Ecos da Segunda Guerra

 

1939 - 1945

 

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Segunda Guerra Mundial
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A Batalha da França

O exército francês agonizava, após a ruptura da frente de Sedan, queda da Bélgica, fuga da força expedicionária britânica, restando apenas a Linha Maginot. Esta era o baluarte principal de defesa francês, porém foi ignorada pelos alemães e deixada para trás, passando pelas Ardenas.

No inicio da batalha, os aliados eram superiores às forças alemãs, se considerarmos o peso e o volume dos equipamentos e o número de soldados, porem a falta de liderança arruinou essas forças.

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General Weygand

Quando o General Weygand assumiu o comando, os soldados franceses se sentiam mais otimistas. As instruções dadas por Weygand eram inteligentes, firmes e claras: abandonar a defesa linear organizar-se em profundidade fechar-se nos pontos de apoio cercado, não temer deixar-se ultrapassar pelos tanques. Mas era apenas uma questão de tempo, o exército alemão atacaria com as Divisões Panzer e a Infantaria juntos, o que ainda não tinha ocorrido, pois os Panzers avançaram rapidamente, deixando a Infantaria para trás. A Wehrmacht possuía 45 divisões, do Reno ao Canal da Mancha; contra apenas 27 divisões francesas. A supremacia alemã nas tropas de reserva era ainda maior, possuindo o dobro do número dos franceses. Além de que as divisões francesas eram inferiores em número de soldados em relação ao princípio. A tática francesa era o entrincheiramento nas cidades, não importasse se os panzers passassem, esperariam a infantaria para então tentar destruí-la.

Na madrugada do dia 5 de junho de 1940, inicia a segunda fase da invasão alemã a França. O Marechal Rommel com a 7ª Divisão Panzer cruza o rio Soma; Hoth com seus blindados seguem pela costa do Canal da Mancha, mas o assalto principal foi feito por Kleist, com duas Divisões Panzers, (mais de 1200 tanques), partindo de Amiens e Peronne foram para o sul, para pressionar a Linha Weygand. Os tanques avançaram facilmente, porem a infantaria foi detida pela defesa francesa, no final do dia a linha ainda estava em pé, mas totalmente desconexa. No dia seguinte, as tropas alemãs seguiram com pesados ataques, e os tanques franceses que tentavam conter os avanços dos alemães, eram atacados pela força aérea. Debaixo de um ataque deste porte, as tropas francesas começaram a se retirar mais para o sul.

No dia 7, von Bock, penetrou em quase toda a Linha Weygand, a batalha do Soma estava praticamente vencida. Rommel dividiu o 10º Exército em dois, empurrando-os contra as costas do canal. Nesta mesma noite, os alemães distavam apenas 40 km de Ruão. Em 9 de junho, o Grupo de Exércitos de von Rundstedt, começou a cruzar o rio Aisne, e o General Weygand sabia que o fim era próximo.

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De Gaulle

De Gaulle, subsecretario da Defesa, foi a Londres pedir apoio maior dos ingleses, mas Churchill não quis arriscar o que restara da RAF, e manteve suas forças esperando pela Batalha da Inglaterra, que ele tinha certeza que viria. No dia 10, Rommel envolveu o 10º Exército francês, a vanguarda alemã chegou a Chateau Thierty as margens do rio Marne, isolando as tropas defendiam Paris das forças a leste que defendiam o Aisne. Guderian tendo o caminho livre após cruzar o Aisne, rumava a toda velocidade para o sul em direção a fronteira com a Suíça. Durante à tarde deste dia, a Itália declara guerra à França. Apesar das forças italianas não estarem aptas para a guerra, Mussolini quis se aproveitar do rápido avanço alemão e declarando guerra para pleitear maiores vantagens sobre a França quando esta fosse totalmente vencida. O governo francês decide abandonar Paris, e Reynaud, o Primeiro Ministro da França, junto com De Gaulle fugiram para Orleans.

A derrota já era um fato. No dia 11, Von Bock atravessou o Sena em vários pontos e com isso Paris estava cercada pelo oeste. As forças de Rundstedt, após cruzar o rio Aisne, ocuparam a cidade de Reims e seguiram em direção ao Marne. Guderian tinha ordens de cercar a Linha Maginot pela retaguarda, enquanto Kleist iria em direção ao Mediterrâneo. Alguns membros do governo e militares desejavam negociar com a Alemanha uma trégua. Reynaud, apoiado por De Gaulle, não aprovava a decisão. Weygand para evitar que Paris fosse palco de luta, ordenou a debanda de todas as tropas que ocupavam a cidade e declarou a cidade aberta. No dia 12, o General Hering abandonou a cidade em direção ao rio Loire, ficando apenas o General Dentz com a missão de render a cidade às forças alemãs.

