso Quintal – Parte III
A atuação dos PV-1 Venturas foi primordial para afugentar os submarinos do Eixo (Foto: U.S. Navy)

A Campanha do Atlântico Sul – Os Estados Unidos em Nosso Quintal – Parte III

Continuação…

Mas, com enorme esforço superou tudo. Os torpedeamentos de navios mercantes brasileiros na nossa costa, sem declaração de guerra, pegou todos de surpresa. De uma hora para outra os nossos navios mercantes, inteiramente desarmados, tiveram que se organizar em comboios e a nossa Marinha forneceu as primeiras escoltas.

Para enfrentar a situação alarmante, sem aviões adequados, a FAB posicionou sua força da seguinte forma e assim ainda estava em Julho de 1944:

 

Unidade

Base

Tipo de Aeronave

Missão

1º GpBP

Santa Cruz – RJ

Vultee A-31 Vengeance

Bombardeio Picado

2º GpBP[1]

Cumbica – SP

Vultee A-35B Vengeance

Bombardeio Picado

3º GpBP[2]

Curitiba – PR

Vultee A-31 Vengeance

Bombardeio Picado

1º GpBL

Canoas – RS

Douglas A-20K Havoc

Bombardeio Leve

2º GpBL

Cumbica – SP

Douglas A-20K Havoc

Bombardeio Leve

2º GpCa

Santa Cruz – RJ

Curtiss P-40E/K/M/N

Caça

3º GpCa

Canoas – RS

Curtiss P-40E/K/M/N

Caça

1º GpPat

Belém – PA

PBY-5/5A Catalina

Patrulha

2º GpPat

Galeão – RJ

PBY-5A Catalina

Patrulha

1º GpBM

Recife – PE

Lockheed PV-1 Ventura

Patrulha

2º GpBM

Salvador – BA

Lockheed PV-1 Harpoon

Patrulha

3º GpBM

Galeão – RJ

Lockheed A-28A Hudson

North American B-25J

Bombardeio

4º GpBM

Fortaleza – CE

Lockheed A-28A Hudson

Bombardeio

1º GMA

Natal – RN

Curtiss P-40M/N

North American B-25B/J

Caça e Bombardeio

Fonte: Decreto-Lei nº 6.796, de 17/8/1944 – Cria Unidades Aéreas


[1] Não foi ativado por falta de aeronaves Vultee A-31 e A-35B Vengeance.

[2] Não foi ativado por falta de aeronaves Vultee A-31 e A-35B Vengeance.

 

Além destes aparelhos, também foram usados os aviões Vultee V11 GB-2, adquiridos pelo Exército em 1938, sendo que 24 passaram para a FAB quando da criação do Ministério da Aeronáutica em 20 de janeiro de 1941.

 

VULTEE V11 GB-2 – BOMBARDEIRO E ATAQUE

Era um grande monomotor de ataque e bombardeio, mas não era avião de patrulha e, na falta de aviões melhores, teve que ser usado nesse tipo de tarefa. Foram retirados do serviço ativo em 1945. Podia levar 1.500 quilos de bombas.

Vultee V11 GB-2 “112” que operou em Natal e Recife em ação desdobrada (Camazano)
Vultee V11 GB-2 “112” que operou em Natal e Recife em ação desdobrada (Camazano)

Na história destes aviões dois fatos são marcantes: no primeiro vôo de instrução, com o aparelho matriculado “115”, houve um acidente em Vila Isabel (RJ), onde faleceram o capitão José Zippim Grinspunn – um dos mais voados pilotos da Aviação Militar – e o piloto de provas da fabrica Vultee, Clell Powell no dia 30 de janeiro de 1939.

O segundo foi o vôo realizado no aparelho matriculado “119” pelo Major-Aviador Clovis Monteiro Travassos, que decolou no dia 9 de julho de 1939 de Fortaleza – CE para um vôo direto pelo interior do pais – na época inteiramente desprovido de auxílios para navegação aérea – com destino a Porto Alegre – RS, cobrindo a distância de 3.240 quilômetros em 11 horas e 45 minutos de voo, sendo navegador o Tenente Osvaldo Carneiro Lima e do Sargento Alfredo Amaral Barcellos, telegrafista do voo.

