Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

Que essa ocasião solene faça emergir um mundo melhor, com fé e entendimento, dedicado à dignidade do homem e à satisfação de seu desejo de liberdade, tolerância e justiça."

Segunda Guerra Mundial
Home / Historia da Segunda Guerra / A Campanha do Atlântico Sul – Os Estados Unidos em Nosso Quintal – Parte II
AT13 - A Campanha do Atlântico Sul - Os Estados Unidos em Nosso Quintal – Parte II
Foto oficial do Liberator PB4Y-1 do VPB-107 em Natal (Foto: U.S. Navy)

A Campanha do Atlântico Sul – Os Estados Unidos em Nosso Quintal – Parte II

Continuação…

Unidades Aéreas sediadas na Base Aérea de Natal durante a 2ª Guerra Mundial:

BASE AÉREA DE NATAL: criada pelo Decreto nº 4.142, de 02 de março de 1942, iniciou as suas atividades oficialmente em 7 de agosto de 1942 e, durante a 2ª Guerra Mundial, sediou as seguintes unidades aéreas:

– Agrupamento de Aviões P-40: dotado com aparelhos de caça Curtiss da variante P-40E Warhawk. Operou de 1º de agosto de 1942 até 11 de novembro do mesmo ano.

Vista da BANT de 2007 (Foto: Coleção A. Camazano)
Vista da BANT de 2007 (Foto: Coleção A. Camazano)

– Grupo Monoposto-Monomotor: criado em 24 de dezembro de 1942, atuou até 17 de agosto de 1944, sendo dotado com caças Curtiss P-40E/K, além dos Curtiss P-36A, que atuaram até 10 de setembro de 1943.

Curtiss P-36A FAB 04 utilizado na BANT durante a Guerra (Camazano)
Curtiss P-36A FAB 04 utilizado na BANT durante a Guerra (Camazano)

– Grupo de Aviões Bimotores: ativado em 3 de março de 1943, atuou até 5 de outubro de 1944, empregando aparelhos Lockheed A-28A Hudson, Douglas B-18 Bolo e North American B-25B Mitchell.

– 2º Grupo de Caça: criado em 17 de agosto de 1944, permaneceu em Natal até 5 de outubro do mesmo ano, quando foi transferido para a Base Aérea de Santa Cruz – RJ. Operou com aeronaves Curtiss P-40E/M/N.

– 1º Grupo Misto de Aviação (1º GMA): ativado em 5 de outubro de 1944, atuando até 28 de agosto de 1945. Estava dotado com aviões de caça Curtiss P-40M e P-40N, além dos aparelhos de bombardeio médio North American B-25B/J Mitchell.

– 5º Grupo de Bombardeio Médio (5º GBM): criado em 28 de agosto de 1945, operou até 24 de março de 1947, empregando aviões North American B-25B/J Mitchell.

Cabe ser enaltecida a atuação de um aparelho honesto e robusto de nossa FAB, o North American AT-6B/C Texan, que foi destinado para a BANT como aeronave de adestramento e utilitária, porém as necessidades do momento exigiram que ele também fosse à guerra e participasse efetiva e eficientemente de missões de patrulhamento de nosso litoral, tornando-se a aeronave que mais fez essas missões em Natal.

O North American AT-6C FAB-83 atuou em Natal durante a Guerra (Camazano)
O North American AT-6C FAB-83 atuou em Natal durante a Guerra (Camazano)

Já em 15 de junho de 1943, apenas sete meses após a chegada do primeiro Esquadrão norte-americano ao Brasil, a FW-16 recebeu o Esquadrão VB-107, que ficou baseado em Natal com 15 aviões quadrimotores Liberator, que na Marinha era o PB4Y-1 e no Exército o B-24.

Após seis meses, a engenharia americana construiu instalações para o Comando, oficiais e especialistas da Marinha que foram muito bem alojados. Cabe aqui para refrescar a memória uma ligeira descrição do PB4Y-1:

PB4Y-1 LIBERATOR – O TERROR DOS SUBMARINOS NAZISTAS

Foto oficial do Liberator PB4Y-1 do VPB-107 em Natal (Foto: U.S. Navy)
Foto oficial do Liberator PB4Y-1 do VPB-107 em Natal (Foto: U.S. Navy)

Foi fabricado pela autora do seu projeto a Consolidated e pela Ford, que construiu a maioria de todos eles. Foi utilizado pela Aviação do Exército e da Marinha dos Estados Unidos, RAF, Royal Navy, Austrália e pela Nova Zelândia.

Era um avião de múltiplas funções, podendo atuar como bombardeiro, patrulha e transporte, reinando supremo no Pacifico devido ao seu longo alcance, não ultrapassado por nenhum outro avião.

PB4Y-1 Liberator do VP-107 de Natal com suas cores características (Camazano)
PB4Y-1 Liberator do VP-107 de Natal com suas cores características (Camazano)

Equipado com quatro motores Pratt & Whitney, de 1.200 HP cada um, sendo armado com 10 metralhadoras .50 posicionadas no nariz, cauda, torre dorsal, torre ventral e fuselagem, com 4.716 cartuchos. Peso vazio de 17.237 quilogramas e peso Máximo de decolagem de 36.741 quilogramas.

A sua velocidade econômica de cruzeiro era de 354 quilômetros com carga de 5.000 Kg de bombas e tinha alcance de 2.736 quilômetros. O Liberator foi o bombardeiro construído em maior numero, chegando a 18.214 unidades.