No dia 14, unidades da vanguarda do 18º Exército de Von Kuchler entraram em Paris e ao meio dia, tropas do exército alemão desfilaram pela cidade. No Arco do Triunfo tremulava a bandeira nazista. Muitos civis fugiram da cidade, e os que ficaram presenciaram uma cena que marcaria a memória da França eternamente. A cidade estava sob domínio da Alemanha Nazista.

paris_weepsA ideia do armistício crescia, pois era nulo o efeito de sacrificar o exército francês. No mesmo dia, o General Alan Brooke, comunicou-se com Churchill, informando da derrota do exército francês e pediu a evacuação de todas as tropas inglesas, o que foi prontamente aceito. Logo depois, o governo francês saiu de Tours e se instalou em Bordéus. No dia seguinte De Gaulle foi a Londres pedir transporte do máximo das tropas francesas para a África do Norte. Tarefa impossível, pois no Exército francês já não havia organização alguma, sendo apenas unidades isoladas.

No dia 16, o conselho do governo francês deu início a uma histórica sessão. O Presidente da República Albert Lebrun comandou a reunião. O governo estadunidense, na pessoa de Roosevelt, já havia decidido não mandar tropas para a Europa. Reynaud ainda tentou persuadir seus colegas a não negociarem, porém sem respostas positivas, ele pediu demissão que foi aceita pelo presidente Lebrun. Este nomeou o Marechal Pétain como novo líder do governo. De Gaulle ao voltar da Inglaterra, se despediu ao saber da situação e retornou a Londres, onde iniciou uma luta para a libertação da França.

No dia 17, Pétain se dirigiu à nação pelo rádio anunciando que estavam em negociação os termos da rendição. Em 18 de Junho, Hitler comunica a Mussolini que aceitará a rendição francesa, permitindo que estes fiquem com sua Marinha, evitando que eles a entregassem aos ingleses e que apenas ocuparia os territórios do norte e da costa do Atlântico. Na tarde de 20 de junho, Huntziger, Leon Noel e mais três representantes das forças armadas se seguiram para Paris.

No dia seguinte, nos bosques de Compiègne, no vagão ferroviário – que Hitler ordenou ser retirado de um museu – onde os alemães assinaram a rendição ao fim da Primeira Guerra, Hitler os esperava; acompanhado de Goering, Hess, Raeder e Keitel. Os franceses ficaram boquiabertos ao verem o vagão. Assim Hitler aplicava a vingança da Alemanha contra a França e a batalha se encerrava.

VEJA IMAGENS DA BATALHA DA FRANÇA

 

FOTOS COLORIDAS DA FRANÇA OCUPADA


VEJA VIDEOS DA  BATALHA DA FRANÇA

Entrada das Tropas Alemãs em Paris

Assinatura da Rendição Francesa

 

Sobre André Luiz!

André Luiz, natural de Osasco, ex-militar do Exército, estudou letras em São Paulo, graduando em Psicologia e fascinado pelos fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Idealizador e criador do site Ecos da Segunda Guerra, - antigo Segunda Guerra.org - escreve sob a expectativa de contribuir com a memória deste trágico conflito e demonstrar mesmo nos acontecimentos mais terríveis é possível observar detalhes interessantes.

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3 comentários

  1. Rodolfo de Oliveira Souza

    Caro André Luiz:

    Embora sejam enriquecedores seus comentários sobre a Batalha da França, sinto que falta neste episódio particularmente triste da história francesa, uma melhor avaliação da situação interna das forças francesas e de seus comandantes.

    Para se ter uma ideia do que lhe falo, a Força Aérea Francesa vizualizou o avanço dos tanques alemaães pelas Ardenas em fila e o seu comandante não autorizou o ataque maciço por ser ele próprio um simpatizante do nazismo. Assim sendo, a Força Aérea Francesa quase não participou da guerra. Existiam comentários nos campos de batalha do tipo “onde está a força aérea francesa?”. Ao final da Batalha da França o país possuía mais caças do que no início. Isso mostra a capacidade da indústria francesa durante o conflito. Por outro lado, diversos tanques já prontos para a batalha não foram engajados. Eles eram, inclusive, superiores tecnológicamente, aos panzers alemães. O governo francês era fraco e dividido. Talvez isso tenha contato mais para a derrota do que a situação militar, que poderia ter sido revertida.

    Abraço,
    Rodolfo

  2. Rodolfo de Oliveira Souza

    Caro André Luiz:

    Embora seja enriquecedor seus comentários sobre a Batalha da França, sinto que falta neste episódio particularmente triste da história francesa, uma melhor avaliação da situação interna das forças francesas e de seus comandantes.

    Para se ter uma ideia do que lhe falo, a Força Aérea Francesa vizualizou o avanço dos tanques alemaães pelas Ardenas em fila e o seu comandante não autorizou o ataque maciço por ser ele próprio um simpatizante do nazismo. Assim sendo, a Força Aérea Francesa quase não participou da guerra. Existiam comentários nos campos de batalha do tipo “onde está a força aérea francesa?”. Ao final da Batalha da França o país possuía mais caças do que no início. Isso mostra a capacidade da indústria francesa durante o conflito. Por outro lado, diversos tanques já prontos para a batalha não foram engajados. Eles eram, inclusive, superiores tecnológicamente, aos panzers alemães. O governo francês era fraco e dividido. Talvez isso tenha contato mais para a derrota do que a situação militar, que poderia ter sido revertida.

    Abraço,
    Rodolfo

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