Já o Vultee A-31 Vengeance foi recebido no inicio da guerra e foi usado de 1943 a 1946, foram recebidos 28 aparelhos. Era um bombardeiro de mergulho, não de patrulha, mas foi muito usado e com certas adaptações levava 900 quilos de bombas de profundidade. Também foram recebidos 5 aviões Vultee A-35B Vengeance em 1944.

Também o caça Curtiss P-40, muito conhecido em Natal, não era avião de patrulha, mas na falta de avião especializado foi muito usado. Cabe o registro de que foi o avião operado pelos Tigres Voadores do General Chenault na China, obtendo grandes vitórias sobre os aviões japoneses e David Tex Hill abateu 16 aviões.

Curtiss P-40K FAB 30 que fazia a defesa aérea em Natal durante a guerra (Camazano)
Curtiss P-40K FAB 30 que fazia a defesa aérea em Natal durante a guerra (Camazano)

No norte da África o P-40 foi muito usado pela RAF e o Wing Commander Clive “Killer” Caldwell abateu 20 aviões inimigos.  Forte, bem construído, foi empregado com enorme sucesso pela Força Aérea do Exército Americano e pela RAF. Foram construídas mais de 14.000 unidades. A FAB teve 85 aviões do tipo.

Faço um pequeno resumo descrevendo estes aviões, para se ter uma idéia de como a nossa jovem Força Aérea entrou na guerra desprovida de material adequado, mas, com pessoal decidido ao combate.  Em setembro de 1943, tendo a Força Aérea Brasileira recebido aviões modernos a Marinha Americana, em conjunto com a FAB, organizou um curso para formar nossos pilotos para atuarem em missões de Patrulha.

Esta unidade que foi denominada USBATU – United States Brazilian Air Training Unity prestou consideráveis benefícios à FAB. Com isto nossa Força Aérea, agora com equipamento adequado, entrou de rijo na Batalha do Atlântico Sul.

A primeira turma do USBATU terminou sua instrução em 26 de novembro de 1943 e entre os oficiais diplomados estavam os tenentes Ivo Gastaldoni e Roberto Hippólyto da Costa; o primeiro foi muito ligado por laços de amizade á família Lamartine e o segundo é irmão do coronel-Aviador Reformado Fernando Hippólyto da Costa, residente em Natal, onde constituiu família.

O USBATU foi ministrado nos aviões Venturas do VB-145 da U.S. Navy (Camazano)
O USBATU foi ministrado nos aviões Venturas do VB-145 da U.S. Navy (Camazano)

Tenho muito orgulho de lembrar esta passagem histórica da nossa jovem Força Aérea e destacar que Tenentes-Coronéis fizeram muitos vôos de patrulha e quero citar aqui José Kahl Filho, com 57 missões, Hernani Pedrosa Hardman com 87, ambos vindo da Marinha, Victor da Gama Barcelos com 107 missões e Rube Canabarro Lucas com 69 missões, estes dois vindos do Exército.

Portanto, num esforço de guerra quatro Tenentes-Coronéis fizeram 444 missões. No principio foram usados aviões obsoletos e já ultrapassados, mas com o recebimento de equipamento novo, foi quando os submarinos alemães sentiram o peso das bombas da FAB.

Do seu lado, nossa Marinha de Guerra empregou todos os seus recursos, com o ímpeto de quem foi a segunda maior Marinha do mundo em 1910, estava em 1940 pobre de recursos, mas com esforço sobre-humano cumpriu o seu dever e se cobriu de glorias.

O estudioso sobre o tema poderá ver mais detalhes no livro do Almirante Saldanha da Gama, mas destaco aqui que nossa Marinha perdeu no Atlântico durante a guerra 492 preciosas vidas. Não podemos nos esquecer disto.