O Brigadeiro Nelson Freire Lavanère Wanderley não aborda este Esquadrão de PB4Y-1 Liberator em seu livro “A História da FAB”, mas o autor de “Galloping Ghost in the Brazilian Coast”, Alan C. Carey, descreve com detalhes a chegada de 12 desses aviões em Parnamirim em junho de 1943.

Espalhados pelos diferentes arquivos existem inúmeras fotos destes aviões em Natal, inclusive de uma homenagem prestada ao Esquadrão pela Senhora Roosevelt.

Interessante lembrar que nesta ocasião a senhora Roosevelt, em companhia do Brigadeiro Eduardo Gomes, visitou o Arcebispo de Natal, Dom Marcolino Dantas.

Este Esquadrão teve 15 aviões, hangar, alojamentos próprios, e até um cinema. Tais alojamentos foram muito usados por oficiais brasileiros após o recebimento da Base Americana em 1946 e era conhecido apenas por Navy.

Estes 15 aviões tinham 65 tripulantes. Mas convém lembrar que havia certo número de oficiais para cumprir uma escala e dar descanso aos demais tripulantes, além dos oficiais que exerciam funções administrativas e os especialistas em motores, instrumentos, armamento, rádio etc., que eram os responsáveis pela manutenção e pela disponibilidade dos aviões.

Paralelo a isto, os americanos criaram em Natal uma Naval Air Station (NAS) na margem direita do rio Potengi, onde está hoje o que chamamos simplesmente de Rampa.   A operação de hidroaviões é extremamente difícil.  Os de Patrulha só operam durante longas horas sobre o mar e exigem luta diária contra corrosão.

Esta NAS ocupou uma área enorme, basta ver que ela abrangia o que restou do que hoje chamamos Rampa, mais a área do atual Iate Clube e mais uma grande parte do atual Regimento de Artilharia. Os tripulantes dos Esquadrões sediados na Rampa tinham vida própria.

PBM-3 Mariner do VP-203 de Salvador, BA (Camazano)
PBM-3 Mariner do VP-203 de Salvador, BA (Camazano)

Por outro lado, os americanos aumentavam com rapidez o tamanho da Base de Parnamirim Field e em julho de 1943 já tinham prontas as pistas 12 e 16, centenas de prédios, que serviram de alojamento para os tripulantes de aviões que daqui seguiam para o norte da África. Eram centenas e centenas de aviões todos os dias, que aqui eram abastecidos, inspecionados e preparados para a longa travessia de cerca de 10 horas de voo em média.

Ainda para reforçar a guerra antissubmarino a Marinha americana mandou para o Atlântico Sul uma Força Tarefa sob o comando do Almirante Ingram, com o seu pavilhão no navio capitânia Memphis. Tal FT estava constituída por quatro cruzadores, um porta-aviões ligeiro de escolta e dois navios tender para hidroaviões.

Os dois navios tender ficaram baseados na Baia de Todos os Santos, pois na época o porto de Salvador não tinha atracadouro para hidroaviões. Era uma faina extremamente trabalhosa guinchar um PBM-3 Mariner para o Tender onde era reabastecido de combustível e munição além dos serviços de manutenção na célula, motores, rádio e armamento.

Quem já fez manutenção de aeronaves em água salgada sabe que a luta contra a corrosão é diária e penosa. Daí a solução é guinchar os hidroaviões para terra firme onde

receberão um tratamento severo com duchas de água doce, sendo um trabalho constante e penoso.

Após esta abordagem resumida da atuação americana na Campanha do Atlântico Sul, vejamos agora a atuação da FAB, sendo conveniente frisar que em 1943 nossa Força Aérea tinha apenas dois anos de existência e não tinha aviões para longos voos de patrulha nem tripulações treinadas.

Lockheed A-28A Hudson FAB 23 operado na BANT (Camazano)
Lockheed A-28A Hudson FAB 23 operado na BANT (Camazano)

Continua…

 A Campanha do Atlântico Sul – Os Estados Unidos em Nosso Quintal – Parte I

 

Sobre Ricardo Lavecchia

Ricardo Lavecchia tem 35 anos, nascido no dia 22/01/1982. Natural de Santo André – SP Trabalha como vedendor, desenhista nas horas vagas, sempre procurou novas idéias em imagens de livros e jornais, e foi numa dessas buscas que descobriu outra paixão: A Segunda Guerra Mundial. Tinha, então, 18 anos e se deparou com o livro: "Crônicas de Guerra - Com a FEB na Itália" de Rubens Braga. Ao invés de apenas escolher uma imagem para desenhá-la, resolveu ler o livro. O fascínio pelo assunto o tomou por completo. Em suas pesquisas sobre o tema, descobriu não só relatos de guerra, mas amizades sinceras de veteranos, como o Sr. Antônio Cruchaki, veterano do 9º BEC e o falecido Capitão Rocha da Senta a Pua. E-mail: ricardo @ segundaguerra.net

Veja Também

tenta hitler - Os 6 Atentados contra Adolf Hitler

Os 6 Atentados contra Adolf Hitler

As seis tentativas de matar Hitler Durante sua vida, Adolf Hitler sofreu 6 atentados à …

Deixe sua Opinião (Facebook - Twitter - Google+)