Em contrapartida, a Marinha Alemã, tão agressiva de 1939 a 1940, passou a sentir a reação. A sua força submarina teve 40.000 homens no total. Destes, 30.000 perderam a vida. Só regressaram 10.000… Em dados resumidos, os submarinos alemães afundaram durante a guerra nos Atlânticos Norte e Sul um total de 2.640 navios e perderam 746 submarinos.

No livro “Defeat at Sea”, de autoria de B. C. Decker, na página 178, ele conta a conversa de dois oficiais da Marinha Alemã, ambos oficiais superiores da Força de Submarinos que confessam tudo perdido: “… em 1943 perdemos 231 submarinos e em 1944 outros 204”.

“Com os bombardeios diários dos aliados nos nossos estaleiros a produção de submarinos parou…”  “Nada recebemos para produzir novos submarinos, o sistema ferroviário não existe mais…” Não há dados oficiais e confiáveis sobre o número de submarinos alemães, mas estima-se um grande total de 750 a 800…  No Atlântico Sul, os alemães perderam 15 submarinos com 701 mortos. A FW-16 perdeu 48 vidas em seis aviões abatidos, sendo três Liberators.

A FAB não teve perda de vidas, mas dois aviões receberam fogo antiaéreo inimigo. Passados todos estes anos vêem a importância vital de Natal na Campanha do Atlântico Sul, a atuação de uma Força Aérea nova de dois anos desprovida de meios modernos para enfrentar uma guerra, mas que soube se equipar e treinar seus pilotos que atualmente na sua maioria já são falecidos.

Todos honraram a Pátria.   Todos merecem nossa Gratidão.

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Dedico este modesto artigo aos membros fundadores e mantenedores da Fundação Rampa, que lutam incessantemente para resguardar e preservar a História da nossa Aviação em Natal e aos meus queridos amigos Coronel-Aviador Fernando Hippólytto da Costa e ao Coronel-Aviador Aparecido Camazano Alamino nossos historiadores mor.

BIBLIOGRAFIA E FONTES DE REFERÊNCIA:

Alamino, Aparecido Camazano. Arquivos históricos. Natal, RN, 2013.

Natal, Base Aérea de. Boletins e Livro Histórico. 1942 – 2013.

Carey, Alan C. Galloping Ghosts of The Brazilian Coasts.

Gama, Saldanha da. A Marinha Brasileira na Segunda Guerra Mundial.

Green, William. Famous Fighters of the II World War.

_____________ Famous Bombers of the II World War.

Lavanère Wanderley, Nelson Freire. História da Força Aérea Brasileira, 1ª. Edição

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Origado ao Toninho Magalhães por ter junto so seu pai Graco (Veterano da FAB), nos cedido esse tão valoroso artigo para postarmos aqui no Ecos.

 

A Campanha do Atlântico Sul – Os Estados Unidos em Nosso Quintal – Parte I

A Campanha do Atlântico Sul – Os Estados Unidos em Nosso Quintal – Parte II

 

Sobre Ricardo Lavecchia

Ricardo Lavecchia tem 35 anos, nascido no dia 22/01/1982. Natural de Santo André – SP Trabalha como vedendor, desenhista nas horas vagas, sempre procurou novas idéias em imagens de livros e jornais, e foi numa dessas buscas que descobriu outra paixão: A Segunda Guerra Mundial. Tinha, então, 18 anos e se deparou com o livro: "Crônicas de Guerra - Com a FEB na Itália" de Rubens Braga. Ao invés de apenas escolher uma imagem para desenhá-la, resolveu ler o livro. O fascínio pelo assunto o tomou por completo. Em suas pesquisas sobre o tema, descobriu não só relatos de guerra, mas amizades sinceras de veteranos, como o Sr. Antônio Cruchaki, veterano do 9º BEC e o falecido Capitão Rocha da Senta a Pua. E-mail: ricardo @ segundaguerra.net

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